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O bioma Cerrado apresenta diversas espécies vegetais que constituem fontes relevantes de compostos bioativos com potencial antioxidante, anti-inflamatório e modulador metabólico. A lobeira (Solanum lycocarpum) destaca-se como potencial fonte de amido resistente, associado aos efeitos hipoglicemiante e antioxidante, enquanto a mirindiba (Buchenavia tomentosa Eichler) apresenta elevado teor de compostos fenólicos, flavonoides, carotenoides e vitamina C. A complexação entre o amido de lobeira e extratos hidrofílico e lipofílico de mirindiba pode intensificar suas propriedades funcionais, sendo o objetivo deste estudo avaliar os efeitos imunomoduladores desses complexos em modelo experimental de diabetes mellitus tipo 2, correlacionando suas características físico-químicas, bioativas e antioxidantes com potenciais aplicações terapêuticas. Os frutos de lobeira e mirindiba foram coletados em Barra do Garças-MT, armazenados a 18 °C e processados para obtenção do amido e dos extratos. A lobeira apresentou alta umidade (79,42 g/100 g), proteínas (7,08 g/100 g), baixo teor lipídico (0,67 g/100 g), cinzas (3,31 g/100 g) e carboidratos (9,52 g/100 g). A mirindiba apresentou elevados níveis de compostos fenólicos totais (1362,7 mg ácido gálico/100 g), ácidos fenólicos (73,86 mg ácido cafeico/100 g), flavonoides (100,14 mg quercetina/100 g) e carotenoides (7,07 mg β-caroteno/100 g), confirmados pelos ensaios de capacidade antioxidante DPPH (140,19 μmol Trolox/g) e FRAP (58,42 μmol Trolox/g). O amido de lobeira apresentou rendimento de 55,55% e foi caracterizado por FTIR, MEV, DRX e TG/DSC. A FTIR revelou interações hidrofílicas com compostos fenólicos e hidrofóbicas com carotenoides do extrato lipofílico. A MEV mostrou grânulos ovais e homogêneos no amido nativo, enquanto os complexos hidrofílicos exibiram superfície rugosa e os lipofílicos apresentaram fragmentação e regiões compactadas. A DRX indicou cristalinidade tipo C no amido nativo com picos 15° a 23° (2θ), redução parcial em complexos hidrofílicos e maior transição para fase amorfa em lipofílicos. A TG/DSC apontou degradação principal entre 300–340°C no complexo hidrofílico e maior estabilidade térmica no lipofílico (250 350°C). Ensaios biológicos com células monucleares do sangue periférico humano demonstraram alta viabilidade celular (>96%) em todas as amostras. O amido nativo apresentou menor estímulo à produção de ânion superóxido, enquanto os complexos reduziram o estresse oxidativo em co-culturas com Escherichia coli. A atividade da superóxido dismutase (SOD) aumentou em células normoglicêmicas e foi parcialmente restaurada em diabéticas tratadas com complexos, evidenciando efeito antioxidante e imunomodulador adaptativo. Em conclusão, o amido de lobeira complexado com extratos de mirindiba apresenta biocompatibilidade, propriedades antioxidantes e imunomoduladoras, indicando potencial terapêutico em diabetes e infecções.
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