DETERIORAÇÃO FÚNGICA DE PANETONES
Considera-se o panetone um alimento símbolo dos períodos natalinos, sendo destaque nas prateleiras dos supermercados na época que precede estas festividades. Devido as suas características, é um produto que permite o desenvolvimento de alguns micro-organismos, sobretudo fungos xerofílicos. A contaminação microbiana dos panetones pode se originar nas matérias-primas utilizadas para sua manufatura ou mesmo no ambiente em que este alimento é processado. O objetivo deste estudo foi identificar as espécies de fungos deteriorantes de um lote de panetones tipo chocotone visivelmente mofados, bem como investigar a origem das mesmas através da análise das matérias-primas. Além do isolamento direto de fungos a partir do produto mofado, foram analisadas amostras de farinha de trigo e mistura para panetone pela técnica de diluição em placas e de gotas de chocolate, uvas passas e frutas cristalizadas através de plaqueamento direto. As análises foram feitas em triplicata, utilizando-se o meio DG18 e as placas foram incubadas à 25 °C por 7 dias, procedendo-se a identificação das mesmas na seqüência. As espécies predominantes nos panetones mofados foram Eurotium amstelodami, Eurotium repens e Aspergillus candidus. A farinha de trigo apresentou contaminação principalmente por A. candidus, Penicillium roqueforti e Eurotium rubrum; enquanto E. amstelodami foi a única espécie isolada a partir das gotas de chocolate. Com isso conclui-se que estes dois ingredientes provavelmente foram os responsáveis, direta ou indiretamente, pela introdução dos fungos xerofílicos que deterioraram o produto, sendo de suma importância a seleção de matérias-primas de qualidade para evitar perdas devido à deterioração fúngica de panetones.