AVALIAÇÃO DE ALIMENTOS PROCESSADOS CONTENDO INGREDIENTES TRANSGÊNICOS
A produção de alimentos modificados geneticamente vem gerando discussões sobre sua expansão, além de questões relacionadas à saúde humana. A implantação de culturas transgênicas proporciona melhoramento das características do produto, todavia, estudos sobre os riscos que podem trazer à saúde e ao meio ambiente ainda são inconclusivos e não consensuais na literatura, gerando insegurança na aquisição e consumo pela população. O presente estudo teve como objetivo analisar a frequência dos alimentos contendo ingredientes transgênicos disponíveis comercialmente nos supermercados da cidade de Teresina-PI, sendo adicionalmente analisados aspectos relacionados à rotulagem conforme a legislação pertinente. Os dados foram coletados em cinco grandes redes de supermercados, no mês de maio de 2017. Os produtos foram divididos por classes e analisados quanto à presença ou não de símbolo representativo de transgênicos nos rótulos, obrigatório pela legislação. Adicionalmente, foram analisados os ingredientes presentes nos produtos rotulados como transgênicos, bem como a presença desses mesmos ingredientes em produtos nos quais não havia declaração de transgênicos pelas marcas. Examinaram-se as marcas de 29 produtos, em 10,3% todas as marcas utilizam ingredientes transgênicos, em 17,2% nenhuma marca usou transgênicos e em 51,7% a maioria das marcas emprega ingredientes transgênicos. Os ingredientes encontrados nos produtos transgênicos são derivados de soja e milho, porém, foram encontrados os mesmos ingredientes/derivados em produtos declarados como sendo não transgênicos. Vale ressaltar que, as culturas de soja transgênica corresponderam, em 2016, a 96,48% da produção total nacional e as culturas de milho transgênico a 88,41% da produção, indicando a possibilidade de uma parte das indústrias estar omitindo a informação de produto transgênico em seus rótulos. Assim, apesar da legislação atribuir normas para rotulagem de produtos transgênicos, é preciso fiscalizar efetivamente o cumprimento dessas leis, para oferecer alimentos com maior qualidade, segurança e veracidade nas informações, possibilitando ao consumidor uma aquisição consciente dos produtos alimentícios.