Avaliação da capacidade antioxidante, composição centesimal e teor de flavonoides e carotenoides de três espécies nativas usadas na alimentação brasileira no século 19
Os alimentos nativos brasileiros são potenciais fontes de nutrientes e fitoquímicos de baixo custo que podem diversificar a dieta e melhorar a qualidade nutricional da alimentação brasileira. O objetivo deste estudo foi avaliar o valor nutricional e a atividade antioxidante de três plantas nativas, Oxalis cordata A. St.- Hil. (folhas), Myrciaria aureana Mattos (casca e polpa) e Xylopia aromatica (Lam.) (frutos), usadas na alimentação no século 19. As partes comestíveis das plantas foram coletadas e as espécies devidamente identificadas pelos botânicos J.Paula-Souza e C.W. Fagg. A composição centesimal foi realizada segundo os métodos preconizados pela Association of Official Analytical Chemists (AOAC). O teor de carboidratos totais foi calculado por diferença. O teor total de flavonoides e carotenoides dos vegetais frescos foram analisados por métodos espectrométricos. Os extratos brutos das partes comestíveis foram obtidos por percolação a frio. Estes extratos foram usados para avaliação da capacidade antioxidante total pela captura do radical livre DPPH (2,2-difenil-1-picril-hidrazil). A rutina foi usada como padrão. O teor percentual de umidade das espécies O.cordata, X. aromatica e M. aureana (casca e polpa) foi de, respectivamente, 86,16±0,4, 82,4±1,3, 81,34±0,66 e 86,54±1,1; cinzas, 1,15±0,04; 0,71±0,08, 0,59±0,01, 1,023±0,04; proteínas, 2,54±0,2, 1,74±0,04, 1,65±0,38, 0,88±0,2; extrato etéreo, 1,4±0,04, 4,35±0,2, 0,19±0,01, 0,107±0,003; carboidratos totais, 8,74±1,04, 8,99± 0,98, 16,22±0,89, 11,45±1,3. O teor de carotenoides encontrados em base úmida, foi maior na M. aureana casca (9,2±0,7 mcg/g), seguido da O. cordata (7,5±0,3 mcg/g), X.aromatica (2,36±1,65 mcg/g) e M. aureana polpa (0,5±0,005 mcg/g). Em relação aos flavonoides foram encontrados os seguintes valores em ordem crescente: O. cordata (4,5± 0,09 mg/g), M. aureana casca (1,1±0,1 mg/g) e M. aureana polpa (0,3±0,002 mg/g), X.aromatica (0,22±0,1 mg/g). Os valores de IC50 obtidos para o extrato bruto das cascas dos frutos de M. aureana, folhas de O. cordata, frutos de X. aromatica e polpa de M. aureana foram, respectivamente, 50,4±0,8, 366,7±15,27, 475,34±10,4 e 581,±20,6 mcg/ml. O IC50 do padrão de rutina foi de 3,15±0,4 mcg/ml. A casca da M. aureana apresentou maior atividade antioxidante e maior teor de carotenoides. Todas as espécies estudas apresentaram teores de macronutrientes, substâncias bioativas similares a outros alimentos comumente usados na alimentação brasileira. As plantas nativas brasileiras devem ser mais estudadas quimicamente e submetidas a estudos laboratoriais para verificar seu potencial como fonte de nutrientes e compostos bioativos. Os resultados encontrados mostram o potencial destas espécies como alimentos funcionais.
Referências bibliográficas:
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