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Acompanhamento nutricional ambulatorial em paciente com doença de Crohn pós cirúrgico.
Karina Nascimento da Silva
Universidade Federal de São Paulo
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Crie um tópicoIntrodução: A doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal transmural que pode acometer qualquer parte do trato gastrintestinal, especialmente a área ileocecal1-3. Pode apresentar três padrões, fistulizante, estenosante ou inflamatório, impactando negativamente no estado nutricional. A estenose em íleo contribui para que ocorra diarreia, náuseas, vômitos, perda de apetite e redução da absorção dos nutrientes4. Estes sintomas, associados ao aumento das necessidades nutricionais podem levar à desnutrição5. Sendo assim, a intervenção nutricional é imprescindível na adequação das necessidades, reposição de nutrientes e diminuição dos sintomas, favorecendo aumento da ingestão, tolerância e absorção6. Objetivo: Relatar a importância do acompanhamento nutricional em paciente com DC pós-cirúrgico. Relato do caso: Paciente P.C.M., sexo masculino, 59 anos, caminhoneiro, tabagista há 40 anos. Em 2019 iniciou com diarreia com muco e sangue, dor, distensão abdominal, náuseas, diminuição de apetite e emagrecimento de 15 kg em um ano. Em outubro de 2020, procurou o pronto atendimento com dor abdominal intensa com diagnóstico de abdome agudo perfurativo, realizou Laparotomia Exploradora + Enterectomia Segmentar 30 cm + Anastomose término-terminal + Apendicectomia + Drenagem de cavidade. Após o procedimento, recebeu diagnóstico de DC estenosante com acometimento de jejuno e íleo. Em janeiro 2021, iniciou acompanhamento médico ambulatorial com tratamento de Adalimumabe 40 mg 15/15d (3 meses) e posteriormente uso de Infliximabe (indução + manutenção), foi encaminhado à nutrição devido a diarreia (8 episódios/dia) e dúvidas quanto às restrições alimentares. Diagnóstico nutricional: desnutrição energético proteíca IMC 17,6 kg/m2, entre outros parâmetros. Foi prescrita dieta hipercalórica, hiperproteíca, com redução de fibras, corrigido fracionamento das refeições, hidratação e prescrito suplemento oral normocalórico, normoproteíco, com TGF-b2 por 4 semanas. Em 30 dias relatou redução do número de evacuações 3 episódios/dia, melhora de desconfortos e estado nutricional, atingindo eutrofia pelo IMC. Seguiu acompanhamento sem suplementação por mais 30 dias, mantendo o peso, referindo bom estado geral, disposição e ausência do medo de se alimentar. Discussão/Conclusão: A resposta inflamatória, ingestão oral inadequada, redução da absorção e necessidades nutricionais aumentadas, podem levar à desnutrição. A suplementação nutricional oral em complemento a dieta habitual é segura, bem tolerado8, o aumento da oferta de nutrientes em uma fase mais restrita pode auxiliar positivamente. Quando possível, a adequação da dieta por via oral deve ser priorizada, atingindo suas necessidades, além do aconselhamento para gradativa reintrodução alimentar conforme tolerância e evolução, contribuindo na recuperação ou manutenção do estado nutricional, melhora dos sintomas e contribuir na remissão da DC.
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