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Apresentação/Introdução: O processo de trabalho nas instituições públicas de saúde envolve uma série de ações e práticas diárias influenciadas por objetivos, metas, rotinas e protocolos pré-estabelecidos. Essas práticas refletem a construção da identidade de cada trabalhador e são permeadas por relações sociais, culturais, econômicas e políticas (Minayio, 2010). No contexto da gestão de saúde, as micropolíticas e os micropoderes desempenham um papel crucial nas interações diárias e na tomada de decisões (Merhy, 1997). As organizações de saúde estaduais no Brasil, influenciadas por diversas forças políticas e sociais, exemplificam como esses pequenos poderes operam e afetam a eficiência e a qualidade dos serviços de saúde (Cecílio, 2009). Este estudo investiga o impacto da micropolítica e do micropoder na gestão de leitos do Núcleo Interno de Regulação (NIR) em instituições públicas de saúde na Bahia. A relevância do tema é destacada pela necessidade de compreender como as dinâmicas de poder no cotidiano afetam a prática de gestão e, consequentemente, a qualidade do atendimento prestado à população.. Objetivos: O objetivo principal deste estudo é analisar como as micropolíticas e os micropoderes influenciam as práticas diárias dos trabalhadores do Núcleo Interno de Regulação (NIR) na gestão de leitos em instituições públicas de saúde na Bahia. Especificamente, pretende-se: 1) Identificar as práticas de gestão e organização no NIR; 2) Avaliar o impacto dessas práticas na eficiência e qualidade do atendimento; 3) Explorar as relações de poder e influências políticas no cotidiano dos trabalhadores do NIR.. Metodologia: Este estudo adota uma abordagem qualitativa, utilizando entrevistas semiestruturadas com trabalhadores do Núcleo Interno de Regulação (NIR) em diversas instituições públicas de saúde na Bahia. A seleção dos participantes será baseada em critérios de inclusão que consideram a experiência e o tempo de atuação no NIR. As entrevistas serão gravadas ou escritas e transcritas para análise de conteúdo, buscando identificar temas recorrentes relacionados às práticas de gestão, organização e relações de poder (Bardin, 2011). Além disso, serão analisados documentos institucionais e políticas de saúde relevantes para contextualizar os achados e fornecer uma compreensão mais ampla do impacto da micropolítica e micropoder na gestão de leitos. A análise de dados seguirá o método de análise temática, permitindo a identificação de padrões e categorias significativas que emergem dos relatos dos participantes.. Resultados e Discussão: Os resultados preliminares indicam que a micropolítica e os micropoderes têm um impacto significativo nas práticas diárias dos trabalhadores do NIR. As entrevistas revelaram que as decisões de gestão são frequentemente influenciadas por relações pessoais e políticas, o que pode afetar a alocação de recursos e a eficiência do atendimento (Merhy, 1997). A análise documental corroborou esses achados, mostrando que as políticas institucionais nem sempre são seguidas à risca, devido a pressões externas e internas (Cecílio, 2009). Por exemplo, a influência de políticos locais nas decisões de admissão e alta de pacientes foi mencionada como um fator que interfere na gestão eficiente dos leitos (Cardoso, 2021). A discussão aborda como essas dinâmicas de poder se manifestam no dia a dia dos trabalhadores e sugere que uma maior transparência e impessoalidade nas decisões poderia melhorar a qualidade dos serviços prestados. Além disso, destaca-se a necessidade de capacitação contínua dos gestores para lidar com essas influências e manter o foco nos objetivos institucionais (Minayo, 2010).. Conclusões/Considerações finais: A pesquisa conclui que a micropolítica e o micropoder são elementos centrais na gestão de leitos em instituições públicas de saúde. Embora essas práticas possam facilitar a resolução de problemas imediatos, elas também podem comprometer a equidade e a eficiência do sistema de saúde a longo prazo. É essencial que gestores de saúde reconheçam e abordem essas dinâmicas para melhorar a gestão de leitos e assegurar um atendimento mais justo e eficiente. Recomendam-se políticas que promovam a transparência e a accountability na alocação de recursos e que fortaleçam a governança democrática nas instituições de saúde (Merhy, 1997; Cecílio, 2009; Bardin, 2011).. Referências: 1. Bardin, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011. 2. BRASIL. Portaria de Consolidação n.º 2 de 28/09/2017. Institui a Política Nacional de Atenção Hospitalar (PNHOSP). 3. CARDOSO, F. M. C. Micropolítica e saúde: produção do cuidado, gestão e formação. Serv. Soc. Saúde, v. 20, p. e021013-e021013, 2021. 4. COELHO, T. C. B.; PAIM, J. S. Processo decisório e práticas de gestão: dirigindo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, Brasil. Cad. Saúde Pública, v. 21, n. 5, p. 1373-1382, 2005. 5. MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 9. ed. São Paulo: Hucitec, 2006. 6. MERHY, E. E. Em Busca do Tempo Perdido: A Micropolítica do Trabalho Vivo em Saúde. In Merhy, E. E., & Onocko, R. (Eds.), Agir em Saúde: Um Desafio para o Público. São Paulo: Hucitec, 1997..
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