EXTRAÇÃO VERDE DE ÓLEO DE AMÊNDOA DE TUCUMÃ-DO-AMAZONAS (Astrocaryum aculeatum) USANDO PROPANO PRESSURIZADO COMO SOLVENTE

Vol.2, 2025 - 329100
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Resumo

O tucumã-do-Amazonas (Astrocaryum aculeatum) é uma fruta muito apreciada na região amazônica, cuja polpa é amplamente consumida, especialmente em Manaus (AM), onde integra o tradicional lanche regional “X-caboquinho”. Contudo, suas amêndoas — ricas em compostos lipídicos — são majoritariamente descartadas, configurando um subproduto agroindustrial subutilizado. Visando o aproveitamento sustentável desse coproduto, este estudo investigou a extração de óleo das amêndoas de tucumã-do-Amazonas (ATA) por meio da extração com propano pressurizado (EPP), uma tecnologia verde e eficiente voltada à obtenção de compostos apolares. O método foi comparado à extração convencional por Soxhlet, quanto ao rendimento e à qualidade dos óleos obtidos. Foi realizado um planejamento experimental de dois níveis e dois fatores (22), conduzidos em uma unidade de extração a alta pressão em escala laboratorial, variando-se os parâmetros de temperatura (40 a 80 °C) e fluxo de solvente (1 a 3 mL/min), mantendo-se a pressão contante a 100 bar. Os óleos extraídos foram caracterizados em relação ao rendimento global, perfil de ácidos graxos, teor de β-caroteno, capacidade antioxidante, teores de fenólicos totais (TPC) e flavonoides totais (TF), além do comportamento térmico. O maior rendimento (35,9%) foi obtido a 80 °C e 1 mL/min, correspondendo a uma eficiência de 96,5% em comparação com a extração por Soxhlet. A temperatura apresentou influência estatisticamente significativa (p < 0,05) sobre o rendimento em óleo obtido pela EPP. Por outro lado, a vazão do solvente não afetou significativamente o rendimento global de extração ao usar propano pressurizado. Do ponto de vista técnico e ambiental, a EPP revelou-se uma alternativa verde promissora para a valorização do ATA, gerando óleos de elevada qualidade, isentos de resíduos de solventes e ricos em ácidos graxos láurico e mirístico — composição lipídica semelhante à do óleo de coco. Tais características conferem ao produto potencial de aplicação nas indústrias alimentícia, cosmética e farmacêutica. Além disso, os óleos apresentaram boa estabilidade térmica e bons níveis de compostos bioativos com potencial antioxidante. Dessa forma, a inserção do ATA na cadeia produtiva regional representa uma estratégia interessante para promover o desenvolvimento bioeconômico sustentável na Amazônia, agregando valor à espécie e fomentando a geração de renda para comunidades locais.

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Instituições
  • 1 Instituto Federal do Paraná
  • 2 Universidade de São Paulo
  • 3 Universidade Federal do Paraná
Eixo Temático
  • Engenharia de Processos e Tecnologias Emergentes (ET)
Palavras-chave
Bioeconomia
Ácidos graxos
Amazônia