CARACTERIZAÇÃO DO RESÍDUO DA FILETAGEM DA PIRAMUTABA
A possibilidade do aproveitamento das partes comestíveis das operações tradicionais de filetagem de pescados é de grande importância, pois minimiza os problemas de produção e o custo unitário das matérias primas. Acrescenta-se a isto o apelo nutricional, visto que os subprodutos da indústria do pescado representam aproximadamente a metade do volume da matéria prima processada e são uma fonte de nutrientes de baixo custo. Neste trabalho foram analisados os descartes comestíveis gerados por três indústrias, durante o processo de filetagem da piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii), com o objetivo de conhecer o potencial nutricional desses subprodutos, através da sua composição centesimal, e da determinação dos perfis proteicos e lipídicos. Foram realizadas, em triplicata, as análises de umidade, proteína bruta, lipídios e cinzas. Os subprodutos apresentaram umidade na faixa de 83,56 a 85,58%, um valor médio de proteínas de 13,12%, lipídios na faixa de 1,07 a 3,39% e cinzas na faixa de 0,47 a 1,39%. Além de serem uma excelente fonte de proteínas (79,07 a 90,1% b.s.), os subprodutos apresentaram uma boa qualidade proteica, por apresentarem na sua constituição de 38,6 a 50,5 g de aminoácidos essenciais por 100 g de proteína bruta. Com exceção da fenilalamina, todos os aminoácidos essenciais encontrados nos subprodutos da piramutaba, atenderam aos padrões de ingestão recomendados pela FAO. Na fração graxa dos subprodutos foram observados também importantes ácidos graxos, em especial os essenciais omega-3 (10,1-15,8 g/100 g de lipídios) e omega-6 (1,7-4,1 g/100 g de lipídios), para os quais a relação omega-6/omega-3 (0,12-0,26) atendeu a recomendação da FAO. As características observadas nos subprodutos da indústria de filetagem da piramutaba analisados permitem classificá-los como de grande potencial para a geração de produtos com alto valor agregado, o que além de ser de interesse ambiental, é também de interesse econômico, científico e tecnológico.