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Apresentação/Introdução O surgimento das comunidades quilombolas remonta ao século XVI, quando grupos majoritariamente compostos por pessoas negras se reuniam em locais conhecidos como "quilombos", comunidades com cultura própria e forte vínculo com a terra (Pereira e Magalhães, 2023). Esforços legais, como programas e portarias, a fim de garantir a melhoria da saúde nas comunidades foram elaborados, e em 2009, a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) consolidou ações para garantir e ampliar o acesso aos serviços de saúde para essas comunidades. Apesar dos esforços, as comunidades quilombolas ainda enfrentam desafios significativos. A maioria das famílias quilombolas vive em extrema pobreza e depende de programas de assistência social, segundo pesquisa da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SNPIR) em 2012 (Araújo et. al, 2020). Essas desigualdades sociais impactam nas condições de vida e acesso à saúde, destacando a necessidade de efetivação de políticas que considerem os determinantes sociais da saúde. Assim, diante da relevância de compreender as condições de saúde da comunidade quilombola, este estudo foi concebido com o intuito de destacar a importância de discutir essa temática. Objetivos Identificar as percepções de trabalhadores de saúde a respeito das condições de saúde de comunidade quilombola. Metodologia Este estudo faz parte do projeto “Condições de vida e saúde de comunidades quilombolas da Bahia e de Sergipe”, CAAE: 53730021.1.0000.5030. Caracterizado como estudo descritivo, exploratório e de abordagem qualitativa, a aproximação com o campo se deu em fevereiro/2023, juntamente com a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, através de visita à comunidade quilombola localizada na região metropolitana de Salvador, na Bahia. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com trabalhadores das áreas técnicas da saúde da gestão estadual, municipal e profissionais da unidade de saúde referência para a comunidade em questão. As entrevistas ocorreram de forma presencial nos espaços da gestão e na unidade, previamente agendadas através de email e/ou contato telefônico. O estudo obedeceu ao critério de saturação (Minayo, 2017) e atendeu aos critérios éticos para sua realização, inclusive com codificação aos participantes (G-gestor(a) e P-profissional) para preservar seu anonimato. Resultados e Discussão Na categoria sobre as percepções dos trabalhadores de saúde a respeito das condições de saúde da comunidade quilombola, foi identificado que as doenças prevalentes, conforme referido pelas participantes, são hipertensão arterial sistêmica (HAS) (G1, G2, G3, G4, P1, G5, P4, P5) e diabetes (G1, G2), com destaque para o "não controle da diabetes" (G3), sendo ambas destacadas como doenças crônicas (P4). O estudo de Queiroz et al (2021) confirma essa observação, mostrando prevalência dessas doenças nas comunidades, com HAS sendo prevalente entre os quilombolas, quando comparado com a população geral. Duas participantes (G1, G2) destacaram a saúde mental como um problema relevante, enfatizando a necessidade de "pensar sobre como o racismo gera ou repercute no sofrimento psíquico" (G2). Uma das participantes (G1) também ressaltou o alcoolismo e a dependência química como questões de saúde importantes. Corroborando, estudo de Queiroz et al (2023) indica que pessoas, principalmente negras, com menores rendimentos, sem acesso à educação, vivendo em condições de moradia precárias e sem acesso a serviços básicos, estão mais expostas aos desafios relacionados à saúde mental. Outrossim, Batista e Rocha (2020) destacam que o consumo abusivo de álcool é observado com mais frequência entre adolescentes e homens nas comunidades quilombolas. Participantes (G3, P2, P4, P5) associaram o déficit de saneamento básico às condições de saúde, corroborado pela alta incidência de infecções parasitárias (Souza et al., 2023). Essas infecções são exacerbadas por moradias precárias e falta de saneamento, aumentando a vulnerabilidade das comunidades (Rangel et al., 2014). Conclusões/Considerações finais O estudo evidencia a complexidade das condições de saúde da comunidade quilombola, em que as condições precárias de moradia e saneamento básico são fatores críticos que exacerbam a prevalência de várias condições de saúde, com impacto na saúde mental. Diante dessas constatações, ressalta-se a necessidade de intervenções que compreendam a saúde dentro do contexto dos determinantes sociais, conforme preconizado pela Saúde Coletiva, para subsidiar políticas públicas direcionadas à melhoria das condições de vida, saúde e acesso aos serviços de saúde. Ademais, ressalta-se que as percepções registradas não abrangem todos os atores sociais, e as perspectivas dos(as) moradores das comunidades também devem ser conhecidas. Referências Araújo, R. L. M. DE S. et al. Condições De Vida, Saúde E Morbidade De Comunidades Quilombolas Do Semiárido Baiano. Revista Baiana de Saúde Pública, v.43, n.1, 2020 Batista, E. C.; Rocha, K. B. Saúde mental em comunidades quilombolas do Brasil: uma revisão sistemática da literatura. Interações, 2020 Pereira, A, A. D. S.; Magalhães, L. Life in the quilombo: work, affection and care in the words and images of quilombola women. Interface: Communication, Health, Education, v. 27, 2023 Queiroz, P. DE S. F. et al. Common Mental Disorders in rural “quilombolas” in the North of MG, Brazil. Ciencia e Saude Coletiva, v.28, n.6, 2023 Queiroz, P. D. S. F. et al. Abdominal obesity and associated factors in quilombola communities in Northern Minas Gerais, Brazil, 2019. Epidemiologia e Servicos de Saude, v. 30, n. 3, 2021 Souza, L. N. DE et al. Práticas de cuidado em saúde com crianças quilombolas: percepção dos cuidadores. Escola Anna Nery, v.27, 2023Introdução e Contextualização: Sob a perspectiva da Política Nacional de Atenção Básica, o ACS assume um papel essencial para a concretização do elo entre o serviço de saúde e a população, tendo como requisito ser morador da própria localidade, aspecto fundamental para a construção de vínculo com os moradores, que se sentem, dessa forma, mais à vontade em receber as visitas e os serviços. Este profissional possui a prerrogativa de desenvolver um perfil bastante diversificado, desde a conscientização e mobilização da comunidade, até a realização de atividades relacionadas ao cuidado. Sendo assim, o acesso aos serviços de saúde tem sido objeto de análise na literatura, demarcando a existência de barreiras aos usuários como filas para marcação de consulta e atendimento, bem como estratégias para sua superação. Visando a facilitação do acesso dos usuários aos serviços de saúde, os ACSs possuem atribuições referentes ao acesso aberto em relação à organização da marcação de consultas mais ágeis, buscando intervir na redução dos agendamentos em longo prazo e diminuindo o tempo de espera para consultas e procedimentos. Este sistema procura equilibrar a oferta em relação à demanda, adequando às práticas desenvolvidas na APS, além de planos de contingência para circunstâncias adversas que são apresentadas no cotidiano dos serviços de saúde, contribuindo para a resiliência dos sistemas de saúde.. Objetivo para confecção do produto: Identificar as percepções dos ACS sobre os principais aspectos que afetam a concretização de suas atribuições referentes à facilitação do acesso dos usuários aos serviços de saúde disponíveis.. Metodologia e processo de produção: Trata-se de um estudo de caso observacional de natureza quantitativa cujos procedimentos de coleta tiveram como fontes de informação um survey telefônico com ACSs do Município do Rio de Janeiro (RJ). As entrevistas foram assistidas por computador. Os entrevistadores foram submetidos a um treinamento conduzido pela equipe de pesquisa. Sendo assim, 759 entrevistas foram completadas, totalizando a amostra do estudo. Inicialmente, procedeu-se com as análises descritivas visuais, por meio da construção de gráficos a partir da biblioteca (Likert) via software estatístico R Studio, versão 2023.06.0. Após a realização destas análises introdutórias, foi criada uma variável resposta global da percepção dos ACSs, com base na proporção de contagens de respostas em cada uma das categorias no total de perguntas e, após a criação da variável, esta foi categorizada em três classes de escala Likert para que ficasse na mesma escala das demais variáveis do questionário. Dessa forma, resultaram as categorias: “Não Interfere” (com proporção de 0 a 15%), “Interfere Pouco” (com proporção de 15 a 35%) e “Interfere” (com proporção de 35 a 100%).. Resultados: Apenas as variáveis sexo, idade e tempo de trabalho contribuem para uma menor chance de o agente de saúde classificar como alta interferência no dia a dia do trabalho e no cadastro (OR. Análise crítica e impactos sociais do produto: A visita domiciliar é a principal atividade desenvolvida pelos ACS, que são realizadas nos domicílios para acompanhamento dos grupos prioritários, como doentes crônicos e para realizar o cadastramento familiar. Diante dos desafios do seu cotidiano laboral (como a violência nos territórios, atendimento a famílias em extrema vulnerabilidade social e infraestrutura precária) é gerada sobrecarga laboral para o cumprimento das suas atividades. Os resultados da pesquisa mostram que os ACS enfrentam dificuldades para realizar as visitas domiciliares, um dos principais instrumentos para conceber o acesso as populações dos territórios vulneráveis. Contudo, estes profissionais buscam formas diferenciadas de adaptações para realizar suas atividades, buscando superar as adversidades encontradas no território, o que causa impacto positivo no acesso aos serviços de saúde, principalmente, no que tange a atenção primária à saúde. O escopo de práticas dos ACS é complexo e abrangente, incluindo a articulação de outras políticas públicas no território, como as políticas de benefícios sociais, portanto, quando os ACS conseguem desempenhar suas atividades, principalmente as visitas domiciliares, constituem uma potencialidade para expansão do acesso aos serviços de saúde para os moradores das comunidades com vulnerabilidade social, assim como para o acompanhamento adequado dos doentes crônicos.. Referências:
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