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Apresentação/Introdução No contexto das mudanças climáticas, eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes e intensos. Em Belo Horizonte, as chuvas sazonais causam enchentes, alagamentos e deslizamentos. Essas consequências causam danos materiais e afetam o ambiente alimentar, a infraestrutura e o bem-estar físico, social e mental, gerando exposição a fatores de risco para doenças e agravos não transmissíveis, além de provocar doenças infecciosas e pela contaminação da água. Os riscos desses eventos têm causas múltiplas e complexas, exigindo estratégias diversificadas para mitigação e resiliência, uma vez que interagem com iniquidades sociais historicamente consolidadas nos territórios e condições de saúde. Esse cenário demanda inovação na formulação de políticas públicas, colaboração entre atores sociais e novas formas de produzir conhecimento científico para informar políticas e enfrentar crises socioambientais [1]. Propomos aqui uma abordagem de sistemas complexos, por permitir o diálogo entre atores sociais e a construção participativa de um modelo que reflita o entendimento compartilhado das interconexões entre os riscos climáticos, a urbanização e a saúde [2,3]. Buscamos oferecer uma contribuição metodológica inovadora para pesquisas práticas e aplicadas para uma construção intersetorial e interdisciplinar. Objetivos Mapear e compreender estratégias de mitigação e resiliência frente a eventos climáticos (chuvas intensas) e suas consequências, em Belo Horizonte, a partir da construção participativa de um diagrama de laços causais (DLC) que reflita um entendimento compartilhado do problema. Metodologia Como parte do projeto Rede Global de Investigação sobre Dieta e Atividade Física (GDAR)[4], uma investigação sobre como as mudanças climáticas interagem com os ambientes físicos, políticos e sociais e influenciam a saúde, esse trabalho envolveu, nove pessoas, adultas, homens (4) e mulheres (5), representantes da sociedade civil de comunidades potencialmente afetadas por riscos climáticos (2), da gestão pública (5), de grupos de advocacy (2), além de quatro moderadores da nossa equipe de pesquisa. O método foi desenvolvido em seis fases: 1. Treinamento online em sistemas complexos e construção participativa de diagramas de laços causais (DLC), para a equipe de pesquisa; 2. Entrevistas com os participantes para a construção de DLC individuais; 3. Análise temática das estratégias e variáveis presentes nos DLC individuais; 4. Consolidação dos DLC individuais em um DLC-síntese a partir das categorias temáticas desenvolvidas; 5. Oficina participativa presencial com todos os participantes para revisar, corrigir e validar o DLC-síntese; 6. Refinamento do DLC-síntese, ilustrativo de um modelo mental compartilhado sobre estratégias para resiliência frente a eventos climáticos em BH. Resultados e Discussão O DCL final é formado por 20 variáveis, organizadas em 8 blocos temáticos e 27 relações: O bloco “Desigualdades e vulnerabilidades” inclui condições historicamente construídas e materializadas no tecido urbano. “Risco climático” indica os riscos e efeitos dos eventos associados às chuvas intensas, incluindo inundações e deslizamentos e efeitos diretos à saúde como perdas de vidas, perdas materiais, contaminação da água e doenças infecciosas. O bloco “Doenças e agravos não transmissíveis (DANT) e fatores de risco” desdobra esses efeitos para o médio e longo prazo na saúde. Em “Ação coletiva” estão ações da sociedade civil diante dos eventos climáticos, seja por iniciativas autônomas ou nas instâncias oficiais. O bloco “Poder público” inclui tanto estruturas consolidadas e funções de médio e longo prazo, como mobilização e ação imediata frente aos eventos extremos. Em “Preparação para enfrentamento” estão elementos educacionais, informacionais, subjetivos e materiais do enfrentamento aos eventos. “Visibilidade do problema” inclui o registro e repercussão dos eventos e das ações e comunicação sobre eles. Por fim, “Sentimento de pertencimento” diz respeito às relações históricas e afetivas das pessoas com os territórios. Observamos ciclos de reforço significativos no sistema conectando as variáveis de “preparação para o enfrentamento” com “ação coletiva” e “poder público”, em importante conexão com “ visibilidade do problema”, apontando para a importância da educação e formação sustentadas ao longo do tempo nos territórios e da articulação entre setores e entidades com ações complementares. Outro ciclo importante conecta a urbanização planejada e equitativa e a prevenção de riscos e diminuição das iniquidades e vulnerabilidades sociais e territoriais. Conclusões/Considerações finais O entendimento compartilhado das interconexões entre os riscos climáticos, a urbanização e a saúde, no cenário de Belo Horizonte, reforçou a importância de um planejamento urbano sensível à saúde e à equidade, com participação popular. Ainda destacou-se a centralidade do monitoramento dos eventos e da produção e divulgação de informações específicas para os diversos territórios urbanos, além da ação articulada entre diversos setores do poder público e da sociedade civil. A construção participativa de modelos de laços causais para problemas complexos se mostra um método promissor na pesquisa prática e aplicada no campo do engajamento intersetorial em políticas de saúde [5], revelando novas dimensões e possibilidades de articulações mais efetivas entre atores para promover estratégias de resiliência mais sustentáveis, equitativas e efetivas. Referências 1. Datola, G; et al. Operationalising Resilience: A Methodological Framework for Assessing Urban Resilience through System Dynamics Model. Ecol. Modell. 2022. 2. Guariguata, L.; et al. Using Group Model Building to Describe the System Driving Unhealthy Eating and Identify Intervention Points: A Participatory, Stakeholder Engagement Approach in the Caribbean. Nutrients 2020. 3. Langellier, B.A.; et al. Using Community-Based System Dynamics Modeling to Understand the Complex Systems That Influence Health in Cities: The SALURBAL Study. Heal. Place 2019. 4. Oni, T.; et al. The Global Diet and Activity Research (GDAR) Network: A Global Public Health Partnership to Address Upstream NCD Risk Factors in Urban Low and Middle-Income Contexts. Global. Health 2020.. 5. Morais, L.M. de O.; et al. Promoting Knowledge to Policy Translation for Urban Health Using Community-Based System Dynamics in Brazil. Heal. Res. Policy Syst. 2021.Apresentação/Introdução: A legislação nacional de execução penal estabelece como direito humano básico, às pessoas privadas de liberdade (PPL), a assistência material que inclui o fornecimento de alimentação. No campo da saúde, a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e o Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional têm o propósito de melhorar as condições de alimentação, nutrição e saúde da população. Nesse sentido, o sistema e-SUS AB inseriu, na coleta de dados simplificada, um formulário para avaliação de marcadores de consumo alimentar do dia anterior, viabilizando o reconhecimento precoce de alimentos e/ou comportamentos que se relacionam à alimentação saudável ou não saudável (Brasil, 2015). No cenário nacional, levantamentos sobre o consumo de alimentos foram realizados em inquéritos populacionais, dentre eles a Pesquisa de Orçamentos Familiares (Pof, 2020) para inferir sobre o perfil de consumo da população brasileira com 10 anos ou mais de idade, de acordo com as regiões geográficas, renda e local de residência. Todavia, apesar de todos os esforços, existe reconhecida lacuna no conhecimento do padrão de consumo alimentar, tanto individual quanto coletivo, no âmbito de unidades prisionais, considerando que o consumo não se restringe aos alimentos disponibilizados pelo sistema penitenciário.. Objetivos: Avaliar os marcadores do consumo alimentar de pessoas privadas de liberdade, sob tutela do estado.. Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, realizado no período de novembro de 2022 a dezembro de 2023, após parecer 5.662.467 CEP/UEPB que atestou cumprimento das recomendações éticas. Participaram do estudo PPL das onze penitenciárias que possuem equipes de atenção primária prisional implantadas na Paraíba. A coleta dos marcadores de consumo alimentar foi realizada a partir do registro individual, na ficha impressa do sistema de Coleta de Dados Simplificada (CDS) do e-sus APS. O formulário, com apresentação em blocos de questões de preenchimento obrigatório, respeitando-se os casos de opção de múltipla escolha (sim/não/não sabe), foi aplicado com 165 PPL, após realização de cálculo amostral proporcional, por unidade prisional, garantindo a representatividade da população, entre aqueles que estavam na unidade há mais de seis meses. A análise estatística descritiva apresenta valores relativos e absolutos dos marcadores de consumo alimentar dos participantes. Para interpretar os marcadores saudáveis, considerou-se adequado quando 80% consumiram esses alimentos; para os não saudáveis, considerou-se adequado quando não houve o registro do consumo (Silva et al, 2022).. Resultados e Discussão: A partir dos dados do recordatório de 24 horas, foram avaliados os marcadores de consumo alimentar de 165 PPL sendo 51,51% (n=85) autodeclaradas pardas, 45,45% (n=75) com ensino fundamental incompleto e média de idade de 43 anos. Dentre o grupo de marcadores saudáveis, o consumo de feijão foi considerado adequado para 80% (n=132). Ao passo que o consumo de frutas frescas e verduras/legumes, foi considerado não adequado, respectivamente para 55,15 % ( n=91) e 50,9% (n=84). Ao avaliar o registro dos marcadores não saudáveis, 55,15% (n=91) consomem hambúrguer e/ou embutidos, 60,6% (n=100) bebidas adoçadas, 56,36% (n=93) biscoito recheado, doces ou guloseima e, 50,9% (n=84) macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote ou biscoitos salgados. Todavia há de se registrar que 72,12% (n=119) consomem alimentos que vêm de fora da unidade, em dias de visita e após a entrega de feiras. Por fim, quando questionados sobre quais as refeições realizadas ao longo do dia, 93,33% (n=154) afirmaram realizar 3 refeições ou mais; 41,21% (n=68) avaliaram a alimentação fornecida pela unidade como sendo em quantidade adequada e, 33,93% (n=56) de boa qualidade. Destaca-se a ingestão de alimentos do grupo dos processados e ultraprocessados. Todavia, esses alimentos integram o rol daqueles que as famílias entregam, com permissão, quando visitam, afinal são, na grande maioria, de validade estendida e fácil armazenamento. Essa complementação pode além de individualmente comprometer os marcadores de consumo alimentar, ocasionalmente conferir status e poder entre as PPL e tensionar as relações internas, refletindo a complexidade e desafio do sistema penitenciário nacional.. Conclusões/Considerações finais: A avaliação nutricional indireta, a partir dos marcadores de consumo alimentar em unidades prisionais reflete a qualidade da alimentação, com destaque para consumo de feijão, dentre os marcadores saudáveis e, de forma geral, elevado consumo entre os não saudáveis. Conclui-se indicando a necessidade de: atuação da equipe de saúde para o estímulo à adoção de práticas alimentares mais saudáveis entre as PPL e familiares; registro contínuo e regular do que a unidade fornece e, do que entra nos pavilhões e, por fim uma ação articulada e progressiva entre os setores da segurança pública e saúde para promoção da segurança alimentar e nutricional como estratégia no sistema prisional, que garanta a saudabilidade da alimentação e efetivamente modifique os indicadores.. Referências:
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