Comercialização informal do leite cru: um risco a saúde pública
A venda de leite cru para consumo direto pela população é legalmente proibida no Brasil. Contudo, a comercialização informal do leite sem qualquer tratamento térmico, controle de qualidade e inspeção sanitária é ainda muito comum e ocorre, principalmente, no Nordeste. O objetivo da pesquisa foi caracterizar os pontos de venda (PV) informal de leite cru em Imperatriz – MA. Os PV foram identificados através das informações obtidas com os consumidores de leite cru, e em seguida foram aplicados os questionários. A aplicação desses ocorreu no período de novembro a dezembro de 2016 no município de Imperatriz - MA. Dos 11 PV fixos, 7 aceitaram participar da pesquisa. Desses, todos os proprietários são casados, faixa etária de 45-77 anos e com ensino fundamental incompleto. A maioria é do sexo feminino, família composta por 4 pessoas e com renda familiar aproximada de 2 a 3 salários mínimos. O leite cru comercializado na maioria dos PV é oriundo do estado do Tocantins e é transportado até o PV em veículos sem refrigeração, o que pode interferir negativamente na qualidade desta matriz alimentar. Em média, são ofertados/dia de 15-80 L de leite/PV e vendidos/dia de 10-80 L de leite/PV, com preço médio do litro de R$ 2,50 – 3,00, cuja embalagem de venda é a garrafa PET reciclada ou saco plástico transparente e em 71,43% dos PV há sobra de leite. Considerando a implicação dessa atividade na saúde pública, observou-se ausência de conhecimento consistente sobre as Doenças Transmitidas por Alimentos e o leite como alimento-veiculo por parte dos proprietários. A maioria dos PV nunca foram vistoriados pelo órgão regulador. O comércio de leite cru caracteriza-se pela falta da manutenção da cadeia do frio, desconhecimento por parte dos proprietários, sobre o risco do leite cru, as Boas Práticas e a importância da regularização dos PV.