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Interação entre a microbiota e os miRNAs na Doença Inflamatória intestinal.
Ellen C.s. de Oliveira
Universidade Estadual de Campinas
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Create a topicIntrodução: A doença inflamatória intestinal (DII) inclui doença de Crohn (DC) e retocolite ulcerativa (RCU) e compreende um distúrbio crônico do trato gastrointestinal caracterizado por respostas imunes hiperativas e desreguladas relacionadas à fatores ambientais, incluindo microbiota intestinal e componentes dietéticos. Um desequilíbrio da microbiota intestinal pode contribuir para o desenvolvimento e/ou agravamento do processo inflamatório. Neste contexto os microRNAs (miRNAs), grupo de pequenas moléculas de RNA (18-24 nucleotídeos) não codificantes de fita simples que podem atuar como reguladores negativos potentes na expressão gênica, têm sido associados a vários processos fisiológicos, dentre eles desempenham importante papel nos processos inflamatórios, atuando na regulação das vias pró e anti-inflamatórias. Diante disso, tanto a microbiota intestinal como os microRNAs podem contribuir na caracterização e diferenciação da DC e da RCU.
Objetivo: Descrever a interação entre a microbiota intestinal e miRNAs na DII, para destacar descobertas recentes e perspectivas futuras no tratamento e/ou prevenção da DII.
Métodos: Foi realizada pesquisa eletrônica nas bases de dados do Pubmed e do Science Direct. As chaves de busca foram microbiota intestinal, Doença Inflamatória Intestinal, DII, microRNAs e miRNAs. Dentre os resultados obtidos 115 artigos foram selecionados para compor esta revisão narrativa.
Resultados e Discussão: Estudos evidenciam que determinados perfis de miRNAs podem representar uma ferramenta útil na diferenciação entre RCU e DC, além de seu potencial papel como marcador prognóstico em ambas as doenças. A relação entre miRNAs e a microbiota intestinal não está completamente elucidada, mas recentemente vem ganhando destaque e se tornando alvo de diversos estudos que demonstram o papel dos miRNAs na modulação da microbiota intestinal, como Fusobacterium nucleatum and Escherichia coli, e indução de disbiose; enquanto a microbiota, por sua vez, pode regular a expressão de miRNAs, como restaurar a expressão de miR-143 e reduzir a expressão de miR-150, e, consequentemente, alterar a homeostase intestinal.
Conclusão: A microbiota intestinal é importante na modulação e na prevenção e/ou tratamento da DII, bem como o papel de determinados miRNAs na prevenção ou evolução da doença. No entanto, sabe-se que a microbiota e os miRNAs apresentam ligação com a DII, mas poucos estudos descrevem como esta interação ocorre e quais seriam seus benefícios ou malefícios. Faz-se necessário um melhor entendimento da complexa interação entre a microbiota e os miRNAs envolvidos na patogênese da DII, para elucidar seu papel no diagnóstico e como alvos terapêuticos na prática clínica.
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