Olá, Joyce. Parabéns pelo trabalho! Texto muito bem escrito e organizado, assim como a apresentação da pesquisa no vídeo. Sua pesquisa é muito interessante, em especial por dar visibilidade à literatura africana, e importante para pensarmos as rupturas e reestruturações das representações femininas, não só na literatura mas na sociedade também. Gostei bastante do levantamento bibliográfico e da maneira como você organiza o seu texto e explica os conceitos para o leitor. Tenho apenas algumas perguntas e sugestões:
1) Fiquei curiosa pela escolha dos livros e, mais especificamente, da literatura moçambicana. Há estudos semelhantes já feitos no contexto da literatura brasileira, visto que há um eixo comum entre ambas, o pós-colonialismo?
2) Senti falta de um desenvolvimento maior, na discussão, da relação que você apresenta na metodologia entre língua-fronteira-tradução, considerando que nós, leitoras brasileiras, iremos ler e interpretar a partir de uma perspectiva que tem pontos em comum (tanto Brasil quanto Moçambique são sociedades patriarcais e pós-coloniais), mas também tem pontos diferentes em relação ao contexto sócio-histórico-cultural moçambicano representado nas obras (como a própria questão religiosa, que você apresenta como possibilidade de desdobramento da sua pesquisa na conclusão).
3) Ainda em relação à tradução cultural, você menciona a característica oral das literaturas moçambicanas, e fiquei curiosa em saber como essa característica contribui (e se contribui) para a ruptura e/ou reestruturação do estereótipo feminino nas obras.
4) Agora é mais uma sugestão - Como você marca que sua análise se voltará às representações de mulheres em locais não-ocidentais, me parece que você traz, implicitamente, uma dicotomia ocidente/oriente. Nesse sentido, acredito que valeria também expandir um pouco o referencial teórico e trazer reflexões acerca dessa relação.
Mais uma vez, lhe parabenizo pelo trabalho e espero que você dê continuidade à pesquisa, pois há vários desdobramentos possíveis.