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A assimetria de gêneros é, conforme Brandão (2007), uma das continuidades estruturais que perpetuam desigualdades entre homens e mulheres, nas diversas esferas da vida social, o que revela reminiscências de um sistema patriarcal. Apesar de algumas conquistas alcançadas pelas mulheres, estudos mostram que, em escala mundial, elas continuam sofrendo diversas formas de violência. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 35% das mulheres em todo o mundo já sofreram com a violência física e/ou sexual. No Brasil, em 2016, 29% de mulheres relataram terem sofrido algum tipo de violência, seja física ou verbal; e 40% relataram que foram vítimas de assédio, segundo pesquisa Datafolha (AGÊNCIA PATRÍCIA GALVÃO, 2017). Alguns agressores justificam a gravidade de seus discursos e/ou ações valendo-se de mecanismos de desengajamento moral (DM) (BANDURA, 2015). Existem oito mecanismos de DM elaborados por Bandura: justificativa moral; linguagem eufemística; comparação vantajosa; minimização, ignorância ou distorção das consequências; deslocamento de responsabilidade; difusão de responsabilidade; desumanização; atribuição de culpa à vítima. Em casos de assédio sexual, é comum que agressores aleguem terem sido provocados pelas vítimas: "mulher que sai com roupa curta merece que mexam com ela mesmo". O DM é compreendido como um processo autorregulatório em que o indivíduo descola-se de seus padrões morais para cometer uma ação prejudicial e, na intenção de livrar-se de culpa, usa mecanismos específicos para se justificar. Partindo do pressuposto de que a escola pode ser um lócus profícuo para potencializar processos de autorregulação moral dos alunos, o que passa inicialmente pelo desenvolvimento de habilidades de auto-observação em relação aos comportamentos dirigidos ao outro, pelo julgamento desse comportamento, pela decisão intencional de passar por uma mudança autodirecionada, foi desenvolvido, no contexto de uma pesquisa de mestrado profissional, um material didático em espanhol e português que buscou suscitar reflexões sobre o DM cometido contra as mulheres. Neste trabalho, tem-se como objetivo comunicar os resultados alcançados na referida investigação, de forma a promover um espaço de locução entre os pares. Trata-se de uma pesquisa-ação de cunho qualitativo, cujos instrumentos de coleta de dados foram: portfólio autorregulatório e tarefas realizadas por cinco professoras de espanhol da rede pública de ensino, que participaram de um curso de extensão sobre as contribuições da Teoria Social Cognitiva para a prática pedagógica. Os dados provenientes desses instrumentos, analisados pela técnica de análise de conteúdo, indicaram que o material didático tem o potencial de promover processos de autorregulação moral tanto em relação à temática da violência contra a mulher como em relação a outros temas de urgência social, legitimando a importância de a escola fomentar o desenvolvimento da humanização e a empatia nas interações sociais.
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