Para citar este trabalho use um dos padrões abaixo:
Contextualização A Reforma Psiquiátrica Brasileira marca a mudança dos modelos de atenção à saúde para pessoas em sofrimento psíquico, buscando o estabelecimento de um novo paradigma de cuidado, através da promoção de um cuidado em liberdade e da construção de redes de apoio comunitários em saúde. Nesse sentido, requer-se a reorientação de práticas e estratégias de cuidado, tanto na gestão, como na atenção à população – marcando portanto a importância do SUS para uma convergência ético-política da produção e promoção de saúde. Repensar os modelos de atenção às pessoas em sofrimento psíquico implica em pensarmos a qualificação dos profissionais, produzindo novas formas de atuação, bem como conhecimentos e práticas para o fortalecimento e ampliação de ofertas de tratamento à população. O SUS contempla a responsabilidade na qualificação dos profissionais, trazendo políticas de formação e de integração entre ensino-serviço-comunidade, visando profissionais mais críticos e reflexivos. O preceptor tem papel fundamental nessa formação, sendo um facilitador do processo ensino-aprendizagem e da construção de campos de saberes e práticas. Além de possibilitar maior qualificação do atendimento dos profissionais em formação, o preceptor também possibilita uma ampliação da clínica, por vezes restrita a um cuidado biomédico, e uma prática alinhada com os princípios da reforma psiquiátrica brasileira. Descrição da Experiência A Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP iniciou em 2024 o programa de preceptores, com CH de 20h semanais para o apoio à Residência Multiprofissional e Médica da FCM. A Residência Multiprofissional em Saúde Mental, conta com cinco preceptores, com formação em psicologia e enfermagem, para o apoio e facilitação dos processos de ensino-aprendizagem em cinco serviços: três realizam apoio aos residentes em Centros de Saúde/E-Multi, um na Enfermaria de Psiquiatria em um hospital geral e um preceptor no Serviço de Psicanálise e Matriciamento para Situações de Violência. Assim, a partir do quadrilátero de formação, Ensino, Gestão, Atenção e Controle Social, procura-se possibilitar processos de abertura à experiência e aproximação em discussões de campo e núcleo. As atividades junto aos residentes dividem-se em participações em reuniões, horários de preceptoria, discussão de caso e co-participação em atendimentos e ações no território. Ademais, os preceptores atuam junto a disciplinas de primeiro e segundo ano de alunos da medicina, ampliando temáticas da saúde coletiva e atenção primária. Objetivo e período de Realização Relatar a experiência da Preceptoria Multiprofissional em Saúde Mental e Coletiva da Universidade Estadual de Campinas, em serviços públicos de saúde, elucidando e destacando a importância dos preceptores na formação de residentes médicos e multiprofissionais para atuação no SUS. A experiência referida iniciou-se com o programa de Preceptoria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, de fevereiro de 2024 até o presente momento. Resultados Diante da experiência de preceptoria, apesar da singularidade da atuação em cada serviço da rede e da residência a ser apoiada, percebe-se que o papel do preceptor em campo tem sido essencial para uma integração entre ensino-serviço-comunidade, qualificando a experiência dos profissionais apoiados. Por vezes, a presença dos preceptores em reuniões de equipe e em espaços de gestão, auxiliaram na manutenção de práticas menos burocratizadas e mais alinhadas à experiência formativa preconizada pelos programas de residência em questão. Entretanto, o papel do preceptor nos serviços e nos locais de atuação ainda é pouco consolidado, em especial o papel do preceptor não-médico. Por conta da figura do preceptor ser pouco delimitada nos campos, o papel deste é facilmente confundido com a atuação dos tutores dos programas de residência e com a atuação dos próprios trabalhadores da rede. Apesar disso, o programa de preceptoria tem ampliado as práticas de ensino-aprendizagem dos residentes multiprofissionais e médicos, possibilitando uma formação para além de modelos de cuidado hegemônicos, bem como tem possibilitado a construção de competências essenciais ao trabalho em saúde. Aprendizado e Análise Crítica O investimento na inserção de preceptores não-médicos no apoio de residentes multiprofissionais e residentes médicos potencializa a reorientação de práticas e estratégias de cuidado confluentes aos marcadores ético-políticos do SUS. A partir das intervenções de preceptoria é possível privilegiar a construção de espaços de reflexão e concepção da identidade clínica de cada residente. Possibilidades de recuo frente a uma prática que, muitas vezes, convida à uma lógica produtivista e ambulatorial auxiliam em uma boa inserção do residente em seu percurso de formação através do trabalho. Espaços de reflexão auxiliam, também, na compreensão institucional do equipamento de saúde que se insere, munindo o profissional apoiado de teoria e manejo necessário para realização adequada de suas funções, sem perder de vista o que é preconizado em programas de residência. Dessa forma, a figura do preceptor faz-se potente em problematizar, provocar e fortalecer uma prática interdisciplinar e orientada pelos paradigmas de tratamento, promoção de saúde e prevenção de agravos; ancorando-se também nas conquistas da Reforma Psiquiátrica em pensar o cuidado em liberdade e na criação de redes de apoio comunitárias. É potente investir em lógicas multidisciplinares nas estratégias de preceptoria, apostando na singularidades dos percursos formativos dos atuais residentes e futuros profissionais do SUS. Referências Bondía L.Notas sobre a experiência e o saber de experiência.Rev Bras Educ. 2002; Campos G.Saúde pública e saúde coletiva: campo e núcleo de saberes e práticas.Cienc Saude Colet. 2000; Emerich B, Onocko-Campos R.Formação de trabalhadores para a saúde mental: a experiência da residência multiprofissional no projeto percursos formativos em desinstitucionalização.In: Rosa S, Vasconcelos E, Rosa-Castro R.Formação em saúde mental:experiências, desafios e contribuições da residência multiprofissional em saúde. Curitiba:CRV; 2016.p. 91-106. Emerich B, Onocko-Campos R.Formação para o trabalho em Saúde Mental: reflexões a partir das concepções de Sujeito, Coletivo e Instituição. Interface (Botucatu). 2019 Ministério da Saúde.Portaria n198 GM/MS, de 13 de Fevereiro de 2004.Institui a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde como estratégia do SUS para a formação e o desenvolvimento de trabalhadores para o setor e dá outras providências.Apresentação/Introdução: Acidentes e doenças relacionadas ao trabalho representam um grave problema de saúde pública mundial, afetando principalmente trabalhadores jovens em idade produtiva. Contudo, no Brasil e no cenário internacional, ainda há poucos estudos que abordem acidentes de trabalho entre os trabalhadores da saúde. Os acidentes de trabalho por exposição a material biológico, como sangue e fluidos orgânicos, caracterizam-se como os agravos mais frequentes e de maior gravidade ocorridos entre os trabalhadores da saúde, podendo levar à infecção, adoecimento e morte por vários patógenos importantes, tais como o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e das hepatites (B e C), da Covid-19 e o bacilo da tuberculose. O diagnóstico das causas de afastamentos do trabalho devido a acidentes e a doenças dos trabalhadores da saúde dos brasileiros é de suma importância para o planejamento e implementação de programas e políticas voltadas à saúde desse grupo.. Objetivos: Identificar a prevalência e a mortalidade devido a acidentes de trabalho por exposição à material biológico, segundo as categorias dos profissionais de saúde de nível médio (NM) e superior (NS), características sociodemográficas e do acidente.. Metodologia: Os resultados aqui apresentados compõem a pesquisa “Acidentes de trabalho e morbidade entre trabalhadores de saúde no Brasil e fatores associados”, desenvolvida pelo Observatório de Recursos Humanos da UFRN com financiamento do Ministério da Saúde. Trata-se de um estudo transversal, quantitativo e descritivo, realizado entre outubro de 2023 e março de 2024, por meio de dados secundários, relativos ao ano de 2022 para o Brasil, obtidos através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES). A prevalência e a mortalidade dos acidentes foram obtidas através do SINAN, com a mortalidade especificada pela variável "evolução do caso". O total de profissionais de saúde, por categoria, foi obtido através do CNES. A taxa de acidentes de trabalho foi calculada dividindo-se o número de casos pelo total de profissionais em cada categoria. As variáveis sociodemográficas foram: faixa etária, raça, sexo e situação no mercado de trabalho e as relativas ao acidente foram: evolução do caso, tipo de acidente, situação vacinal, entre outras. Realizou-se análise descritiva através de frequências absolutas e relativas.. Resultados e Discussão: Observou-se maior prevalência de acidentes de trabalho entre profissionais de NM (224,06 por 10.000) em comparação com os de NS (122,69 por 10.000). A maioria dos acidentes ocorreu entre profissionais de 20 a 39 anos. Predominaram as mulheres, com 88,09% dos acidentes no NM e 68,96% no NS. No NM, 47,39% dos acidentados eram negros, enquanto no NS, 59,20% eram brancos. Entre os profissionais de NS, os enfermeiros foram os mais afetados (37,89%), seguidos por médicos (35,17%) e odontólogos (14,71%), resultados semelhantes aos encontrados em estudo realizado no Rio Grande do Sul/Brasil (1). Entre os profissionais de NM, técnicos de enfermagem foram os mais acometidos (93,59%), corroborando outros estudos nacionais (2,3). Instrumentadores cirúrgicos apresentaram a maior taxa de prevalência (1.255,77 por 10.000), seguidos por técnicos de saúde bucal (807,01 por 10.000) e auxiliares de banco de sangue (492,96 por 10.000). Entre os trabalhadores de NS, os biomédicos tiveram a maior taxa de prevalência (283,14 por 10.000). Estes valores extremamente altos identificados entre estes últimos trabalhadores não estão relatados na literatura científica e sugere a necessidade de intervenções específicas para esses grupos. A maioria dos profissionais de NM (34,80%) e NS (35,14%) recebeu alta após comprovação sorológica negativa do paciente fonte. Altas sem conversão sorológica ocorreram em 19,29% dos casos no NM e 17,02% no NS. Infecções por hepatite B, C ou HIV foram registradas em 3,58% dos casos de NM e 4,76% dos de NS. Não se verificou registros de vacinação contra hepatite B, diferentemente do estudo em duas maternidades na Túnisia (4), onde 90,2% dos entrevistados foram vacinados. Óbitos ocorreram em 0,03% dos profissionais de NM e 0,16% dos de NS.. Conclusões/Considerações finais: O estudo mostrou que a maior prevalência ocorreu entre os trabalhadores de nível médio, especialmente entre técnicos de enfermagem, enquanto os enfermeiros lideram entre os de nível superior. Além disso, ao analisar as taxas de acidentes por profissão, outras ocupações, como biomédicos e instrumentadores cirúrgicos, emergem com alto risco, apesar de terem uma distribuição proporcionalmente menor. Embora a taxa de prevalência seja maior entre os profissionais de nível médio, a mortalidade é mais comum entre os de nível superior. Os resultados apontam para a necessidade de melhoria da coleta de dados para aprimorar as ações de vigilância epidemiológica e a prevenção desses acidentes, incluindo o registro de variáveis como situação vacinal, tipo de exposição e uso de equipamentos de proteção individual. Em resumo, o estudo aborda um problema crítico de saúde pública e oferece ferramentas importantes para a elaboração de políticas e ações de proteção aos trabalhadores da saúde no Brasil.. Referências:
Com ~200 mil publicações revisadas por pesquisadores do mundo todo, o Galoá impulsiona cientistas na descoberta de pesquisas de ponta por meio de nossa plataforma indexada.
Confira nossos produtos e como podemos ajudá-lo a dar mais alcance para sua pesquisa:
Esse proceedings é identificado por um DOI , para usar em citações ou referências bibliográficas. Atenção: este não é um DOI para o jornal e, como tal, não pode ser usado em Lattes para identificar um trabalho específico.
Verifique o link "Como citar" na página do trabalho, para ver como citar corretamente o artigo