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Resumo

Apresentação/Introdução: O uso de tecnologias, como aplicativos de celular, é cada vez mais requisitado à população idosa, inclusive para a gestão de sua aposentadoria. No entanto, a baixa inclusão digital da pessoa idosa ainda é um desafio para a sociedade brasileira, com importantes repercussões na perda de autonomia, indicador de funcionalidade da pessoa idosa, e no acesso confiável a informações de cuidado em saúde. Conhecer o perfil das pessoas idosas com dificuldade no acesso às tecnologias é uma importante estratégia para a condução das políticas públicas de inclusão digital.. Objetivos: Analisar o perfil da população idosa com baixa proficiência em dispositivos móveis.. Metodologia: Foi desenvolvido um estudo seccional junto ao universo de 311 pessoas idosas participantes de grupos de convivência no município do Recife-PE, com coleta de dados realizada por meio de entrevista e aplicação de protocolos entre 2023 e 2024. A proficiência no uso de dispositivos móveis foi mensurada por meio do protocolo Mobile Device Proficiency Questionnaire. A média do escore MDPQ varia de 08 a 40 pontos. Foram considerados como pontos de corte: 08 a 16 (baixa proficiência), 16 a 24 (moderada proficiência) e 24 a 40 (alta proficiência). Foi realizada análise de distribuição de frequência e análise de associação bivariada (teste qui-quadrado com nível de significância de 5%) entre variáveis sociodemográficas e a proficiência no uso de dispositivos móveis.. Resultados e Discussão: A maioria da população estudada apresentou baixa (42,8%) e moderada (40,8%) proficiência em dispositivos móveis. Segundo Raja et al. (2023), a baixa competência digital entre as pessoas idosas pode colocar em risco o seu bem-estar e a dignidade humana. Os maiores percentuais de baixa proficiência foram identificados nas populações com 80 ou mais anos de idade, sexo feminino, raça-cor branca e parda, que vive sem companheiro, analfabetas, com baixa escolaridade, sem trabalho atual e participantes de grupos comunitários autogeridos e grupos de convivência ligados aos centros de referência em assistência social. Segundo Krug, Xavier e d’Orsi (2018), apesar de o uso da internet estar aumentando entre os idosos, a maior parte dessa população ainda é digitalmente excluída, especialmente as mulheres de menor renda e escolaridade. A análise bivariada revelou significância estatística para as variáveis escolaridade e tipo de grupo de convivência. A identificação de associação entre a baixa proficiência no uso de dispositivos móveis e a baixa escolaridade reforça a importância do desenvolvimento de políticas educacionais voltadas à população idosa e integradas às ações de inclusão digital. Diniz et al. (2020) indicam que a aliança entre educação e inclusão digital torna possível o planejamento e a operacionalização de ações qualificadas em promoção da saúde. A evidência de maiores contingentes de pessoas idosas com baixa proficiência participantes de grupos vinculados à assistência social indica a vinculação da baixa proficiência com a vulnerabilidade social. A condução de políticas equitativas deve considerar o reforço de ações junto a esse grupo de pessoas idosas.. Conclusões/Considerações finais: A população idosa participante de grupos de convivência apresentou baixa proficiência em dispositivos móveis, associada significativamente à baixa escolaridade e à participação em grupos de assistência social. Os achados do presente estudo indicam elementos importantes para a condução de políticas de inclusão digital de pessoas idosas, com enfoque na educação e em ações integradas à assistência social.. Referências: Diniz JL, Moreira ACA, Teixeira IX, Azevedo SGV, Freitas CASL, Maranguape IC. Inclusão digital e o uso da internet pela pessoa idosa no Brasil: estudo transversal . Rev Bras Enferm. 2020;73(Suppl 3): e20200241. Doi: 10.1590/0034-7167-2020-0241 KrugI RR, Xavier AJ, d’OrsiI E. Fatores associados à manutenção do uso da internet, estudo longitudinal EpiFloripa Idoso. Rev Saude Publica. 2018;52:37. Doi: 10.11606/S1518-8787.2018052000216 Raja M, Kymre IG, Bjerkan J, Galvin KT, Uhrenfeldt L. National digital strategies and innovative eHealth policies concerning older adults‘ dignity: a document analysis in three Scandinavian countries. BMC Health Serv Res. 2023 Aug 10;23(1):848. doi: 10.1186/s12913-023-09867-w.

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Eixo Temático
  • Eixo 02 - Populações vulnerabilizadas e invisibilizadas: reparação e saúde como direito de cidadania