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Os alimentos com alegação funcional ou de saúde fazem parte de uma concepção diferente de alimentos e seus potenciais benefícios à saúde vêm atraindo a atenção da indústria de alimentos e dos consumidores. Em relação à comercialização desses produtos alimentícios, houve um aumento significativo nos últimos anos do comércio eletrônico, adicionalmente, pesquisas mostram alto investimento realizado pelas indústrias alimentícias relacionado ao marketing e propaganda, sendo facilmente realizadas falsas alegações que podem ocasionalmente ludibriar os consumidores. Diante da crescente comercialização pela internet de produtos alimentícios com potencial funcional e dos escassos trabalhos de pesquisa nessa área, o presente trabalho teve como objetivo avaliar anúncios desse grupo de alimentos divulgados em sites de vendas brasileiros, e sua conformidade com as legislações brasileiras referentes à rotulagem e alegações estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Coletaram-se dados de 117 propagandas de produtos comercializados em 64 sites de vendas online brasileiros, no período março a junho de 2017. Os resultados obtidos mostraram que apenas 24% das propagandas mostraram-se em total consonância com as alegações estabelecidas pela ANVISA, enquanto 76% apresentaram um ou mais tipos de não conformidade, inclusive com veiculação de frases que aludem à cura de diversas doenças incluindo câncer, entre outras doenças, podendo impactar negativamente na saúde da população. Do total, cerca de 80% das propagandas não apresentavam as advertências exigidas para requisitos específicos de cada classe de alimento com alegação funcional e aproximadamente 50% não disponibilizava tabela nutricional. Com os dados, verifica-se que a maioria dos sites veiculam anúncios irregulares e irresponsáveis, não atendendo às especificações e alegações impostas pela ANVISA, o que mostra a necessidade urgente de um programa de monitoramento efetivo das propagandas pelos órgãos de fiscalização, para que o consumidor possa ser protegido da ação de empresas sem ética e compromisso com a saúde da população brasileira.