Giovanna, olá.
Primeiramente, gostaria de parabeniza-la pela realização da pesquisa. Pesquisar em tempos tão complexos como o que estamos vivenciando englobam uma miríade de fatores desestabilizantes. Então, só o fato de você ter seguido pesquisando já é algo louvável.
Como sou um dos avaliadores deste trabalho, tecerei algumas considerações, sugestões e possíveis encaminhamentos futuros – caso seja do seu interesse dar continuidade a esta pesquisa.
Ao retomar aspectos do Teatro do Absurdo, os atualizando à contemporaneidade e buscando identificar como esta manifestação vem ocorrendo em território nacional, a pesquisadora demonstra maturidade para com a pesquisa e sua temática.
Sendo da área teatral, os nomes dos autores e os conceitos apresentados me são familiares, o que não impede ou dificulta a minha leitura. Todavia, caso esta pesquisa vá à publicação, sugiro que as relações entre Beckett, Ionesco, Adamov, Genet e Pinter sejam mais bem exploradas. No sentido de oferecer um anteparo estético-estilístico que corrobore às analises e comparações com as duas obras contemporâneas que compõem a pesquisa.
Este é, aliás, um ponto lacunar do seu trabalho escrito. Em nenhum momento, ao longo do texto (apenas nas referências), aparecem o nome dos artistas contemporâneos analisados, apenas o de suas obras. É importante que estes sejam não só mencionados nominalmente como localizados geograficamente. Quem são? Onde criam? Quais contextos de política pública e/ou privada os permitem criar suas obras? Estas são algumas das perguntas que me ocorrem, lendo e em contato com sua pesquisa. Ainda que citados na exposição oral, creio que seja importante que estas questões também aparecem no texto escrito, enriquecendo as discussões ali propostas e já balizando as pessoas que lhe ouvirão.
Para finalizar meus comentários, há um livro de um crítico de arte contemporânea que penso ser interessante para ti e para a pesquisa. Ele se chama “O que vem depois da Farsa? Arte e crítica em tempos de debacle”, de Hal Foster.
No mais, sigo à disposição para conversamos.
Grato.