Avaliação do potencial antioxidante e estabilidade térmica dos extratos das cascas de soja amarela, marrom e preta
Coprodutos gerados a partir do processamento de alimentos, tais como as cascas de grãos, como a soja, destacam-se pelo alto teor de fibras e proteínas de alto valor biológico, além da presença de polifenóis, cujas concentrações variam significativamente de acordo com a cor do revestimento da semente, atingindo altos teores de flavonoides solúveis, como as isoflavonas e as proantocianidinas, catequinas e antocianinas, em películas mais escuras. Considerando-se o potencial antioxidante destes coprodutos naturais, o objetivo deste estudo foi obter extratos acetônicos e ácido/ acetônicos das cascas de soja amarela, marrom e preta, pela utilização de diferentes concentrações de solventes – acetona/ água (50:50, v/v), para a soja amarela (SA 50%); acetona/ água/ ácido acético (70:29.5:0.5, v/v/v), para soja marrom (SM) e preta (SP) e acetona/ água (80:20, v/v) para as três variedades (SA 80%, SM 80%, SP 80%), comparando-os quanto ao teor de fenólicos totais (Folin-Ciocalteau) – TPC,1 antocianinas e flavonoides (métodos espectrofotométricos) 2 e quanto à atividade antioxidante pelos métodos de sequestro do radical DPPH (RSA-DPPH),3 de captura do radical 2,2 ́-azinobis (3-etilbenzotiazolina-6-ácido sulfônico) (ABTS●),4 do poder de redução do ferro (FRAP)5 e do sistema β-caroteno/ácido linoleico,6 comparados aos antioxidantes sintéticos TBHQ e BHT. Análises termogravimétricas foram utilizadas para avaliar a estabilidade térmica de SP e SP 80% em relação a TBHQ e BHT. Os resultados mostraram que a casca da soja marrom apresentou um maior teor de flavonoides (22.29 ± 0.03 g.g-1 extrato seco) e a casca de soja preta, um maior teor de antocianinas (28.39 ± 0.00 mg.g-1 extrato seco), em relação às demais. Devido ao alto teor de antocianinas, dentre outros flavonoides, os dois extratos obtidos a partir da casca de soja preta (SP e SP 80%) destacaram-se quanto ao TPC (322.54 ± 48.13 e 386.20 ± 43.97 mg GAE.g-1 de extrato seco, respectivamente) e quanto à atividade antioxidante, avaliada por diferentes métodos (336.57 ± 6.31 e 284.16 ± 10.87, para EC50-1, 40117.96 ± 47.32 e 52933.13 ± 16.00 mmol TEAC.g-1 extrato seco, para ABTS●, e 12.92 ± 3.19 e 13.22 ± 0.98 mmol Fe2+.g-1 extrato seco, para FRAP, respectivamente). Acredita-se que a composição e a concentração dos fitoquímicos variem significativamente de acordo com a cor da casca da soja e que os altos teores de TPC nos extratos de SP e SP 80% podem ser atribuídos à maior solubilidade dos polifenóis da casca de soja preta aos solventes utilizados para sua obtenção.7,8,9 Quanto ao comportamento termogravimétrico dos extratos SP e SP 80%, em relação aos antioxidantes sintéticos, observou-se que SP foi o que apresentou melhor estabilidade térmica (126 °C) em relação ao SP 80% (124 °C), resultados relevantes quando comparados ao BHT (78 °C) e TBHQ (92 °C), permitindo que estes extratos sejam utilizados sinergicamente com os antioxidantes sintéticos, diminuindo parcialmente a utilização desses pela indústria de alimentos.