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Ao longo dos anos, o papel das mulheres na sociedade tem se transformado de maneira significativa. Apesar da forte herança histórica do sistema patriarcal, as mulheres têm conquistado, por meio de muita luta, seu espaço em diversas áreas, assumindo papéis cada vez mais relevantes [2]. No entanto, ainda persiste uma disparidade considerável entre a atuação de homens e mulheres em algumas áreas, como nas disciplinas das áreas STEM (sigla, do inglês, para Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemática). Neste contexto, o presente trabalho tem como objetivo analisar a distribuição dos docentes ativos da Universidade Estadual Paulista (UNESP), com um foco especial na proporção de gêneros nos departamentos de ciências exatas. A análise busca entender como a distribuição de docentes por gênero se dá nessas áreas, evidenciando as desigualdades existentes. A desigualdade de gênero nas áreas de ciências exatas tem sido amplamente documentada em estudos acadêmicos [3]. A partir disso, a presente análise pretende investigar essa questão especificamente dentro da UNESP, verificando a representatividade feminina nessas áreas do conhecimento. Os dados utilizados para essa análise foram extraídos do Portal Docentes Unesp5 (banco de informações), que inclui informações de docentes ativos e aposentados. Fazendo uma análise geral da base de dados, observamos que o corpo docente atual é composto por 3.095 professores em atividade, além de 295 docentes aposentados que ainda constam na base. Para realizar a análise da distribuição atual de docentes, foi necessário realizar um dos dados, excluindo os registros de docentes aposentados e focando apenas nos docentes ativos. Inicialmente, a base continha informações como nome, departamento e campus da Unesp. Durante o préprocessamento dos dados, incluímos a coluna referente ao gênero. Para isso, utilizamos uma técnica baseada em uma lista de nomes brasileiros extraída do Censo 2010 do IBGE, que contém mais de 100 mil registros, associando cada nome ao gênero predominante. Caso um nome não fosse identificado como masculino ou feminino, ele era classificado como “Desconhecido”, o que observamos ocorrer, principalmente, com nomes de origem estrangeira. Com os dados tratados, foi possível prosseguir com a análise da distribuição dos docentes por categoria acadêmica, departamento e gênero. Para ilustrar a proporção de gênero no corpo docente geral da universidade, a Figura 1 apresenta a distribuição de gênero no total de docentes. Embora o gráfico revele uma predominância masculina, também é visível uma presença feminina considerável, indicando avanços na equidade de gênero, embora ainda haja desequilíbrios. No entanto, ao analisarmos as áreas de ciências exatas em particular, a representatividade feminina diminui significativamente. O gráfico da Figura 2 mostra que, nessas áreas, as mulheres representam menos da metade do corpo docente, reforçando a desigualdade de gênero observada. Embora a UNESP tenha um corpo docente diversificado, com docentes distribuídos em diferentes unidades, departamentos e categorias acadêmicas, a análise revela tendências importantes. Destaca-se a concentração de docentes homens e a desigualdade de gênero nas áreas de exatas, evidenciando um desequilíbrio que precisa ser abordado. Pesquisas indicam que a presença de professoras nas disciplinas STEM pode ser um fator determinante para o aumento da formação de mulheres nessas áreas. Um estudo revelou que meninas que frequentaram escolas de ensino médio, nas quais pelo menos 72% dos professores de matemática e ciências eram mulheres, tinham 19% mais chances de se formarem nessas áreas [1]. Esse dado reforça a importância de modelos femininos nessas disciplinas, que podem inspirar e incentivar mais meninas a seguir essas carreiras. Essas informações podem ser fundamentais para o desenvolvimento de iniciativas institucionais voltadas à promoção da equidade de gênero nas áreas acadêmicas. Além disso, podem subsidiar a universidade na criação de vagas destinadas a mulheres, com o objetivo de alcançar uma distribuição mais igualitária nos departamentos de ciências exatas.
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