Para citar este trabalho use um dos padrões abaixo:
O ALIMENTO COMO PROTAGONISTA EM OBRA PERFORMATIVA
Gabriel Pestana
UNICAMP
Agora você poderia compartilhar comigo suas dúvidas, observações e parabenizações
Crie um tópicoA pesquisa "O alimento como protagonista em obra performativa" tencionou o uso do alimento em obras de arte, construindo relações mais próximas e sinceras entre público e objeto artístico. O projeto se baseou no estudo da arte da performance e na análise de algumas obras, propostas por artistas nacionais e estrangeiras, nas quais a comida tem um papel central nas suas construções. Como desdobramento dos estudos teóricos foram desenvolvidos encontros online denominados "lanchamos", para que a potência da inserção do alimento em obra artística pudesse ser percebida na prática. Através desta pesquisa buscou-se a dimensão complexa do ato de alimentar-se, para além do âmbito da sobrevivência da nossa espécie: a comunhão como algo que constitui a nossa sobrevivência enquanto ser relacional.
Apoio/Financiamento da Pesquisa: SAE/UNICAMP
GUSTAVO AUGUSTO MOREIRA
Parabéns Gabs, o resultado final da pesquisa ficou excelente e achei super elucidativos. Tendo participado do encontro agora vejo com outros olhos toda a relação com a comida no encontro e compreendo mais da sua intenção e percepção no ato. Acho muito interessante você ter se voltado a arte performática acerca da fruta, um alimento banal, que se encontra enraizado na dimensão do nosso cotidiano, ao mesmo tempo que também se distancia da nossa percepção sobre a natureza, uma vez que nos distanciamos da origem dos alimentos. Interessante também centrar o olhar sobre a alimentação e a arte nela incumbida num momento que o Brasil adentra, novamente, o mapa da fome e a quantidade de pessoas sem se alimentar aumenta, de forma que mais se encontram privados desse habito artístico do cotidiano. Amei o vídeo e a pesquisa, obrigado por me deixar e incentivar a participar do trabalho.
Isabella Carvalho Goncalves
Gabriel,
que interessante de saber que nossos eixos de pesquisa se cruzam, em minha IC, também pesquisei a comida como dispositivo para a criação!
Gabriel Pestana
Isabela!!! Nossas pesquisas se cruzam demais!!! Adorei conhecer o seu trabalho! Viva a comida nas artes!
ANA LUIZA ALMEIDA DE MARIA
Gabriel,que apresentação sensacional!!! O tema escolhido, a fala e apresentação dos resultados me prenderam a atenção de um jeito que eu poderia ficar horas ouvindo mais sobre isso. Como estudante de engenharia de alimentos, qualquer coisa relacionada com o alimento em si me encanta, e com a sua pesquisa não foi diferente. Acho mágico como o ato de comer une as pessoas de uma forma única, criando relações e promovendo sentimentos diversos e o "lanchamos" mostrou que isso continua ocorrendo mesmo sem a proximidade física. Meus parabéns pela pesquisa, pelo desenvolvimento do projeto e pela apresentação. E parabéns por nos mostrar que até as coisas mais básicas do nosso cotidiano, como a nossa alimentação, podem se tornar grandes atos artísticos.
Gabriel Pestana
Ana, que delicia ler isso! Fico muito feliz que você tenha se interessado pela pesquisa. É realmente mágico que o alimento seja esse elemento tão encantador pelos aspectos físicos e orgânicos e também pelas tantas simbologias e significados atrelados a ele. Realizar esse projeto e sentir na prática o despertar dos nossos sentidos e das nossas afetividades a partir da comida foi muito gostoso (literalmente!). Eu penso que a arte, até a feita virtualmente, está no mundo justamente para revelar e traduzir as coisas mais básicas do nosso cotidiano enquanto ações estéticas, poéticas, políticas e históricas.
Pretendo continuar pesquisando essa temática e possivelmente continuar desenvolvendo essa ação online e, caso você se interesse, fica o convite para você participar de um próximo encontro <3
SAMUEL BIANO JACUNDINO
Muito interessante essa experimentação, fiquei realmente instigado a saber das outras possibilidades para performance no contexto cotidiano fora da pandemia, em arte o mais próximo do alimento como protagonista que posso me lembrar são as obras estáticas de Giuseppe. Explorar a relação sócio-antropológica da alimentação e a comensalidade traz perspectivas muito interessantes. Pensando ainda num mundo cada vez mais "fast food" o deslocamento do alimento para um contexto artístico abre margem para outras interpretações para além do que a alimentação vem se tornando, ao mesmo tempo na contra mão deste pensamento acredito que num contexto de retorno ao mapa da fome o alimento como protagonista de performance pode ser um ponto crítico para se pensar o momento caótico que vivemos. Enfim, gostei muito do projeto e mesmo sem entender aspectos técnicos de arte e performance me conectei muito com a proposta, meus sinceros parabéns!
Samuel
Gabriel Pestana
Oi Samuel. Que gostoso ler o seu comentário! Tentei muito ao longo da pesquisa e também no desenvolvimento dessas ações online sempre estar nesse limite entre a estética e a critica. É realmente muito triste ver o nosso país voltando a ser um exemplo de miséria e fome e eu gostaria de expandir esse trabalho para a rua, fora da pandemia como você falou, para que eu possa dialogar mais diretamente com as pessoas e com as realidades brasileiras. Por fim, fico muito feliz que essa proposta artística tenha o atingido de alguma forma e agradeço demais o seu comentário.
Shay Soares
Oi Gabriel!
Primeiro, gostaria de te parabenizar pela pesquisa, tem um tema delicioso!
Também, gostaria que tu comentasse, por gentileza, quais foram as modificações que tu fizeste na condução dos encontros, por que tu percebeste a necessidade dessas modificações e quais foram as respostas em relação a essas mudanças?
Também, gostaria que tu comentasse um pouco sobre a ideia de vendar as pessoas enquanto comem. Se a tua proposta é a comunhão das pessoas pela comida, não permitir que elas se vejam não vai contra a tua proposta? Também, em relação à comunhão, a escolha de frutas que se come uma ou, no máximo, 2 (diferente de uvas, por exemplo), não fazia que esse ritual de comer junto se encerrasse muito cedo? Isso não transformava a comida só em um disparador para a conversa?
O que tu percebe de diferente entre esse encontro frutal e um encontro no bar/piquenique, em que comida/bebida mediam a conversa? O que, esteticamente falando, tu percebe de diferença?
Em relação aos experimentos na rua, o encontro/comunhão já não eram enfoque nesse momento? Porque as pessoas pareciam comer isoladamente, parecia mais um enfoque visual de "estar comendo no lugar errado" do que a criação de um ritual coletivo. Era nesse sentido que ia a proposta nesse momento?
aguardo :)
Gabriel Pestana
Oi Shay, ótimas perguntas! As mudanças na condução dos encontros foram várias. Primeiramente foram mudanças pessoais pois a partir do fazer e do avaliar a ação eu fui me sentindo mais a vontade, sem tanto nervosismo, em propor os encontros. Além disso, planejei mudanças na própria estrutura dos encontros propondo trocar a fruta degustada, criando três ações com a banana, três com a maçã, cinco com a manga e duas chamadas "salada de frutas", nas quais os participantes poderiam escolher a fruta que quisessem manusear e ingerir. Essas mudanças permitiram encontros muito singulares entre os degustadores, incluindo eu, e a materialidade e as simbologias de cada fruta diferente. Fiz mudanças também adicionando outros elementos aos encontros como uma venda nos olhos, um poema e a prática Mindful Eating (que com o passar dos encontros pude treinar). Todas as mudanças visaram a constante renovação do "lanchamos", para que a ação fosse sempre viva e que cada experiencia fosse sempre única.
A ideia de vendar os olhos das pessoas nos encontros "lanchamos maçãs" partiu da vontade de impedir o uso da visão para aguçar o uso do tato, olfato, paladar e audição na sensibilização da fruta degustada, aguçando percepções diferentes nesse ambiente de comunhão, uma vez que os microfones dos participantes ficavam ligados durante a refeição. A comunhão na ação é construída pela presença de todos no meio virtual degustando o alimento frugal e conversando. Por isso acredito que uma proposta não vá na contra-mão da outra.
O tempo de degustação da fruta era controlado por mim em comum acordo com todos os participantes e girava em torno de 8 minutos. Acredito, porém, que o "comer junto" não se limita ao momento de saborear a fruta, mas é a base de todo o encontro de aproximadamente 75 minutos. A conversa, a historia narrada e os rituais compartilhados são o "comer junto".
O "lanchamos" buscou uma tradução artística dos atos alimentares do cotidiano e por isso a sua similaridade com bar/piquenique/restaurante. Acredito que o que os diferencia esteticamente é o ambiente onde estão, essa oposição virtual-presencial, e também o singularidade do alimento degustado na ação online. A beleza está na multiplicidade dos espaços pessoais restritos a pequenos retângulos e da cor viva das frutas.
Com relação ao "lanchamos na rua", era uma vontade minha criar uma espaço presencial de comensalidade com os moradores de Campinas, porém era preciso respeitar certas restrições sanitárias devido ao coronavirus que me impediam de ficar muito próximo das pessoas ou sugerir aglomerações ao redor da mesa de frutas. Mesmo assim, o que me moveu nessa ação foi a frase "Comer e compartilhar frutas" e foi possível fazer isso de forma segura. As frutas foram embaladas em plástico filme para que eu pudesse higieniza-las antes de entrega-las para as pessoas que se aproximaram da mesa. Desta forma, muitas conversas breves habitaram aquele espaço e o encontro/comunhão se estabeleceu e se dissolveu e se estabeleceu novamente diversas vezes.
Agradeço as perguntas e o interesse pelo trabalho!
Shay Soares
Obrigada pela resposta!
Victor Isidro Lopes
Gabriel, tua pesquisa é preciosa. Me encanta a maneira que você juntou diversas pessoas a partir do alimento e da prática "Lanchamos". Num momento tão caótico, foi maravilhoso poder participar da tua proposição e valorizar o simples ato de comer junto, mesmo que à distância. Acredito muito num trabalho como esse, que nos lembra que podemos sentir. De forma leve, você jogou com a sensorialidade, provocando e ampliando afetos, sentimentos, sensações, emoções, memórias, etc. Vida longa à tua pesquisa! Um beijo.
Gabriel Pestana
Oi Victor, que delicia ler o seu comentário!! Agradeço muito pelo seu interesse pela pesquisa e por ter participado dos encontros "lanchamos". Vida longa a minha e a sua pesquisas. Beijos.
Julia Baker
Olá Gabriel,
Parabéns pela pesquisa e por proporcionar esses encontros performáticos descontraídos durante um momento grave da pandemia. Achei a ideia de comer pela tela, compartilhando a experiência, bem interessante.
A partir das imagens mostradas, fiquei com uma dúvida. A cada encontro, você propunha o degustar de maneira diferente? Pergunto pois vi imagens em que as pessoas comem com vendas e outros em que estão com os olhos abertos.
Também fiquei curiosa em saber se o encontro começava e terminava no ato do comer (cada um podia terminar em seu próprio tempo, quando terminassem de comer deviam sai da chamada?) ou se as pessoas continuavam na chamada para conversar.
Obrigada,
Julia
Gabriel Pestana
Oi Julia! Primeiramente agradeço o seu comentário. Respondendo as suas perguntas, esse encontro "lanchamos" foi feito 13 vezes no total (3 com a banana, 3 com a maçã, 5 com a manga e 2 que eu chamei de "salada de frutas", no qual as pessoas poderiam trazer a fruta que quisessem para o encontro). A cada fruta proposta eu alterava a minha maneira de conduzir o encontro, explico: os "lanchamos bananas" foram os primeiros propostos e todos comiam de olhos abertos. Para o "lanchamos maçãs", que veio na sequencia, eu quis propor uma degustação na qual as pessoas focassem a sua atenção nos 4 sentidos humanos, excluindo a visão, e por isso propus o uso da venda nos olhos. Já para os encontros com a manga e os "salada de frutas" eu me aprofundei no estudo do Mindful Eating, que é uma prática de atenção plena ao momento da degustação, que alterou a forma de conduzir o saboreio da fruta.
O encontro era baseado na degustação da fruta e na interação entre as pessoas presentes. Sendo assim, quando todos entravam na conversa era feita primeiro uma roda de apresentação, para que todos se conhecessem um pouco, e depois comíamos a fruta, todos ao mesmo tempo. Depois da degustação eu propunha alguns jogos para estimular a partilha de memórias, historias, receitas... tudo o que os participantes/degustadores quisessem compartilhar a respeito da fruta. Assim, a partir da materialidade da fruta eram construídos espaços de muito afeto entre as pessoas. <3
Com ~200 mil publicações revisadas por pesquisadores do mundo todo, o Galoá impulsiona cientistas na descoberta de pesquisas de ponta por meio de nossa plataforma indexada.
Confira nossos produtos e como podemos ajudá-lo a dar mais alcance para sua pesquisa:
Esse proceedings é identificado por um DOI , para usar em citações ou referências bibliográficas. Atenção: este não é um DOI para o jornal e, como tal, não pode ser usado em Lattes para identificar um trabalho específico.
Verifique o link "Como citar" na página do trabalho, para ver como citar corretamente o artigo
Gabriel Pestana
Gus, muito obrigado! Foi muito gostoso realizar essa pesquisa e agradeço demais a sua participação no "lanchamos", fico muito feliz que isso tenha acontecido. O meu interesse pelo uso do alimento em obras de arte já vem de tempo atras, como você sabe, e é muito surpreendente ver como a comida sempre se mostra disparadora de muito afeto, independente da linguagem artística escolhida. É magico! hehe
Obrigado mais uma vez!