Arsênio total em atum enlatado
Peixes e frutos do mar são importantes fontes de proteínas, minerais e ácidos graxos poliinsaturados como o ômega-3, conhecidos por reduzir níveis de colesterol e manter o sistema imunológico, coração e cérebro em condições saudáveis. A preservação dos peixes para fins de consumo pode ser feita de muitas formas sendo a preservação em conservas enlatadas uma das mais utilizadas. Entretanto, o consumo de pescados é considerado principal fonte de exposição a contaminantes inorgânicos, como o arsênio. Estes contaminantes podem ser provenientes de fontes naturais, como a atividade vulcânica e a degaseificação da crosta terrestre, e fontes antropogênicas, como a queima de combustível fóssil e a atividade agrícola. Diante do exposto e devido ao tradicional consumo de peixe enlatado no Brasil, o presente trabalho teve como objetivo a determinação dos níveis de arsênio total e a avaliação da estimativa de exposição em amostras de atum enlatado comercializadas na cidade de Campinas-SP. O preparo das amostras foi realizado usando o método de digestão ácida em sistema assistido por micro-ondas com determinação do arsênio total por ICP OES. Foram avaliadas cinco marcas de atum enlatado, de três lotes distintos em conservas de água e de óleo (n=30). Os resultados demonstraram maiores teores médios de As total de 0,958 mg kg-1 e 0,666 mg kg-1 em conserva de água e óleo, respectivamente. Das amostras estudadas, 10% apresentaram níveis de arsênio acima do limite máximo estabelecido pela legislação brasileira (1 mg kg-1) e o cálculo da estimativa de exposição, considerando os valores médios obtidos para arsênio total, um indivíduo adulto de 60 kg e BMDL0,5 de 3,0 µg kg-1 de peso corpóreo, mostrou risco potencial se considerado o consumo diário de 2 latas de atum em conserva em água ou 3 latas de atum em conserva em óleo.