ASPARTAME: UMA FONTE INESPERADA DE GLICOTOXINAS?
Os adoçantes não nutritivos (NNSs) são amplamente consumidos por indivíduos com diabetes, a fim de se obter um melhor controle da ingestão de carboidratos e dos níveis de glicose no sangue, levando ao senso comum de que são adjuvantes no manejo dietético desta população e relacionados a um padrão alimentar saudável. O controle da hiperglicemia é fundamental para o tratamento do diabetes. Outro caminho que leva às complicações relacionadas ao diabetes é o aumento da formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs). Deste modo, o objetivo deste trabalho foi avaliar a reatividade de adoçantes não nutritivos comumente consumidos frente à albumina sérica bovina (BSA) com foco na formação de AGEs, visto que uma das vias de formação dessas espécies é justamente através da dieta. Comparamos 9 NNSs comercialmente disponíveis em um ensaio in vitro com um sistema tradicional de glicação da albumina sérica bovina na presença de glicose e/ou frutose ou dos NNSs através do monitoramento da formação de AGEs fluorescentes usando técnicas espectrofluorimétricas (Ex.: 360 e Em.: 440 nm). Nesse estudo, observamos uma reatividade significativa de NNSs baseados em aspartame para formar AGEs. Um dos NNS baseados em aspartame (amostra 4) mostrou uma maior propensão para produzir AGEs do que a mistura de glicose e frutose e a amostra 6 reagiu com BSA para formar AGEs, em nível similar ao da mistura de glicose e frutose. Os NNSs representados por ciclamato de sódio, sacarina de sódio, glicósideos de esteviol, sucralose e acesulfame-k não apresentaram reatividade no ensaio adotado. Este é o primeiro relato que mostra a relação entre NNSs e a formação de AGEs e traz à tona novas questões sobre a segurança de NNSs baseados em aspartame, como suporte para prevenir complicações desencadeadas pela via AGEs em diabetes.