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The diffusion of scientific poems as an interdisciplinary proposal to teach chemical concepts
Márlon Herbert F. B. Soares
Instituto de Química / Universidade Federal de Goiás
Agora você poderia compartilhar comigo suas dúvidas, observações e parabenizações
Crie um tópicoA arte e a ciência são comumente retratadas de forma completamente divergentes, já que a arte tem um viés subjetivo e expressivo, valorizando saberes criativos, enquanto a ciência um viés objetivo e sistemático, valorizando métodos replicáveis. No entanto, há fatores que as duas apresentam em comum e até dialogam entre si, já que percebem e retratam um mesmo mundo, suas linguagens são diferentes, mas seus objetivos são os mesmos: as várias possibilidades de um desenvolvimento crítico e formação humana e integral.1 Como é um trabalho que se trata de poesia, nos valemos de uma visão defendida por Ferreira Gullar que critica a postura do movimento anterior, o concretista que abraçava uma perspectiva cientifica, porém positivista. O movimento neoconcretista relembra o caráter subjetivo que a poesia tem, porém sem deixar de lado a postura crítica e a liberdade de expressão, tanto na estrutura quanto na linguagem presente nos poemas. O neoconcretismo transcende o concretismo por permitir uma integração social e diálogo entre o artista, o público-alvo e a obra intermediadora.2 Dessa forma, esse trabalho tem como enfoque uma aplicação experimental de aulas sobre poemas como mediadores de conteúdos de química, sendo uma pesquisa de cunho lúdico e interdisciplinar, com uma análise qualitativa, buscando referencias da literatura poética para um embasamento teórico apropriado, de forma que a partir dessa aplicação seja possível disponibilizar recursos para possíveis planejamentos e aplicações de aulas diversificadas, tanto no ensino básico quanto em formação docente nos cursos de química. As aulas foram realizadas em uma oficina no Instituto Federal Goiano e em uma disciplina optativa aberta em nível nacional, com um total de 30 discentes em ambas. Foram produzidas poesias na forma de haikais, denominadas haiquímicos, mas também poesias concretas e neoconcretas. Os principais conteúdos foram sobre a conceituação da Química e da Ciência, além de ligações químicas e transformações físicas, como os haikais apresentados a seguir:
Luto
Me refletindo a um cátion
Perdendo elétrons
Da minha camada de valência.
Estado
Ao entrar em ebulição
Líquidos em geral
Aos seus olhos desaparecerão.”
É perceptível pelas leituras e várias interpretações das produções poéticas realizadas pelos inscritos, uma apropriação dos conceitos para aplicá-los em suas múltiplas possibilidades de sentidos, até mesmo, contextualizando-os. A leitura de poemas químicos permite ainda um olhar diferente para o conceito, instigando o estudante a compreender o conceito para também compreender o poema em constante ir e vir, entre o conceito e o poema, entre a ciência e a arte.
1. CARVALHO, V. M. F. F. Do concretismo ao neoconcretismo: da desumanização ao engajamento. Estudos. v. 14, 2014.
2. REIS, J. C., GUERRA, A., BRAGA, M. Ciência e arte: relações improváveis? História, Ciências, Saúde. v. 13, (suplemento), 2006, p. 71-87.
Caian Cremasco Receputi
Parabenizo o projeto e a apresentação do trabalho.
Gostaria de saber se para além da produção dos 'haiquímicos' vocês também realizaram discussões dos poemas produzidos, tanto da estrutura como do conteúdo científico-escolar. Qual foi a recepção dos alunos sobre a atividade relatada? Esta atividade também envolveu professores de Português?
Também gostaria de saber se vocês percebem relações entre a 'poesia científica' e a 'divulgação científica'.
João Romano
Parabéns pelo trabalho. Ótima forma de introduzir a temática para o público jovem a fim de estimular a curiosidade pela química.
Nunca vi essa abordagem e gostaria de saber se você já utilizou em sala de aula? Se sim, qual foi o feedback dos alunos?
Thiago Henrique Albino Rodrigues
Gratidão pelo comentário!
Aplicamos primeiramente em um Instituto Federal, em uma oficina, onde obtivemos produções valorosas. Mas quando começamos a aplicar a pesquisa em um colégio de nível médio, fomos interrompidos pela pandemia, o que não tornou possível resultados conclusivos, porém reaplicamos de forma virtual num formato de curso aberto, onde participou pessoas de vários níveis de escolaridade, formações diferentes e de lugares diferentes do país, o que gerou um grupo bem dinâmico, houve uma porcentagem alta de evasão, e os motivos sempre foram de uma alta demanda de trabalho devido a pandemia, porém todos que continuaram no curso apresentaram uma crescente evolução em seus conhecimentos, perceptível pela produção de poemas que estavam mais bem estruturados e com uma apropriação de termos da química, Houve um participante em particular de nível médio que fez um Haiquímico sobre detergente correlacionando com tensão superficial, o poema não perdeu a essência poética, pois se tratava de assuntos cotidianos onde ocorre uma justaposição de imagens em tensão e em superficial:
No questionário de devolutiva a respeito da disciplina, houve muitas respostas positivas, pontuarei algumas:
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Thiago Henrique Albino Rodrigues
Agradecemos o comentário!
Como uma proposta interdisciplinar envolvemos a área lírica da proposta, portanto discutimos questões de estrutura e formação de poemas no curso aberto, houve dúvidas dos participantes já formados em química, e no decorrer do curso uma melhoria nas produções poéticas destes integrantes, os quais se desprenderam de estereótipos da poesia. Na devolutiva feita no final do curso houve falas dos participantes de nível médio, que relataram que os poemas auxiliam em algumas atividades que estava sendo realizado na escola.
Não houve a participação de professores de português, apenas dos autores do trabalho e apesar de não haver uma formação em letras, há a presença de formação do autor principal em teoria do poema, por isso a proposta se intitula interdisciplinar e não multidisciplinar.
Apesar de não citado nesse recorte, a pesquisa de difusão de poemas científicos faz referência a um autor do país conhecido que está desenvolvendo pesquisa em poemas científicos, de forma separada a nossa: Wilmo Ernesto Francisco Júnior, ele chegou em conclusões similares, em suas ultimas publicações passou também a adotar Octavio Paz como referencia para a área poética e tem um livro publicado em divulgação cientifica "Ciência em verso e prosa", que foi um dos livros utilizados na aplicação do curso aberto.
Caian Cremasco Receputi
Excelente Thiago, agradeço a resposta. Vocês estão de parabéns pelo desenvolvimento deste projeto. Vou conferir a literatura indicada.