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Quimiocinas e adipocinas como biomarcadores da atividade da doença de Crohn
Juliana Delgado Campos Mello
Laboratório de Investigações em Doenças Inflamatórias Intestinais, Gastrocentro, Serviço de Cirurgia Colorretal, Departamento de Cirurgia, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas, Brasil
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Create a topicIntrodução: A doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal (DII) que afeta o trato gastrointestinal impactando na qualidade de vida, atividades sociais e profissionais do paciente. Os assintomáticos, ou com sintomas leves, podem ter a doença ativa na forma subclínica. Há poucas pesquisas sobre o impacto das quimiocinas e adipocinas no processo inflamatório da DC quando comparadas àqueles sobre fatores inflamatórios (citocinas ou outras proteínas inflamatórias). As quimiocinas e adipocinas podem desempenhar papel relevante na manutenção da inflamação na DC: as quimiocinas atraindo células do sistema imunológico para a área intestinal afetada, e as adipocinas demonstrando propriedades pró e antiinflamatórias quando secretadas pelas células adiposas do tecido adiposo mesenterial afetado pela DC. Objetivo: Realizar uma revisão sistemática (RS) procurando evidências para o papel das quimiocinas e adipocinas como marcadores para a atividade da DC. Métodos: Esta RS foi realizada por busca de estudos publicados em bases de dados internacionais e regionais até julho de 2020. Os pacientes com DC eram adultos com a doença em atividade ou remissão. Todas as adipocinas e quimiocinas foram consideradas para a análise e o sistema Rayyan QCRI foi usado. Resultados: No total, 20 estudos foram incluídos. Seis quimiocinas e oito adipocinas são potenciais biomarcadores para atividade da DC. CXCL8 foi a quimiocina mais estudada (8 estudos) com 62,5% mostrando uma associação significativa com a atividade da DC. CXCL10 foi investigado por 4 estudos e 50% a identificou como biomarcador potencial. CCL2, CCL11, CCL26 e CXCL1 foram examinados por 2 artigos cada. CXCL8 (p=0,002 / p=0,001) e CXCL1 (p<0,001) apresentaram o maior valor de p, o que os qualifica como potenciais marcadores de atividade da doença. Quanto às adipocinas, a IL-6 foi a mais estudada, em 6 artigos, e 50% destes com p<0,05. Em seguida adiponectina (05 artigos, sendo 01 com p<0,01) leptina (05 artigos, sendo 01 com p<0,01) e resistina (05 artigos, sendo 03 com p=0,004 / p=0,02 / p=0,014), Todas as adipocinas foram testadas no sangue periférico, mas 44,4% também foram testadas na mucosa intestinal, enquanto nos estudos das quimiocinas foi de 76,9% no sangue periférico, 46,1% na mucosa intestinal e 7,6% na amostra de urina. Conclusão: O desenvolvimento de biomarcadores de atividade da DC está se tornando relevante para a prática clínica. Quimiocinas e adipocinas têm potencial para sinalizar a atividade da DC, mas a validação em coortes maiores de pacientes, e estudos multicêntricos ainda são necessários.
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