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Apresentação/Introdução Ao longo da história da saúde pública brasileira, a gestação, parto e puerpério têm sido considerados áreas prioritárias no desenvolvimento de ações e políticas, a fim de reduzir as taxas de mortalidade materna por se tratar de um indicador que reflete à condição de vida e as vulnerabilidades sociais de uma população. No Brasil, a Portaria nº1.119/2008 do Ministério da Saúde tornou obrigatória a investigação dos óbitos maternos e de mulheres em idade fértil (MIF), com o objetivo tanto de reduzir a subnotificação das mortes maternas quanto de analisar os fatores associados a este desfecho (Ferreira; Coutinho; Queiroz, 2023). A redução dos óbitos maternos depende da melhoria de políticas públicas com medidas para combater as iniquidades em saúde. A partir disso é preciso considerar a necessidade de atender prioritariamente a parcela mais vulnerável das mulheres brasileiras em idade fértil. Sendo preciso ampliar o olhar as mulheres negras (pretas e pardas) e usuárias de drogas, que apresentam maior risco de terem um pré-natal inadequado, falta de vinculação à maternidade e peregrinação para o parto (Leal et al., 2017; Alves Maia et al., 2019). Objetivos Refletir sobre a vulnerabilidade social e o acesso a política de atenção à saúde da mulher a partir dos óbitos maternos das residentes na cidade do Recife-PE. Metodologia Pesquisa de métodos mistos de caráter descritivo retrospectivo e recorte transversal, realizado com os dados de todos os óbitos maternos residentes no Recife, Pernambuco, ocorridos em 2023. Os dados foram obtidos a partir da consulta as fichas de investigação dos óbitos maternos (síntese, conclusões e recomendações) que foram investigados e discutidos. As variáveis de interesse utilizadas foram: raça/cor, planejamento familiar, pré-natal (mínimo de sete consultas) e menção ao uso de drogas (álcool e outras drogas). Para análise dos dados foi utilizada a construção de indicadores de frequência relativa das variáveis investigadas em relação ao número total de óbitos de gestantes. Também foi utilizada a técnica de análise de conteúdo direcionada para investigar a menção ao uso de drogas nos relatórios de investigação de óbito de mulheres em idade fértil (MIF) de Recife em 2023. Resultados e Discussão Em 2023, foram registrados 23 óbitos maternos na cidade do Recife. Destes, 86,9% eram de mulheres negras e 30,4% eram usuárias de álcool e/ou outras drogas. Entre as mulheres que faziam uso dessas substâncias, 100% se declararam como negras. A maioria dessas mulheres (85,7 %) não realizou planejamento familiar e 71,4% não realizou o pré-natal ou fizeram menos de seis consultas de acompanhamento, sendo considerado como pré-natal inadequado. Esses dados contrastam com as mulheres que não faziam uso dessas substâncias, onde 56,2% fizeram planejamento familiar e 43,7% realizaram pré-natal adequado. As mulheres negras, historicamente, são mais vulnerabilizadas no Brasil e estão mais sujeitas ao uso de drogas durante a gestação. Quando combinadas as duas variáveis (negras e usuária de drogas) há uma maior iniquidade no acesso aos serviços de saúde, tornando-se gestantes invisibilizadas. Evidências apontam que gestantes usuárias de drogas apresentam menor taxa de comparecimento às consultas de pré-natal, maior incidência de complicações clínicas e índices de hospitalizações (Alves Maia et al., 2019). Assim, é fundamental a ação dos profissionais da Atenção Primária a Saúde (APS) para detecção precoce desse grupo durante a gestação, encaminhamento para tratamento para serviços de saúde mental, como o Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Droga (CAPS AD) em casos onde houver indicação, além de prestar informações sobre redução de danos durante as consultas de pré-natal. Há que se considerar ainda o papel do programa Consultório na Rua e do desenvolvimento de outras ações no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para que se possa garantir a integralidade do cuidado (Rio de Janeiro, 2017). Conclusões/Considerações finais Considerando a equidade como um dos princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS) é preciso ampliar a adesão de mulheres negras e usuárias de drogas ao planejamento familiar e pré-natal. Evidencia-se a necessidade de considerar o desenvolvimento de novos fluxos assistenciais que se adequem as necessidades desse público (gestante e drogadita), principalmente para captação ao planejamento familiar e pré-natal, uma vez que a característica fundamental da APS é a vinculação do usuário ao território adscrito, que não é uma característica das usuárias de drogas. Assim, propõe-se a reflexão sobre os caminhos da Política de Atenção à Saúde da Mulher a fim de atender as gestantes em situação de maior vulnerabilidade social que estão morrendo em decorrência de causas obstétricas. Referências ALVES MAIA, J. et al. Uso de drogas por mulheres durante o período gestacional. Revista Enfermagem Contemporânea, v. 8, n. 1, p. 25–32, 10 abr. 2019. FERREIRA, M. E. S.; COUTINHO, R. Z.; QUEIROZ, B. L. Maternal morbidity and mortality in Brazil and the urgency of a national surveillance system for maternal near miss. Cadernos de Saude Publica, v. 39, n. 8, 2023. RIO DE JANEIRO. Álcool e Outras Drogas: Guia de Referência Rápida PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE-SMS. [s.l: s.n.]. Disponível em: . Acesso em: 9 jun. 2024. LEAL, Maria do Carmo Leal et al. A cor da dor: iniquidades raciais na atenção pré-natal e ao parto no Brasil. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 2017 https://doi.org/10.1590/0102-311X00078816Contextualização: A tecnologia trouxe mudanças em diversos aspectos, especialmente na comunicação e informação. A internet e dispositivos móveis democratizaram o acesso às notícias, possibilitando obtê-las com facilidade. Contudo, esse cenário apresenta desafios, como a infodemia, caracterizada pelo excesso de informações sobre determinados temas, muitas vezes incorretas e advindas de fontes não verificadas, que se propagam velozmente (Priberam, 2024). No âmbito da saúde coletiva, a desinformação tem um impacto negativo ao atrasar ou impedir cuidados eficazes, prejudicar a capacidade de tomar decisões informadas e reduzir a adesão às orientações de saúde. Nesse sentido, foi criada a Web Rádio Lagis pelo Laboratório de Gestão e Inovação em Saúde (LAGIS), da Universidade Estadual do Ceará (UECE), a fim de difundir temas relacionados à saúde, com informação acessível e simplificada para toda a comunidade acadêmica e sociedade. Objetivo este, alcançado por meio de entrevistas com palestrantes especialistas, ações essenciais para o combate à infodemia. Ademais, essa ferramenta fortalece o processo do ensino-aprendizagem no âmbito da saúde, com alcance amplo e flexível de todos os públicos. Portanto, a Web Rádio Lagis pode ser essencial para o combate à infomedemia, pois fornece informações seguras aos espectadores. Ademais, essa ferramenta permite fortalecimento do ensino-aprendizagem no âmbito da saúde.. Descrição da Experiência: Trata-se de relato de experiência de uma integrante da Web Rádio. Ao todo são vinte membros, estudantes do curso de graduação em Enfermagem e de pós-graduação dos Programas de Pós-graduação em Saúde Coletiva (PPSAC) e em Cuidados Clínicos em Enfermagem (PPCCLIS), da Uece. A Web Rádio está inserida no Lagis, localizado no Núcleo de Pesquisa e Inovação (NUPEINSC), de onde são realizadas transmissões ao vivo, por meio de canal no YouTube, onde permanecem gravadas entrevistas de cunho informativo-científico, visando a disseminação de informações com embasamentos científicos para a comunidade e o público da universidade. Atualmente, o programa encontra-se com 18 vídeos publicados, 160 inscritos e cada vídeo possui em média 150 visualizações. Dessa forma, a partir da experiência inicial, o processo foi sendo aperfeiçoado, as tecnologias foram avançando, os materiais para o laboratório foram se modernizando, surgindo diversas melhorias, como a padronização no canal do YouTube, o que proporcionou maior interação com o público ouvinte, possibilitando a comunicação em tempo real, por meio das dúvidas expostas nos comentários respondidos ao vivo.. Objetivo e período de Realização: O trabalho visa relatar a experiência da Web Rádio Lagis como ferramenta de comunicação e informação em saúde em tempos de infodemia. As transmissões ocorreram no período de março de 2023 a fevereiro de 2024, quinzenalmente, na presença de um mediador, que realizava a entrevista, um suporte, no qual realizava os aparatos técnicos e o entrevistado, que debatia sobre o tema em questão.. Resultados: A Web Rádio se mostrou fonte de informação credibilizada e ferramenta funcional de ensino-aprendizagem, em que, com a liberdade de interação entre discentes, entrevistados/palestrantes e ouvintes, houve evolução dos integrantes da rádio quanto às habilidades tecnológicas, sociais, de comunicação, oratória e pensamento crítico perante as problemáticas sociais, após a realização das transmissões e a participação ativa junto aos especialistas. Com a credibilidade das informações de fontes especializadas, a Web Rádio se mostrou relevante meio de combate à desinformação na saúde, problema agravado durante a pandemia Covid-19. Entre os diversos assuntos abordados, destaca-se: "Saúde em pauta: o pesquisador da Uece como fonte jornalística e o combate à desinformação", que obteve 150 visualizações, 75 comentários e muita interação durante a transmissão.. Aprendizado e Análise Crítica: A Web Rádio traz contribuições a acadêmicos de enfermagem, pois é um público que realiza constantemente atividades de educação em saúde, principalmente na comunidade, muitas vezes carente de informação. Ademais, por ser considerada canal de comunicação, a Web Rádio favorece a comunicação na sociedade, trazendo informações de cunho verídico com embasamento científico. Sendo assim, o canal está em constante processo de aperfeiçoamento, sendo ainda necessária evolução em sua estrutura física e tecnológica, possibilitando uma programação mais ampla e a participação de estudantes de outros cursos da área da saúde da UECE. Esse crescimento é lento, mas é contínuo e visível, sendo possível esperar que, em médio ou longo prazo, a Web Rádio Lagis alcance públicos maiores, levando informação em saúde de qualidade para todos e possivelmente se tornando uma referência para outras universidades. Portanto, os assuntos abordados na web rádio LAGIS surgiram a partir das necessidades dos ouvintes, bem como de assuntos relevantes da sociedade. De maneira clara e objetiva ela divulga a informação contribuindo de forma indireta com o cuidado, democratizando o acesso à informação dos profissionais de áreas da saúde.. Referências:
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