Parabéns pelo trabalho, muito bem articulado e que apresenta de forma cuidadosa uma ótima síntese do debate e disputas, compreensível para quem não está familiarizado com o tema.
As aproximações entre prostituição e o "mercado de trabalho" me pareceram muito pertinentes, principalmente em desnaturalizar algumas concepções voltadas a preconceitos ou estigmas. O que mais me chamou a atenção foi a observação perspicaz de que a dicotomia vontade/necessidade não está presente em questionamentos a trabalhadoras de outras áreas, um ponto muito rico a partir do qual se levantou um debate amplo que é o da possibilidade de consentimento (dilema agência ~ estrutura), em qualquer área, dentro do modo de produção capitalista. Ao fim, os apontamentos em relação a escassez de oportunidades, e da saída da prostituição como fuga de maior escassez e opressão, encerram a análise com uma volta ao aspecto mais concreto muito interessante, e que aproxima novamente a atividade ao mercado de trabalho "convencional", dentro do capitalismo.
Por fim, em um contexto de inovação da análise do sistema capitalista, principalmente a partir de autoras feministas marxistas (de maior centralidade para a reprodução social, como igualmente estruturante assim como o trabalho "produtivo"), esse trabalho é de grande pertinência para organizar o debate e pavimentar caminhos possíveis de análise. Como bem disse, a prostituição realmente ocupa "um ponto interessante nessas teorias sociológica, antropológica e econômica feminista que está se consolidando". Espero que continue!