Efeito de compostos bioativos presentes em extratos de café (Coffea arabica) sobre a multiplicação de bactérias probióticas
Estudos apontam que o consumo de café promove benefícios à saúde relacionados com a presença de compostos bioativos. Alguns componentes não ou parcialmente absorvíveis na bebida, tais como os ácidos clorogênicos (ACG), e os polissacarídeos galactomanana (GM) e arabinogalactana tipo 2 (AG), vem sendo estudados devido ao seu potencial prebiótico para algumas estirpes bacterianas específicas. Outros compostos bioativos presentes no café são a cafeína (CAF) e a trigonelina (TG). Este estudo objetivou avaliar o potencial prebiótico de compostos bioativos do café por meio da multiplicação de bactérias probióticas. Foram utilizadas as estirpes probióticas Lactobacillus rhamnosus GG 53103 (GG), L. acidophilus LA-5 (LA), Bifidobacterium animalis 173010 (BA), B. animalis subesp. lactis BB12 (BB12), com metodologia adaptada de Sanchéz et al., (2000), Raimondi et al. (2014). Estas foram incubadas com ACG, GM, AG, CAF e TG em concentrações de 50 a 800mg/mL. Utilizou-se caldo MRS modificado e inulina como controle negativo (CN) e positivo (CP), respectivamente. Avaliou-se o potencial prebiótico utilizando contagem de colônias em ágar MRS, e o resultado dado em log UFC/mL. Para as estirpes de lactobacilos testadas, destacou-se a multiplicação de GG em 50mg de CAF (1 log UFC/mL a mais que CN). Para BA, a maior multiplicação foi observada com 400mg de ACG (2,3 e 1,9 log UFC/mL a mais que CN e CP), enquanto BB12 se multiplicou em 200 e 400mg de ACG (1,9 e 2 log UFC/mL para CN e CP) e em 200, 400 e 800mg de GM (~ 0,7 log UFC/mL a mais que CN e CP) e em todas as concentrações de AG (~ 0,8 log UFC/mL a mais que CN e CP). Conclui-se que os compostos ACG, CAF, GM e AG podem ser considerados potenciais prebióticos para algumas estirpes específicas de microrganismos probióticos.