INFLUÊNCIA DA PERDA DE MASSA SOBRE O ASPECTO VISUAL DE UVAS DE MESA (VITIS VINIFERA L.)
A perda de água por transpiração em uvas de mesa resulta na perda de massa dos cachos, causando ressecamento das bagas, escurecimento da ráquis e redução significativa do seu potencial de mercado. Em geral, perdas de massa de aproximadamente 2 a 3%, em relação à massa inicial dos cachos, são o suficiente para que sinais de degradação do aspecto visual sejam percebidos pelo consumidor. No entanto, o gatilho para o aparecimento desses sintomas pode depender da variedade. O objetivo desse trabalho foi quantificar a influência da perda de massa dos cachos sobre o aspecto visual de uvas de mesa, correlacionando a redução percentual de massa aos sinais perceptíveis de escurecimento da ráquis e ressecamento das bagas em duas variedades diferentes. Uvas das variedades ‘Crimson Seedless’ (20,5% teor de sólidos solúveis (TSS)) e ‘Niagara’(14,3% TSS) foram divididas em bandejas de plástico rígido tipo PET e pesadas em balança analítica (precisão 0,01g). O peso inicial médio foi de 548,3+14,2g e 539,1+10,9g para as uvas ‘Crimson Seedless’ e ‘Niagara’, respectivamente. Em seguida, as embalagens foram acondicionadas em refrigeração (2,3+1,7°C e 45,9+6,4% umidade relativa) e durante 19 dias, em intervalos de 2 dias, a perda de massa dos cachos foi monitorada. Os sintomas visíveis de escurecimento da ráquis foram observados nas uvas ‘Niagara’ a partir de perdas de massa do cacho em torno de 2,4%, enquanto nas uvas da variedade ‘Crimson Seedless’ perdas de massa de 4,6% foram necessárias para que os mesmos sinais de deterioração fossem observados. As primeiras bagas murchas foram percebidas a partir de perdas de massa da ordem de 5%, ‘Niagara’, e 9%, ‘Crimson Seedless’. Esses resultados indicam que algumas variedades de uva toleram melhor a perda de água do que outras e confirmam a importância de se minimizar a exposição destes frutos às condições ambientais favoráveis à desidratação.