Consumo alimentar e composição corporal em pessoas com Doença Inflamatória Intestinal

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Detalhes
  • Tipo de apresentação: Trabalho Original
  • Eixo temático: 2. Multidisciplinar
  • Palavras chaves: Doença de Crohn; retocolite ulcerativa; Consumo alimentar; Composição Corporal;
  • 1 Universidade Federal da Bahia
  • 2 Unijorge
  • 3 Universidade do Estado da Bahia

Consumo alimentar e composição corporal em pessoas com Doença Inflamatória Intestinal

Geisa de Jesus Santos

Universidade Federal da Bahia

Resumo

Pacientes com Doença Inflamatória Intestinal (DII), principalmente na fase ativa, podem cursar com perda ponderal importante, havendo redução progressiva da gordura corporal e maior depleção de massa muscular. Uma das principais causas é a redução do consumo dietético por restrições alimentares autoimpostas e sintomas gastrointestinais. Há escassez de estudos que relacionem o consumo com a composição corporal nesta população, o que reforça a importância de pesquisas sobre a temática. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar se existe relação entre o consumo alimentar e a composição corporal em pacientes com DII. Estudo transversal realizado em dois ambulatórios de referência em DII. Pacientes com DII e idade superior a 18 anos foram incluídos. As medidas de peso, altura e Circunferência da Cintura (CC) foram realizadas conforme técnicas padronizadas. O Índice de Massa Corporal (IMC) foi calculado. A composição corporal foi avaliada pela absormetria de raio-X de dupla energia. A avaliação do consumo foi realizada por dois recordatórios de 24 horas e o Software “DietWin”. O coeficiente de correlação de Spearman foi empregado para avaliação da relação e o nível de significância foi fixado em p < 0,05. A amostra foi dividida em três grupos: RCU (n = 68), DC (n = 60) e controle (n = 66). A idade mediana variou de 36,5 a 39,0 anos e a maioria era do sexo feminino, sem diferença estatística (P>0,05). Somente no grupo controle, o consumo de calorias, proteínas, carboidratos e lipídios correlacionou-se negativamente com o IMC (r= -0,395; r= -0,251; r= -0,373; r= -0,403, p<0,05) e a Massa Gorda (MG) (r= -0,427; r= -0,413; r= -0,380; r= -0,321, p<0,05); e a ingestão de carboidratos também apresentou relação negativa com a CC (r= -0,301, p=0,019). A Massa Magra (MM) apresentou correlação positiva com o consumo de calorias e proteínas no grupo controle (r=0,298, p=0,015; r=0,300, p=0,015) e com a ingestão de proteínas e carboidratos nos pacientes com RCU (r=0,270, p=0,027; r=0,256, p=0,037) e DC (r=0,492, p=0,000; r=0,346, p=0,015). Contraditoriamente, pessoas saudáveis com menor consumo alimentar apresentaram maiores valores de composição corporal e IMC, o que pode estar associado à omissão de informações pelo menor vínculo com a equipe de saúde. Apesar disso, corroborando com as evidências, indivíduos com menor consumo proteico exibiram diminuição da MM, independente da presença da doença. Diante destes resultados, avaliação e acompanhamento nutricional com orientação para uma adequada ingestão de proteínas deve fazer parte do manejo de pacientes com DII.

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