Fungos em águas envasadas
A água envasada é considerada segura e acreditada como saudável. Estes são motivos que justificam o seu elevado consumo. Estudos demonstram a contaminação por fungos até potencialmente patogênicos o que representa perigo para a saúde dos consumidores, sobretudo, daqueles com sistema imunológico debilitado. A legislação brasileira não determina limites para esse tipo de microrganismo. Avaliou-se a presença de fungos em águas envasadas comercializadas na Região Metropolitana do Recife. Trinta e cinco amostras provenientes de sete diferentes marcas e lotes, embaladas em garrafas de tereftalato de polietileno de 500mL foram analisadas. Fungos contaminantes foram isolados por meio da técnica pour plate, utilizando-se Agar Batata Dextrose, acidificado a pH 4,0 e incubação à 25°C ± 2°C por até 7 dias, conforme metodologia analítica do Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. Constatou-se a presença de fungos em 6 das 7 marcas analisada. Em 20 amostras (57,1%) constatou-se a presença de fungos. Em 14 delas (70%) foram identificados apenas fungos filamentosos e em 5 (25%) também a presença de levedura. Em 1 das amostras (5%) foi identificado só levedura. Considerando que a água subterrânea passa por processo de autodepuração da natureza que a torna própria ao consumo infere-se que a presença de fungos filamentosos em águas envasadas está relacionada à embalagem. Em análise investigativa em amostras coletadas na fonte usada pela engarrafadora que apresentou maior índices de contaminação e na embalagem vazia, esta hipótese foi confirmada. Conforme dados dos rótulos das amostras usadas no experimento observou-se que o pH das águas envasadas e comercializadas em Pernambuco se encontra na faixa favorável a fungos (em torno de 5,0). Tais conclusões podem auxiliar os órgãos legisladores brasileiros na reavaliação dos parâmetros microbiológicos estabelecidos para este tipo de produto.