Reconstrução da base genética de cultivares de soja utilizando Grafos de Recombinação Ancestral

Vol. 7, 2026 - 344370
Simple Abstract
Favorite this paper
How to cite this paper?
Abstract

A base genética da soja cultivada é reconhecidamente estreita, refletindo o uso recorrente de um número reduzido de ancestrais nos programas de melhoramento. Tradicionalmente, a contribuição genética de ancestrais é estimada por registros genealógicos (pedigrees), por meio de coeficientes de identidade por descendência (Identity by Descent – IBD), que representam o relacionamento genético esperado entre indivíduos. Entretanto, essa abordagem não considera diretamente a variação decorrente dos processos de recombinação, segregação e seleção ao longo das gerações. A estimativa do IBD observado requer a inferência da transmissão efetiva de segmentos genômicos dos ancestrais para seus descendentes. Mais recentemente, os Grafos de Recombinação Ancestral (Ancestral Recombination Graphs – ARGs) têm sido empregados para reconstruir genealogias locais, integrando eventos de recombinação e coalescência e permitindo inferir relações ancestrais ao longo do genoma. O objetivo deste trabalho foi utilizar ARGs para estimar a contribuição genômica de 45 ancestrais fundadores, previamente descritos, para a base genética de 331 cultivares brasileiras de soja. Foram analisados dados genotípicos obtidos com o Illumina Infinium SoySNP50K BeadChip, totalizando 39.948 SNPs avaliados em 434 acessos de soja. Destes, 389 eram cultivares (331 brasileiras, 55 estadunidenses e 3 japonesas) e 45 eram acessos fundadores, incluindo 21 cultivares estadunidenses e 24 landraces, predominantemente de origem chinesa e japonesa. Os genótipos foram faseados com o software Beagle v5.4. Em seguida, árvores locais foram inferidas para cada cromossomo utilizando a biblioteca ARG-Needle v1.1.0, convertidas para o formato tree sequence e analisadas com a biblioteca tskit v1.0.1. Para cada árvore local, foi identificado o ancestral fundador que compartilhava o ancestral comum mais recente (MRCA) com cada cultivar. Os comprimentos dos segmentos atribuídos a cada fundador foram somados e convertidos em porcentagem do comprimento total do genoma, permitindo estimar a contribuição genômica de cada ancestral para as cultivares analisadas. As estimativas revelaram elevada concentração da base genética em um número reduzido de fundadores. CNS (PI548445), S-100 (PI548488), Roanoke (PI548485), PI54610 e Tokyo (PI548493) apresentaram as maiores contribuições médias (35,1%, 13,6%, 6,6%, 3,6% e 2,9%, respectivamente), totalizando 61,8% da base genética das cultivares avaliadas. Apenas 11 dos 45 fundadores (24,4%) corresponderam a 75,6% da contribuição genômica total. Entre as 389 cultivares, CNS foi identificado como o principal ancestral em 343 (88,2%), seguido por Lincoln (22), S-100 (14), Mandarin (10) e Roanoke (4). Nas 331 cultivares brasileiras, CNS foi o principal ancestral em 330 (99,7%), sendo ‘Alta’ a única exceção, com Mandarin (PI548378) como ancestral predominante e contribuição estimada de 26,2%. Os resultados corroboram estudos anteriores ao recuperar os cinco principais ancestrais fundadores previamente descritos para as cultivares brasileiras de soja (CNS, S-100, Roanoke, Tokyo e PI54610), diferindo apenas na ordem relativa de contribuição entre Tokyo e PI54610. Esses achados demonstram que a inferência de ARGs é uma abordagem eficiente para estimar diretamente a contribuição genômica desses ancestrais com base na história evolutiva do genoma.

Share your ideas or questions with the authors!

Did you know that the greatest stimulus in scientific and cultural development is curiosity? Leave your questions or suggestions to the author!

Sign in to interact

Have a question or suggestion? Share your feedback with the authors!

Institutions
  • 1 Universidade Federal de Viçosa
  • 2 Brazilian Agricultural Research Corporation
Track
  • 2. Biometrics, statistics, and quantitative genetics
Keywords
ARGs
Glycine max
base genética
ancestralidade