Potencial antioxidante de frutos de Eugenia Uniflora L
Evidências epidemiológicas têm mostrado que o consumo regular de frutas e hortaliças tem contribuído para reduzir o risco de várias doenças crônico-degenerativas como doenças cardiovasculares e o câncer1. Este efeito tem sido atribuído à presença de compostos antioxidantes, como compostos fenólicos, vitamina C, carotenóides e outros. Os metabólitos secundários provenientes das plantas, utilizados na defesa contra patógenos e radiação, são chamados de polifenóis, e estão diretamente envolvidos na atividade antioxidante de vegetais2, 3. A pitanga (Eugenia uniflora L), espécie nativa do Brasil, pertence a família das Mirtáceas, pode ser encontrada em várias regiões do país, devido a sua facilidade em adaptar as mais diversas condições de clima e solo. O fruto pode ser encontrado em diferentes colorações, desde o laranja, vermelho até o roxo4. Há poucos estudos relacionados à atividade antioxidante e composição fenólica dos seus frutos. Neste contexto, o presente estudo teve por objetivo a quantificação de compostos fenólicos e a determinação da atividade antioxidante do extrato bruto, extrato fenólico e das frações antociânicas da polpa de Pitanga (Eugenia uniflora L). Os frutos foram coletados na cidade de Itabirito - MG. Após a coleta, os frutos foram higienizados e congelados a -20°C. Decorrido 2 meses as análises foram realizadas. Os polifenóis da polpa de pitanga foram extraídos e purificados utilizando extração em fase sólida5. A quantificação de compostos fenólicos foi feita pelo ensaio Folin-Ciocalteu6 e a atividade antioxidante dos extratos foi determinada pelos ensaios DPPH7, FRAP8 e ABTS9. O teor de polifenóis totais e antocianinas totais nos frutos de pitanga foi de 272 mg/g ácido gálico equivalente (AGE) / 100 g e 331 mg antocianinas totais/ 100 g de pitanga, respectivamente. O teor de polifenóis totais do extrato fenólico e bruto foi de 0,478 e 0,030 µg ácido gálico equivalente (AGE)/ µg de extrato, respectivamente. Para os ensaios DPPH e ABTS, a atividade antioxidante do extrato bruto foi superior ao do extrato fenólico, porém inferior à do padrão ácido gálico, o que sugere a contribuição adicional de compostos não fenólicos à atividade antioxidante dos frutos. No DPPH, a atividade antioxidante do extrato bruto foi bastante similar à do extrato antociânico. Os valores de atividade antioxidante dos extratos fenólicos de diferentes concentrações, encontrados pelos diferentes ensaios, se correlacionaram positivamente. Os teores de polifenóis totais e antocianinas totais também se correlacionaram positivamente com a atividade antioxidante do extrato fenólico, pelo ensaio DPPH, demonstrando significativa contribuição de antocianinas para a atividade antioxidante dos frutos advinda de sua fração fenólica.