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DRUMMOND E O CINEMA. O “POETA DE SETE FACES”, DE PAULO THIAGO
Eliabe Sousa
UEMASUL
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O uso de filme como recurso pedagógico no processo de ensino-aprendizagem e, consequentemente, para o desenvolvimento dos participantes é algo sugerido pelas próprias diretrizes educacionais; pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2000). Na discussão sobre o uso de filme no processo de ensino e aprendizagem Reis Junior (1997, p. 37 apud MARTINS, 2006) assevera que “[...] existe uma natureza pedagógica nas linguagens audiovisuais e todo e qualquer filme pode ser educativo, a partir do momento em que o professor se aproprie dele de forma didática”. Assim sendo, torna-se fundamental para os professores e alunos o conhecimento, reconhecimento e apropriação dos elementos constitutivos da significação própria do cinema, sua linguagem. De modo que isso demandará um diálogo com diversos campos conhecimento e, sem dúvida, a assistência fílmica como exercício do aprofundar-se nessa leitura cinematográfica. Nessa perspectiva, o professor não pode convenientemente julgar o cinema como um mero ilustrador dos conteúdos e questões já discutidas e apresentadas, servindo apenas como referendo de outras fontes, uma vez que os estudos da teoria da adaptação buscam negar uma abordagem meramente de “comparações” em que uma obra está a serviço da outra, cabe a ele perceber que o cinema carrega em seu discurso imagético uma pluralidade de falas, acepções, ideologias e contradições. Linda Hutcheon em seu livro “Uma teoria da adaptação”, define a adaptação como “uma transposição declarada de uma ou mais obras reconhecíveis; como um ato criativo e interpretativo; como um engajamento intertextual” (2011, p.30). Assim, ao analisarmos uma adaptação, observa-se que ela se constitui uma verdadeira construção intertextual, possuindo um diálogo com a obra fonte, mas que não a anula como obra autônoma. Portanto, ao utilizar-se de adaptações cinematográficas em sala de aula, o confronto entre as obras literária e cinematográfica, visa o estabelecer de diálogos permanentes entre elas. Pois, estas obras encontram-se em linguagens, tempos, ambientes e culturas distintas, mas podem estabelecer diálogos os quais o entrelaçar não impõe a perda de autonomia, mas, estabelece aproximações e/ou distanciamentos. Esta pesquisa tem como foco à questão do literário e do cinematográfico e objetivou mapear a produção cinematográfica, relacionados à poética de Carlos Drummond de Andrade, especificamente os documentários, e fazer uma análise/leitura a partir do filme “Poeta de sete faces” (2002), de Paulo Thiago, e buscar estratégias quanto ao uso desta obra cinematográfica em sala de aula.
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