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Gêneros multimodais e "dadificação": entre ler o visual e visualizar o real

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A dadificação acontece quando fazemos buscas ou postagens online, mas também quando caminhamos pela cidade ou acendemos a luz do banheiro. Geramos, todo dia, de todo lugar, sem notar, volumes descomunis de dados – chamamos isso de "Big Data" – para empresas e governos. O mesmo fazem as máquinas que nos cercam com seus sensores, contadores etc. – a chamada "internet das coisas". Quem dá sentido, e de que maneira, à massa de dados cuja forma bruta não se rende nem à cognição nem à linguagem humanas? A ciência de dados trata de "extrair conhecimento" dessa massa, enquanto a visualização de dados trata de dar sentido a esse conhecimento. Surgem daí discursos, pretensamente irrefutáveis e independentes de teorias subjacentes, sobre um "novo real", até então oculto sob a linguagem humana. O problema dos estudos da linguagem passa a ser, então, o de como interpelar esses modos de interpretação e construção da realidade, influindo nessa nova economia política do signo. Este trabalho aborda a noção e tipos de gêneros em visualização de dados, destacando (i) suas bases ideológicas e epistemológicas; (ii) seus modos de agenciamento entre visual, verbal, perceptivo e acional; e (iii) a refratariedade dessas formas às teorias de gênero nos estudos da linguagem. O quadro teórico utilizado reúne conceitos de semiótica social, teorias sobre exibição de informação quantitativa e argumentos sobre a visualização de dados como atividade retórica. Métodos empregados: pesquisa bibliográfica e análise documental. Resultados: (i) a ciência de dados caracteriza-se como isenta de ideologia e conceitua seus gêneros como instrumentos de "mineração de conhecimento"; (ii) a noção de gênero existe na comunidade, porém se define e classifica gênero de modo distinto do dos estudos da linguagem; (iii) certos gêneros da visualização de dados têm sido "arquitetados" para finalidades explicitamente políticas e artísticas; logo, o objeto clama por uma abordagem interdisciplinar.Palavras-chave: gêneros multimodais; datificação; visualização de dados