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Inervação da asa de morcegos filostomídeos (Chiroptera, Phyllostomidae)
Karen dos Santos Toledo
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Agora você poderia compartilhar comigo suas dúvidas, observações e parabenizações
Crie um tópicoResponsável pela inervação sensitiva e motora dos membros craniais em vertebrados, o plexo braquial deve desempenhar importante papel no controle da velocidade do voo, já que este depende da participação de fibras nervosas da asa. Morcegos são os únicos mamíferos com capacidade de voo ativo, destacando-se ainda pela diversidade de seus hábitos alimentares, notadamente Phyllostomidae, família modelo para estudos de evolução morfológica. No presente estudo descrevemos os nervos do plexo braquial responsáveis pela inervação das asas em Artibeus lituratus, Phyllostomus hastatus, Desmodus rotundus e Glossophaga soricina, espécies de hábitos frugívoros, hematófagos e nectarívoros, respectivamente. Foram dissecados 22 machos adultos, incluindo 5 A. lituratus, 5 D. rotundus, 5 P. hastatus e 7 G. soricina. Para localização da origem dos nervos, esses espécimes foram dissecados ventralmente e acompanhados até as membranas das asas. Nas quatro espécies, as asas foram inervadas pelos mesmos nervos, embora as origens destes no plexo braquial tenham diferido. O propatagium recebeu contribuição do nervus radialis, se distribuindo na região rente ao antebraço. O plagiopatagium foi inervado principalmente pelo nervus cutaneus antebrachii caudalis, enquanto o dactilopatagium recebeu fibras nervosas tanto do nervus medianus quanto do nervus ulnaris. Os dois últimos ainda inervaram o plagiopatagium próximo ao quinto dígito e o n. radialis se juntou a esses para suprir a membrana sobre o segundo dígito. A similaridade nas espécies descritas sugere um padrão de inervação para filostomídeos que difere do observado em Rhinolophus cornutus e Miniopterus fuliginosus, morcegos insetívoros pertencentes às família Rhinolophidae e Vespertilionidae, respectivamente.
Nathália Siqueira Veríssimo Louzada
Olá Karen, parabéns pelo trabalho, muito interessante e inovador!
Fiquei com duvida em relação às vértebras cervicais. Você menciona que alguns nervos do plexus brachialis se originam na C8, mas alguns trabalhos que abordam vértebras em Phyllostomidae (ex. Gaudioso et al. 2017) mostram a presença de até sete vértebras cervicais (atlas, axis, C3-C7). Você encontrou oito vértebras cervicais nessas espécies?
Tenho também algumas curiosidades em relação a dissecção dos espécimes - você utilizou espécimes "frescos" ou que estavam acondicionados em meio líquido? Você poderia dar mais detalhes sobre a dissecção - onde foi feita a incisão? o acesso aos nervos foi pela região ventral? Quais foram as maiores dificuldades encontradas no seu estudo?
Parabéns mais uma vez, desejo sucesso no projeto!
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Karen dos Santos Toledo
Olá, Nathália! Fico feliz que tenha gostado do trabalho, muito obrigada!
Não encontramos mais uma vértebra cervical, essa numeração se refere ao nervo espinhal em si. Há oito pares de nervos espinhais cervicais: o primeiro se encontra acima do atlas, o segundo acima do axis e o sétimo par (C7) se encontra acima da sétima vertebra cervical (VC7). Abaixo dela e acima da primeira vértebra torácica (VT1) há outro nervo, sendo esse o oitavo nervo espinhal cervical (C8). O primeiro nervo espinhal torácico (T1) começa abaixo da primeira vértebra torácica e assim por diante.
Todos os espécimes foram da coleção em álcool. Sim, o acesso foi pela região ventral. Retiramos a pele, fomos separando os músculos na sua inserção até chegar a caixa torácica. Cortamos as costelas e a clavícula (bem rente a articulação com o esterno, porque há um nervo ali) com um alicate, retiramos pulmão, coração, traqueia e esôfago, deixando livre para poder visualizar as vértebras e as origens dos nervos. Depois limpamos os nervos com uma pinça histológica, que é mais delicada, separando-os e, assim, podendo acompanhar para as regiões de inervação. Como não utilizamos reagentes para visualizar os nervos nas membranas, tivemos que, com cuidado, separa as duas camadas a partir da região onde o nervo adentrava.
Olha, acredito que a maior dificuldade seja a literatura escassa, pois dificultou entender mais sobre o que encontramos nos filostomídeos. Além disso, por ser uma dissecção mais demorada, somos obrigados a ter um número amostral pequeno, o que também nos limita em levantar hipóteses.
Muito obrigada novamente!
Nathália Siqueira Veríssimo Louzada
Olá, Karen! Muito obrigada pelas respostas! Entendi, então a abreviação da nomenclatura usada para o nervo em si também é "C" seguida de um número, nesse caso C8. Como vejo a nomenclatura de vértebras usando essa abreviação também (C1-C7) acabei ficando com a duvida. Obrigada pelos esclarecimentos e pelo detalhamento da metodologia! Muito interessante, o que vocês fazem com os espécimes após esse procedimento? É muito difícil fazer essa separação do patágio para expor os nervos? A escassez de literatura em algumas áreas é realmente um fator que dificulta o entendimento, se eu encontrar alguma nessa área compartilho com você. Quanto tempo +- dura a dissecção de um espécime? Obrigada e sucesso no desenvolvimento do projeto!