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Potencial antimicrobiano de compostos extraídos de Grumixama

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Polifenóis são metabólitos secundários de plantas, usados na defesa contra estresses diversos.1, 2 Podem inibir o crescimento de micro-organismos deterioradores e patogênicos, com potencial para utilização na conservação de alimentos.3 Bactérias controlam fenótipos relacionados à virulência e deterioração alimentar de forma dependente da densidade celular, por um processo de comunicação denominado Quorum sensing (QS).4, 5, 6, 7 Há relatos que compostos fenólicos de alimentos inibem o QS, e consequentemente, a virulência bacteriana.8,9 Grumixama (Eugenia brasiliensis) é uma fruta brasileira da família das Mirtáceas, ainda pouco estudada e rica em polifenóis.10 Objetivou-se avaliar o potencial antimicrobiano e anti-quorun sensing do extrato bruto e fenólico da grumixama contra bactérias patogênicas e deterioradoras de alimentos. Polifenóis da polpa foram purificados utilizando extração em fase sólida11, quantificados por espectrofotometria e expressos em mg de Ácido Gálico Equivalente (AGE)/ml.12 A atividade antimicrobiana foi avaliada contra bactérias gram-negativas Aeromonas hydrophila, Pseudomonas aeruginosa, Hafnia alvei, Pseudomonas fluorescens, Salmonella ssp, Escherichia coli e gram-positivas Staphylococcus aureus, Listeria monocytogenes e Bacillus cereus pelo teste de difusão em placas13 e determinação da Concentração Inibitória Mínima (MIC).14 O potencial de inibição (PI) dos extratos foi avaliado sobre o crescimento de S. aureus, E. coli, L. monocytogenes e Salmonella. 15 As concentrações do extrato fenólico testadas foram 1,49; 0,74; 0,49; e 0,37 mg AGE/ml e 1,26; 0,63; 0,42; e 0,31 mg AGE/ml para extrato bruto. A atividade anti-quorum sensing foi avaliada em Chromobacterium violaceum, pelo ensaio qualitativo de difusão em ágar.16, 17 O extrato fenólico inibiu o crescimento de L. monocytogenes, S. aureus, A. hydrophila e P. fluorescens em todas as concentrações. A concentração de 1,49 mg AGE/ml inibiu E. coli e H. Alvei, enquanto B. cereus foi inibido na concentração 0,49 mg AGE/ml. P. aeruginosa não foi inibida neste teste. O extrato bruto inibiu o crescimento de todas as bactérias na concentração de 1,26 mg AGE/ml. A concentração de 0,63 mg AGE/ml inibiu H. alvei, a de 0,42 mg AGE/ml inibiu L. monocytogenes e a concentração 0,31 mg AGE/ml inibiu S. aureus e Salmonella. O PI dos extratos demonstrou valores expressivos de inibição microbiana, atingindo reduções de até 106 vezes. A MIC do extrato fenólico para E. coli, H. alvei, L. monocytogenes e P. fluorescens foi de 0,74 mg AGE/ml, A. hydrophila e P. aeruginosa 0,49 mg AGE/ml e S. aureus e Salmonella ssp. inferior a 0,37 mg AGE/ml. A MIC do extrato bruto para B. cereus, E. coli, H. alvei e P. fluorescens foi 0,42 mg AGE/ml, para A. hydrophila 0,31 mg AGE/ml, para P. aeruginosa 0,25 mg AGE/ml e para L. monocytogenes, S. aureus e Salmonella ssp. inferior a 0,12 mg AGE/ml. Ambos os extratos de grumixama apresentaram atividade anti-quorum-sensing, evidenciada pela formação de zona clara e turva, em fundo roxo, resultante da inibição da produção de violaceína por C. violaceum. Os resultados demonstram potencial antimicrobiano e anti-quorum sensing dos extratos de grumixama e poderão se tornar aliados da indústria alimentícia, uma vez que além de serem naturais, possuem forte atuação sobre micro-organismos patogênicos e deterioradores.