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Introdução e Contextualização Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são definidas como doenças de longa duração, com progressão lenta e resultando em incapacidade. As DCNT englobam um conjunto variável de situações que tem em comum a necessidade de acompanhamento multiprofissional extenso, associado ao uso de medicamentos e equipamentos. Essas doenças geralmente levam a consequências na vida do indivíduo e da família, com a necessidade de mudanças de comportamento e autocuidado. São as principais causas de adoecimento e mortalidade no mundo, causando perda de qualidade de vida, incapacidades e alta taxa de mortalidade prematura. O acompanhamento regular pela Atenção Primária à Saúde (APS), em todos os estágios ajuda a evitar complicações, internações hospitalares e incapacidade. Com o avanço de estratégias de Telessaúde, ela torna-se uma ferramenta para acompanhamento e monitoramento de usuários, especialmente em casos de DCNT em estágios iniciais e controladas. As tecnologias de Telessaúde podem evitar deslocamentos desnecessários até as unidades básicas, fortalecer o vínculo entre equipe e usuário e permitir o acompanhamento sistemático dos casos controlados. O uso de ferramentas para padronização deste acompanhamento ajuda na qualidade de informação, na organização do serviço e na implementação do acompanhamento no processo de trabalho dos profissionais da APS. Objetivo para confecção do produto diante da ausência de um protocolo de Telessaude padronizado para monitoramento de usuários com DCNT na APS, o objetivo deste trabalho foi elaborar e validar o conteúdo deste protocolo, para acompanhamento desta população dentro do processo de trabalho das Equipes de Saúde da Família e Atenção Básica (EqSF/EqAB). Metodologia e processo de produção A elaboração do protocolo iniciou-se em 2022 e encontra-se em processo de conclusão. Sua elaboração seguiu diretrizes do AGREE II. Foi feita uma revisão integrativa da literatura, com objetivo de identificar quais os itens eram avaliados e/ou monitorados pelas equipes, presencialmente, em usuários portadores de DCNT na APS. A partir dos resultados encontrados, duas profissionais com experiência em APS elaboraram um protocolo para Telessaúde, que poderia ser aplicado por telefone ou aplicativo de mensagem, por profissionais de nível superior da saúde da família. Após concluída, esta primeira versão foi enviada a profissionais inseridos na APS há pelo menos 1 ano para avaliação do protocolo. O objetivo desta etapa foi a validação do conteúdo do protocolo pela técnica Delphi. Cada pergunta foi avaliada pelos profissionais segundo sua redação e pertinência, e considerada pronta quando atingisse mais de 90% de concordância entre os participantes. Os profissionais também avaliaram o protocolo pela técnica de avaliação do AGREE II. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 6.581.953). Resultados A revisão integrativa da literatura encontrou 11 artigos sobre monitoramento de DCNT na APS, e a partir dos itens elencados o protocolo foi construído, dividido nos blocos: identificação do usuário (10 perguntas) e dados sobre DCNT e seus fatores de risco (30 perguntas). As respostas das perguntas eram em alternativas, de fácil entendimento. Na primeira rodada de avaliação, 34 profissionais participaram, em sua maioria enfermeiros. No primeiro bloco, duas perguntas, e, no segundo bloco, sete perguntas ficaram abaixo de 90% de concordância. Tais perguntas foram reformuladas, a partir de sugestões dos participantes, e enviadas novamente aos mesmos, para nova avaliação. Os resultados desta nova rodada estão sendo processados para elaboração da versão final protocolo, caso haja agora mais de 90% de concordância para todas as perguntas. Em relação ao AGREE II, os escores foram semelhantes entre os domínios do instrumento, em torno de 75% para escopo e objetivo, envolvimento das partes interessadas, rigor do desenvolvimento, clareza de apresentação, aplicabilidade e independência editorial. Análise crítica e impactos sociais do produto um protocolo validado por profissionais atuantes na APS é um instrumento, além de novo, capaz de orientar o processo de trabalho e ampliar a resolutividade no cuidado de usuários portadores de DCNT na APS. Muitos usuários se afastam da unidade básica por dificuldade de deslocamento ou horários incompatíveis de consulta aos profissionais, o que faz com que agudizações ou descontrole de fatores de risco agravem o quadro da doença, necessitando de cuidado nos níveis secundários e terciários da rede, além de incapacidades. Um monitoramento adequado poderia evitar tais problemas e o uso de estratégias de Telessaúde ajudaria a enfrentar os desafios elencados, facilitando a manutenção do vínculo com o usuário. O uso de tecnologias de Telessaúde é uma realidade em vários campos de saúde, e, uma vez validado, o protocolo proposto pode ter testado na rotina das unidade, incorporado em aplicativos de celular ou manuais, e se tornar instrumento padrão de acompanhamento no primeiro nível de atenção. Referências AGREE. Next Steps Consortium. Appraisal of Guidelines for Research & Evaluation (AGREE) II. The AGREE II Instrument [Electronic version]. 2017. Disponível em: http://www.agreetrust.org. Acesso em: 04 jul. 2020. DUARTE, David Ferreira de Lima. As relações existentes entre o cuidado às Doenças Crônicas não transmissíveis e o alcance das políticas de prevenção na atenção primária à saúde. Brasilianizações Journal of Development, Curitiba, V8, n5, p.41509-41581, May, 2022. CAETANO, Rosângela et al. Desafios e oportunidades para telessaúde em tempos da pandemia pela COVID-19: uma reflexão sobre os espaços e iniciativas no contexto brasileiro. Cadernos de saúde pública, v. 36, 2020. CASTRO, Amparito V.; REZENDE, Magda Andrade. A técnica Delphi e seu uso na pesquisa de enfermagem: revisão bibliográfica. Revista Mineira de Enfermagem, v. 13, n. 3, p. 429-434, 2009.Apresentação/Introdução: Agentes comunitárias de saúde (ACS) representam hoje uma das principais forças de trabalho do Sistema Único de Saúde (SUS) e têm sido apontadas como profissionais importantes para reorganização do modelo de atenção à saúde no Brasil, orientado pela Atenção Primária à Saúde (APS), com impactos positivos do seu processo de trabalho nos indicadores epidemiológicos (Méllo et al., 2023) Nos últimos anos, o setor de saúde tem passado por transformações tecnológicas que parecem ser disruptivas, mas que se integram em uma nova possibilidade de cuidado e atenção à saúde conhecida por saúde digital. Essa, no entanto, se configura como um desafio para a saúde coletiva, sendo urgente ampliar os debates que lhe envolvem (Rachid et al., 2023. Salienta-se que são escassos os estudos existentes no Brasil que de alguma forma consideram o uso de tecnologias digitais no trabalho das ACS, nesse sentido é necessário compreender as interações entre o processo de trabalho das ACS e o uso da saúde digital, identificando as correlações dos benefícios e limitações dessas tecnologias para o subsídio da decisão de sua incorporação.. Objetivos: Compreender as interações entre o processo de trabalho das ACS e o uso da saúde digital, especificamente as que dizem respeito aos usos das tecnologias digitais na saúde. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, ancorada na técnica de observação não participante, com uma carga horária total de 30 horas, realizada em julho de 2023, em uma Unidade de Saúde da Família (USF) de Salvador. No processo de observação da atuação territorial e/ou visitas domiciliares foram considerados expressões verbais ou não verbais das ACS e outros atores envolvidos no processo de trabalho durante o uso de alguma tecnologia digital nas atividades de assistência, vigilância, promoção, prevenção, educação em saúde ou mobilização social. Como técnica de apoio utilizou-se um diário de campo. Os dados produzidos nas observações foram revisados entre dois pesquisadores de campo, contribuindo assim para uma maior validação do fenômeno. Posteriormente, sistematizou-se uma categorização temática desses dados a partir das seguintes categorias de análise: necessidade que gerou o uso da tecnologia; instrumento usado; finalidade e as condições de uso. A análise dos dados foi feita à luz do referencial teórico de Mendes-Gonçalves acerca da teoria do processo de trabalho em saúde. Essa pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFBA e está registrada na Plataforma Brasil.. Resultados e Discussão: A observação em campo identificou que o uso das tecnologias digitais propiciam vantagens para o processo de trabalho das ACS: i – com o uso do tablet: agilidade na coleta de dados; diminuição do peso dos materiais na mochila de trabalho; qualificação do cuidado pela orientação a partir das perguntas sociodemográficas e epidemiológicas; ii- com o uso do celular: ampliação do acesso e cobertura dos usuários pelo maior contato das ACS com o território; agilidade também na coleta de dados; ampliação da comunicação e integração entre ESF. Por outro lado, desvantagens também foram observadas: i – com o uso do tablet: morosidade na reposição quando o aparelho fica danificando; ii- com o uso do celular: perda de privacidade da ACS em seu domicílio, pelo intenso fluxo de mensagens e ligações. Esses resultados dialogam com estudos em cenários internacionais com atuação de trabalhadores comunitários de saúde e o uso de tais tecnologias, como em Uganda, Estados Unidos da América e Guatemala. Os objetos e finalidades do trabalho das ACS no contexto da saúde digital dialogam com a rotina usual deste trabalho já apontado por outras análises e dizem respeito a complexa realidade socioepidemiológica brasileira. A saúde digital parece contribuir com as atividades típicas das ACS, porém, se expressa de forma heterogênea no território onde ao mesmo tempo que aponta oportunidades para contextos específicos com ampliação do acesso à saúde, também se expressa como mais um elemento de iniquidade em saúde.. Conclusões/Considerações finais: Os instrumentos materiais de saúde digital mais associados ao trabalho das ACS foram o celular e o tablet, e o recurso da internet com seus sistemas de informação ou aplicativos. Para os recursos imateriais, aponta-se a necessidade de aquisição de novas habilidades comunicativas e socioculturais do contexto informacional. O uso desses instrumentos assinala desafios de ampliação do financiamento das tecnologias digitais, tendo em vista a necessidade de recursos para a sua implementação e manutenção. Ademais, sugere-se outros estudos com análises em diferentes contextos para o trabalho das ACS com tecnologias digitais. Espera-se ampliar o debate acerca do futuro das ACS na APS que sem sombra de dúvidas está associado ao futuro do tipo de modelo de atenção à saúde que se deseja nesse contexto de revolução tecnológica.. Referências:
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