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APLICAÇÃO DE TÉCNICAS METABOLÔMICAS PARA IDENTIFICAÇÃO DE COMPOSTOS FENÓLICOS EM DIFERENTES CULTIVARES DE FARINHA DE TRIGO BRASILEIRO

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A farinha de trigo é uma matriz economicamente muito importante no Brasil, pois é utilizada na produção de diversos produtos alimentícios como pães, biscoitos e massas. Produtos à base de trigo possuem uma composição nutricional complexa e a diversidade de seus efeitos biológicos tem sido associada não somente ao teor de fibras alimentares, proteínas e outros nutrientes, mas também devido aos efeitos benéficos dos seus compostos bioativos sobre a saúde humana. O objetivo deste trabalho foi determinar o perfil de compostos fenólicos por técnicas metabolômicas de 15 diferentes cultivares de farinha de trigo brasileiro. Os compostos fenólicos livres foram extraídos a partir de solução etanólica (80%), após homogeinização e centrifugação. A partir do pellet, os compostos ligados foram extraídos após hidrólise alcalina, seguida de hidrólise ácida. Os extratos foram filtrados, evaporados e ressuspendidos na fase móvel utilizada. Um mix de 33 padrões de compostos fenólicos foi utilizado para identificação e confirmação dos dados. Para as análises, 2μL de extratos ou padrão foram injetados em cromatógrafo líquido de ultraperformance (UPLC, Waters) acoplado a um espectrômetro de massas Xevo G2S ESI-QTOF (Waters). Os resultados foram processados no software Progenesis QI utilizando um banco de dados customizado. Foram identificados 54 compostos fenólicos, sendo 28 compostos nos extratos livres, 32 nos extratos ligados e 3 compostos comuns, dentre estes últimos o ácido ferúlico, ácido fenólico mais abundante no trigo. Esse composto apresentou-se no extrato livre em sua forma estrutural original e também glicosilado. A classe de ácidos fenólicos foi majoritariamente identificada nos extratos livres, enquanto nos extratos ligados a classe de outros polifenóis foi a mais abundante, ressaltando a necessidade de hidrólise para identificação de compostos de alto peso molecular. Dentre as variedades, Guabiju e Campeiro apresentaram maior abundância de compostos fenólicos. Foram identificados 13 compostos nos extratos livres e 17 nos extratos ligados, comum a todas as variedades estudadas, sendo os mais abundantes apigenina, ácido ferúlico glicosilado, ácido 5-cafeoilquínico e ácido ferúlico, aldeído protocatecuico e 4-hidroxibenzaldeído. A partir da análise de PCA, onde os dois primeiros componentes principais expressaram 47% da variância do conjunto de dados nos extratos ligados e 34% nos extratos livres, a cultivar Guabiju destacou-se das demais, sendo associada a um maior número de compostos e maior abundância relativa. Conclui-se que as farinhas brasileiras possuem uma rica composição em compostos fenólicos, sendo possível diferenciar o perfil entre diferentes variedades.