Isabella, td bem? Nem sei se é esse o tom esperado por essa caixa de comentários... mas vamos lá! Sou Mariana, curso o doutorado em Antropologia Social e realizo pesquisa junto a agricultores e agricultoras em um assentamento agroecológico e foi por conta disso que me aloquei como avaliadora do seu trabalho. Ou seja, de arte contemporânea, não entendo nada, mas estou interessada nessas articulações com alimentos...Uma primeira questão que te colocaria é que me chamou atenção que o título do seu trabalho não aponta para o fato de vc própria ter relacionado as análises das obras indicadas a um experimento artístico de sua autoria. Isso aparece no texto, mas por que não no título? Ainda sobre alguns detalhes, fiquei curiosa pra saber o que são "derivas" e também se "agroflorestal" e "agroecológico" são sinônimos para a obra em questão. De modo mais geral, te provocaria a pensar que noção de "natureza" emerge dessas obras e como esse conceito se relaciona com a noção de natureza que aparece em outras obras/momentos da arte (tô aqui pensando nas "naturezas mortas", por exemplo). Isto porque a comida bagunça bastante essa fronteira entre o que a gente consideraria "natural", como algo pra fora do domínio humano, e algo que a gente considera "cultural", "social", "político", etc... Por fim, acho que aprofundar, no futuro, na reflexão/ação sobre o encontro entre arte e ativismo pode ser interessante. Parabéns pelo trabalho!! Ps: imagino que vc conheça, mas seu trabalho me remeteu à obra "Trair a espécie", de Cristiano Lenhardt, apresentada na mesma 32ª bienal. Já a obra "O pão nosso de cada dia", de Marcos Dutra, que está em exibição na exposição sobre Carolina Maria de Jesus, me remeteu à sua da focaccia, só que por contraste.