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I. Introdução Pesquisas têm evidenciado o papel crucial do desenvolvimento de competências autorregulatórias que levem o estudante a tomar consciência e ter controle sobre os processos que favorecem a sua aprendizagem (Frison, Boruchovitch, 2020; Zimmerman, 2013). A eficácia e efetividade de programas que promovem o desenvolvimento dessas competências têm sido amplamente constatadas (Theobald, 2021). Na literatura nacional, esses programas são ainda incipientes (Ganda; Boruchovitch, 2019), especialmente em abordagens em larga escala e totalmente on-line. Assim, este trabalho objetivou apresentar o desenvolvimento da plataforma APRENDIZagem, projetada com o intuito de estimular os processos de autorregulação da aprendizagem dos estudantes universitários. II. Método A metodologia utilizada para o desenvolvimento da plataforma APRENDIZagem, consistiu em quatro etapas. Na primeira etapa, fez-se o levantamento do perfil autorregulatório dos estudantes ingressantes de uma universidade pública brasileira, a fim de entender os processos autorregulatórios que esses estudantes apresentam fragilidade. A segunda etapa consistiu numa intervenção presencial com cinco turmas de diferentes cursos, para subsidiar a criação, seleção e adaptação das atividades a serem incorporadas na plataforma. A terceira etapa, após concepção da plataforma, fez-se o levantamento da evidência de validade de conteúdo, com juízes especialistas e usuários potenciais, para avaliar a pertinência do conteúdo desenvolvido na plataforma e para realizar ajustes que poderiam aperfeiçoá-la. Por fim, avaliou-se a eficácia da plataforma por meio de um estudo quase-experimental em duas universidades públicas brasileiras. III. Resultado e Discussão As duas primeiras etapas serviram de suporte para o desenvolvimento da plataforma APRENDIZagem: como aprender na universidade, uma ferramenta tecnológica on-line e gratuita destinada a desenvolver e fortalecer os processos de autorregulação da aprendizagem dos estudantes universitários. A plataforma está dividida em cinco módulos – apresentação, faze de antecipação, fase de execução e fase de autorreflexão e avaliação geral – e contempla diferentes estratégias de autorregulação da aprendizagem como definição de objetivos, pedir ajuda, gestão da atenção, gestão emocional da ansiedade, rever o que foi feito, autoteste, avaliação do processo/monitoramento do estudo e gestão do tempo. Os resultados da evidência de validade do conteúdo indicaram valores médios aceitáveis quanto à clareza, coerência e relevância do conteúdo apresentado. Quanto à eficácia, não se obteve resultados consistentes que pudessem atestar, estatisticamente, os ganhos proporcionados pela plataforma para o grupo experimental. IV. Considerações Considera-se que a plataforma apresenta grande potencial para desenvolver os processos autorregulatórios dos estudantes do Ensino Superior, contribuindo para o avanço do conhecimento das pesquisas sobre programas on-line de promoção da autorregulação da aprendizagem. Todavia, outros estudos devem ser realizados para avaliar a sua eficácia. V. Referências principais FRISON, L. M. B., BORUCHOVITCH, E. Autorregulação da aprendizagem. Cenários, desafios, perspectivas para o contexto educativo. Petrópolis: Editora Vozes, 2020, 301p. GANDA, D. R.; BORUCHOVITCH, E. Intervenção em autorregulação da aprendizagem com alunos do ensino superior: análise da produção científica. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, v. 10, n. 3, p. 03-25, 2019. THEOBALD, M. Self-regulated learning training programs enhance university students’ academic performance, self-regulated learning strategies, and motivation: A meta-analysis. Contemporary Educational Psychology, v. 66, n. 101976, p. 1-19. jul. 2021. ZIMMERMAN, B. J.;. From cognitive modeling to self-regulation: a social cognitive career path. Educational Psychologist, v.48, n.3, p.135-147, 2013.
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