AVALIAÇÃO DO COMPORTAMENTO DE SALMONELLA TYPHIMURIUM PRÉ ADAPTADA A BAIXA ATIVIDADE DE ÁGUA DURANTE A TORRAÇÃO DE AMENDOIM
Tradicionalmente os casos de salmonelose são vinculados a ingestão de alimentos de origem animal com alta atividade de água (aw). Contudo, nos últimos anos tem aumentado à ocorrência de surtos relacionados a alimentos de baixa aw como o amendoim. As mudanças sofridas pelas células para se adaptar a um tipo de estresse pode resultar no surgimento de resistência a outros estresses, esse fenômeno é conhecido como proteção cruzada. O objetivo deste trabalho foi avaliar o comportamento de Salmonella Typhimurium ATCC 14028 frente ao processo de torração de amendoim após estocagem por até 60 dias. Porções de 400 g de amendoim blancheado foram inoculadas por aspersão com 1% da suspensão de S. Typhimurim ATCC 14028 obtendo-se concentração final de aproximadamente 5 log UFC/g. As amostras inoculadas foram estocadas a 28 °C por 0, 14, 30 e 60 dias. Após cada intervalo de tempo foi realizado o processo de torração em estufa de circulação de ar forçado a 130 ºC por 0, 10, 20, 30 min. Foram realizados testes em paralelo com o inóculo cultivado em caldo BHI (controle). Para a amostra controle, em todos os tempos de torração avaliados, a população do patógeno foi reduzida abaixo do limite detecção (<1 UFC/mL). As reduções do inóculo recuperado a partir do amendoim torrado diminuíram significativamente (p<0,05) nos tempos 10, 20 e 30 min durante a estocagem. Nos tempos de 0 e 60 dias de estocagem, a redução da população do patógeno variou de 1,66 a 0,06 após 10 min de torração; de 1,86 a 0,35 após 20 min e de 3,13 a 1,01 Log UFC/g após 30 min. Portanto, os resultados indicam uma tendência de aumento na resistência térmica de S. Typhimurium quando submetida ao estresse dessecativo.