Boa tarde, Caique! Adorei o seu trabalho. O tema CACD me é bastante caro, uma vez que já carreguei (e ainda carrego) a ambição da carreira diplomática. O resumo do seu trabalho deixa bastante claro as mudanças ocorridas na prova, a partir de 2003, início do governo Lula, com o fim da cobrança de temas ligados à literatura, música clássica, etc. A erudição nestas áreas realmente privilegiava uma determinada elite detentora desta herança cultural. Porém, estamos longe de um processo de democratização da prova. Os conteúdos cobrados agora, ainda privilegiam a mesma elite, visto que, desde sempre, os seus membros foram e são preparados nas melhores escolas, com os melhores professores de cada área de conhecimento. Ainda o acesso aos dispendiosos cursos preparatórios contribuem para o engessamento estrutural, corroborando para que a maioria dos classificados nos concursos, mesmo pós 2003, ainda sejam membros destas elites. Acredito que, de mais relevante nesta transição, foi a criação das cotas para candidatos afrodescendentes . Ademais, a ampliação de embaixadas e o aumento no número de vagas, proporcionado em um ano específico do governo Lula (o qual não me recordo, mas que houve a aprovação de cerca de 100 candidatos) também atenuaram, momentaneamente, a desvantagem histórica de acesso dos candidatos que sejam membros das elites. Enfim, mesmo havendo uma mudança considerável na prova, entre os governos FHC, Lula e Dilma, a adaptação às elites ao novo modelo de cobrança não lhes impõe bloqueio. Pelo contrário, acho que, de certo modo, facilita-lhes a vida. Para eles, é como se o conteúdo a ser dedicado no processo de preparação ficasse menor, uma vez que os conteúdos que são hoje cobrados, também eram alvo de estudo entre 1995 e 2002. Eles somente não mais precisam se preocupar com a erudição nos campos artísticos e literários como outrora. Por outro lado, também temos menos conteúdo a ser estudado por parte daqueles que pertencem às demais classes sociais.
Que venha um novo governo! Com mais oferta de vagas, mais embaixadas, com cotas para indígenas, bonificação de pontos para estudantes de escolas públicas, dentre outros mecanismos que diminuam o abismo existente entre a elite e os cidadãos de outras classes, que também sonham e anseiam com a carreira diplomática e/ou outras carreiras de Estado.
Parabéns pelo trabalho!