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Apresentação/Introdução: O curso de especialização em Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde foi uma estratégia adotada pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde para capacitar equipes gestoras, tendo em vista apoiar a estruturação de uma rede de gestores que se dedicam ao tema e avançar na democratização das relações de trabalho e melhoria das condições das práticas profissionais e atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). O curso foi desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, oferecido na modalidade à distância, entre os anos de 2012 a 2019, para equipes gestoras do SUS de todas as regiões do Brasil. Teve como objetivo qualificar os processos de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, através da capacitação dos profissionais que atuavam nas dimensões políticas, técnica e administrativa nas secretarias de saúde. O curso formou 1793 profissionais. A proposta pedagógica utilizada foi a metodologia problematizadora, integrando o ensino ao trabalho. O trabalho de conclusão do aluno foi um projeto de intervenção, orientado pela análise sistemática e estratégica de situações-problemas, vinculado à tomada de decisões para resolvê-las. O projeto não se limitava apenas a uma atividade acadêmica tradicional, mas a uma proposta político institucional, que possibilitava contribuições reais para solução de problemas presentes na gestão dos serviços de saúde.. Objetivos: Analisar as repercussões do curso de especialização em Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde na prática profissional a partir da execução dos projetos de intervenção.. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, com abordagem quantitativa, o qual percorreu as seguintes etapas: Definição de uma população de interesse; Estudo da população por meio da realização de censo ou amostragem de parte dela; Determinação da presença ou ausência do desfecho e da exposição para cada um dos indivíduos estudados. A população foi constituída por alunos egressos do Curso de Especialização. Os dados foram coletados através de um questionário online por meio do google forms que foi enviado ao e-mail dos egressos. O cálculo amostral foi condicionado ao retorno do questionário respondido, do qual foram obtidas 373 respostas. A pesquisa teve a maior parte de seus respondentes concentrados na região Sudeste do Brasil (29%), seguido das regiões Nordeste e Sul, ambas com 21,4%, Centro-Oeste (19%) e Norte (9,1%).Os dados foram analisados de acordo com a estatística descritiva utilizando números absolutos e percentuais para as variáveis qualitativas e medidas de tendência central e dispersão para as variáveis quantitativas. A análise foi realizada através do software Jamovi. A pesquisa seguiu os preceitos éticos com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFRN.. Resultados e Discussão: Os trabalhos de Conclusão do Curso foram na modalidade Projeto de Intervenção, compreendendo como uma proposta construída para resolver problemas, se articulando dessa forma a concepção pedagógica adotada pelo curso da problematização, correspondendo a etapa da formulação de hipótese de soluções. Analisando os projetos de intervenção apresentados, 63,1% dos respondentes desenvolveram na área de Gestão do Trabalho e os demais na área de Gestão da Educação. Foi indagado se o projeto foi implantado e 39,7% afirmaram que parcialmente, 37% não implantaram e 23,3% responderam que sim. Sendo importante evidenciar que considerando os que informaram ter ocorrido uma implantação parcial, 63% apontam algum nível de implantação das ações previstas. Com relação aos resultados obtidos com a implantação do projeto de intervenção os egressos afirmaram que houve melhoria na gestão (58,7%), melhor qualificação pessoal (49,8%) e contribuição para resolução do problema (34%). Já com relação às dificuldades enfrentadas na realização da intervenção 15% afirmaram não ter tido dificuldades e os demais respondentes afirmaram como principal causa a falta de apoio da gestão (31,6%), seguido da não adesão de outros profissionais (22,8%) e limite financeiro (11,8%), além de outras dificuldades (18,8%). Para além do mencionado, as causas e obstáculos que inviabilizaram a realização da intervenção, a saber: A intervenção não foi prioridade na instituição (43,2%); Não houve interesse da instituição (24%); Inviabilidade financeira (11,4%); Não houve empenho da parte do próprio profissional envolvido (5,7%).. Conclusões/Considerações finais: Os resultados da pesquisa demonstram que o curso provocou repercussões na prática profissional dos egressos do curso a partir de mudanças implementadas, mesmo diante de obstáculos ou dificuldades apontadas, inerentes aos diversos contextos sociais e políticos. A estratégia metodológica utilizada no curso contribuiu fortemente para a identificação de problemas presentes no cotidiano da gestão e a proposta de soluções através de projetos que modificaram algumas realidades. Destaca-se ainda há dificuldades ou falta de prioridade dos níveis de gestão superiores para desenvolver projetos da área de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde. Ademais, como limitações da pesquisa têm-se a não participação de todos os egressos e o tempo após a realização dos cursos.. Referências: BASTOS, J.L.D. ; DUQUIA, R.P. Um dos delineamentos mais empregados em epidemiologia: estudo transversal. Scientia Medica. 2007; 17 (4): 229-32. CASTRO, Janete Lima; DIAS, Maria Aparecida; VILAR, Rosana Lúcia Alves de. Quando o trabalho e a educação se encontram no SUS: trajetória de uma experiência. Qualificação da Gestão do Trabalho no SUS: registro de uma experiência [recurso eletrônico] / organização Janete Lima de Castro, Rosana Lúcia Alves de Vilar e Maria Aparecida Dias. — 1. ed. — Natal: Una, 2O21. HOCHMAN, Bernardo et al. Desenhos de pesquisa. - Acta Cirúrgica Brasileira - Vol. 20 (Supl. 2) 2005 XAVIER, Shirlei da Silva; SAMPAIO Cristiane Teixeira; GOMES, Aline Lira Villafãne: NASCIMENTO, Rita de Cássia Sousa; ESPIRIDIÂO Monique Azevedo. Projetos de Intervenção em Saúde: construindo um pensamento .Divulgação em Saúde para Debate | Rio de Janeiro, N. 58, P. 285-295, JUL 2018.
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