HIDRÓLISE ENZIMÁTICA PROTEICA DE RESÍDUO DE CAMARÃO
Resíduos gerados na industrialização do camarão são, normalmente, descartados sem aproveitamento. Este material, que representa aproximadamente 50% do peso total da matéria-prima, contribui para o aumento da poluição ambiental. Este trabalho teve como objetivo a obtenção de hidrolisado proteico a partir do resíduo de camarão-rosa (Farfantepenaeus subtilis), composto por cefalotórax e exoesqueleto (12,8% de proteína, base úmida). Seguindo um delineamento composto central rotacional, foram realizados 11 ensaios de hidrólise enzimática proteica com a protease Alcalase. Os parâmetros avaliados durante o processo foram: temperatura (40 a 70ºC) e razão enzima:substrato (2 a 6% p/p), os quais proporcionaram uma avaliação da cinética de hidrólise enzimática e uma análise do grau de hidrólise (GH, 2,4 a 4,3%), da recuperação de proteína (RP, 51,0 a 69,0%) e da atividade antioxidante pelo método de DPPH (AA, 24,7 a 41,8mmoleq Trolox/g proteína). Os valores de GH alcançados foram bem abaixo dos encontrados na literatura, provavelmente devido ao uso de diferentes condições de reação e presença de substâncias inibidoras. Para a recuperação de proteína, apenas a temperatura influenciou no aumento da resposta. Observou-se que não houve relação direta entre os resultados de GH e RP. Outro parâmetro que não apresentou relação com o GH foi atividade antioxidante. Esta foi influenciada pelas variáveis estudadas e mostrou melhores resultados em baixa temperatura e alta concentração de enzima. As melhores condições para a hidrólise ocorreram na região de E/S a 4% e temperatura a 55ºC, resultando em um processo com maior RP e na produção de hidrolisados com elevada AA.