FILMES BIODEGRADÁVEIS COM BLINDAGEM UV PRODUZIDOS A PARTIR DE SUBPRODUTOS INTEGRAIS DE UVA

Vol.2, 2025 - 329674
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Resumo

O descarte excessivo de plásticos de uso único tem impulsionado a busca por alternativas sustentáveis, especialmente aquelas baseadas em fontes renováveis e biodegradáveis. Este estudo avaliou o uso de subprodutos do processamento de uvas (blend das cultivares Bordô, Concord e Isabel) na produção de filmes biodegradáveis com potencial uso como embalagens ativas para alimentos. O subproduto foi submetido a hidrólise branda com ácido cítrico (0,1 mol·L⁻¹, 40 °C, por 16 h), e incorporado a duas formulações poliméricas com total de sólidos de 1,3 g, sendo aproximadamente 77% composto pelo subproduto: F1 (23% pectina) e F2 (17% pectina e 6% carboximetilcelulose – CMC). Os filmes foram obtidos por casting contínuo, com glicerol (30% em base seca) como plastificante.

As amostras foram caracterizadas quanto às propriedades mecânicas, ópticas, de barreira e por espectroscopia no infravermelho (FTIR). Em termos mecânicos, F2 apresentou maior resistência à tração (1,16 MPa) e elongação na ruptura (31,7%) em comparação à F1 (0,77 MPa e 19,2%), indicando que a adição de CMC contribuiu para maior flexibilidade e integridade da matriz. O módulo elástico não apresentou diferença significativa entre as formulações (~5,2 MPa).

Todas as amostras apresentaram excelente blindagem à radiação ultravioleta, com bloqueio superior a 94% em toda a faixa espectral (UVA, UVB e UVC), destacando seu potencial para proteção de alimentos sensíveis à foto-oxidação. A transparência foi significativamente maior em F1 (60,3%) do que em F2 (10,2%), possivelmente devido à maior homogeneidade da matriz de pectina e à menor interferência óptica da CMC. A permeabilidade ao vapor de água foi menor na F2 (1,22 g·mm/kPa·h·m²), indicando potencial de barreira superior em relação à F1 (2,41 g·mm/kPa·h·m²), o que pode estar relacionado à maior densidade de rede polimérica promovida pela combinação dos biopolímeros. A análise por FTIR evidenciou grupos funcionais característicos de biomassa lignocelulósica e dos biopolímeros incorporados, como hidroxilas, carbonilas e ésteres.

Os resultados demonstram que ambas as formulações apresentam propriedades promissoras para aplicação como embalagens biodegradáveis, com destaque para F2, que alia resistência mecânica, barreira à umidade e proteção UV. O uso de subprodutos agroindustriais reforça a abordagem de economia circular e agrega valor a resíduos agrícolas, promovendo soluções sustentáveis para a indústria de alimentos.

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Instituições
  • 1 Ufscar
  • 2 UNESP
  • 3 Embrapa Instrumentação
Eixo Temático
  • Segurança Alimentar e a Ciência de Alimentos (SCA)
Palavras-chave
Subprodutos
Bioplásticos
Polissacarídeos