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Contextualização Este trabalho ampara-se numa ideia de saúde mental sustentada pela Reforma Psiquiátrica e pelo Movimento Antimanicomial, enaltecendo a importância de uma participação social e profissional para a manutenção de um sistema de saúde humanizado e equânime. Em 2024, em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, algumas movimentações em torno da discussão em prol da saúde, política e cuidado em liberdade para pessoas em sofrimento psíquico compuseram uma agenda de intervenções que acabou contando com mobilizações de distintas esferas da sociedade, dentre usuários, familiares, trabalhadores e universidade, na perspectiva de defesa de uma Rede de Atenção Psicossocial mais fortalecida. Este relato baseia-se, assim, em uma dessas atividades, ministrada pelo Programa de Arte, Saúde e Garantia de Direitos (PASÁRGADA), vinculado ao curso de Psicologia da Universidade Federal do Ceará. A partir da perspectiva de promoção de cuidado vinculada ao trabalhador, bem como à discussão sobre os percalços atuais que marcam o funcionamento e operação do serviço no dia a dia, esse momento fez-se necessário, ao possibilitar a voz não só das queixas, mas também dos pontos positivos do cotidiano dessa equipe, buscando a construção ativa de um ambiente potencializador frente a uma onda de desamparo das políticas de investimento e gestão que vem assolando a rede de atenção à saúde. Descrição da Experiência Essa proposta contou com dois momentos, um senso-corporal em prol da saúde mental e do cuidado com esses trabalhadores, e outro, de discussão e troca, que é o foco desta apresentação. Nessa atividade, integrantes do Pasárgada se deslocaram ao equipamento referido para conversar e debater sobre pontos positivos e negativos envolvidos na prática do trabalho na RAPS do estado do Ceará, naquela unidade substitutiva. Enquanto os profissionais relataram suas queixas e seus elogios ao cotidiano de trabalho, a conversa foi sendo materializada em uma cartolina, com escritas e ilustrações que iam aparecendo e que melhor sintetizavam as ideias que estavam sendo ditas. Ao final, tudo foi lido e colocado para eles, numa perspectiva de reconhecimento e apropriação, e como encaminhamento, saiu a ideia de expor tudo aquilo no espaço do CAPS para todos acessarem. Posterior a esse momento de exposição pelos profissionais, dialogamos sobre a relevância da mobilização em prol da Luta Antimanicomial e sobre os atravessamentos entre a luta e o cotidiano dos funcionários do referido CAPS, evidenciando potencialidades e queixas referente ao cuidado. Objetivo e período de Realização Objetivou debater os empecilhos e os pontos positivos do cotidiano do trabalhador na atenção psicossocial, fazendo relação entre a qualidade do cuidado e o dia-a-dia do serviço, com suas disputas e insurgências, como perspectivas que se aliam, também, à Luta Antimanicomial. A realização desse momento se deu, em especial, para evidenciar olhares mais sensíveis aos trabalhadores de saúde mental, que carecem de uma atenção, sendo realizado pela manhã, durante uma reunião da equipe da unidade. Resultados Como resultados desse diálogo com os profissionais atuantes neste equipamento, obtivemos uma listagem das falas separadas em pontos positivos e negativos, que evidenciaram as dificuldades e insurgências de atuar neste CAPS. Podemos destacar uma nítida frustração pela impossibilidade de atender às expectativas de trabalho, dado que muito foi dito sobre a falta de recursos e de profissionais suficientes para atender à demanda, assim como a ausência de uma formação continuada, o que provoca uma angústia nos profissionais, por não terem condições de promover um cuidado integral, equânime e que atenda às reais necessidades da população que acessa o serviço. A necessidade e a dificuldade de “reinventar” o cuidado no serviço diariamente, surgem em uma das falas ditas por um profissional naquele momento: o “fazer das tripas, coração” que entoa o discurso, abre caminhos para pensar a potencialidade de uma equipe que tenta se adaptar diante de um contexto de desassistência, mas também, que, devido à falta de insumos e de investimentos públicos, acaba entrando num movimento de tentativa de se desdobrar, para suprir uma impossível demanda,desgastando e adoecendo o cotidiano de trabalho. Aprendizado e Análise Crítica Pensar na luta antimanicomial vai muito além de uma ideia física de fechar manicômios e de discutir sobre os cárceres que aprisionam um sujeito, uma vez que ideias manicomiais refletem-se na privação de cuidado e carência de uma atenção básica. É em prol do cuidado em liberdade que o movimento se baseia, juntamente a causas políticas e sociais, buscando uma atenção psicossocial de qualidade para a população. A partir dessa atividade, fica evidente a importância de uma participação social, assim como profissional, no que diz respeito à construção de uma rede de saúde mental de qualidade. Os empecilhos que atravessam o cotidiano dos trabalhadores da saúde mental acabam por tornar não só automatizado, mas também defasado, o trabalho neste campo. Trazer uma qualidade de saúde mental que atue em consonância com os princípios da Reforma Psiquiátrica está intrinsecamente relacionado à promoção de um bem-estar aos trabalhadores dos CAPS, seja dando vez aos diálogos com funcionários e buscando solucionar as demandas requeridas, seja fomentando atividades de integração da equipe, uma vez que esse ponto acaba por incentivar uma qualidade do trabalho, como os próprios funcionários evidenciaram durante a intervenção, ou ainda, estimulando a participação política que atua na luta e reivindicação por melhorias sistemáticas desse cenário de contrarreforma. Referências Lüchmann, Lígia Helena Hahn e Rodrigues, Jefferson. O movimento antimanicomial no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva [online]. 2007, v. 12, n. 2 [Acessado 10 Junho 2024], pp. 399-407. Disponível em: . Epub 09 Maio 2007. ISSN 1678-4561. https://doi.org/10.1590/S1413-81232007000200016Contextualização: No Brasil existem muitas pessoas que exercem sua atividade laboral nos centros comerciais municipais. Os mercados públicos são locais de grande comercialização de produtos e serviços. Grande parte dos trabalhadores e trabalhadoras atuantes nesse tipo de local possui sua situação no mercado de trabalho caracterizada por ser autônoma ou, por vezes, trabalhador avulso, o famoso “bico”. Em Vitória de Santo Antão - PE, muitos comerciantes de frutas, verduras, legumes e hortaliças além de realizarem o cultivo durante a semana, são os mesmos que realizam a venda ao consumidor final nas feiras livres. O município conta com mais de 90% da cobertura populacional pela estratégia de saúde da família, inclusive muitas com o horário estendido, mas mesmo assim percebe-se que essa população possui pouco tempo para destinar a sua saúde, sendo necessários programas estratégicos para minimização do adoecimento dos mesmos e garantia assistencial de forma universal, de modo que sejam assegurados todos os serviços disponibilizados na rede de atenção à saúde em caráter integral.. Descrição da Experiência: Inicialmente como planejamento para a estratégia do projeto Feira Viva, foram realizadas reuniões integradas entre a Secretaria Executiva de Atenção Primária e Vigilância em Saúde, diretorias de Vigilância em Saúde e Atenção Primária e coordenação em Saúde do Trabalhador para definição de fluxo, locais estratégicos, calendário de execução, equipes de saúde envolvidas e processo de trabalho. Após essa etapa foram definidos como pontos de trabalho/ação o mercado Cibrazém (grande mercado público) e as feiras livres nos bairros de Lídia Queiroz e Maués. Dentre as ações ofertadas destacam-se: testagem/vacinação; triagem sorológica para HIV, Sífilis, Hepatite B e C; teste glicêmico e aferição de pressão; distribuição de hipoclorito de sódio com cartilha de instrução para uso; mobilização quanto ao autocuidado e cuidados básicos com a saúde; divulgação do programa saúde até mais tarde para busca de consultas médicas após o expediente; distribuição de panfletos informativos; promoção de hábitos de higiene alimentar e pessoal; parceria com odontomóvel para dias específicos. Enquanto equipe, participam enfermeiros, técnicos de enfermagem, estagiários em cursos da saúde articulados com a educação permanente municipal, além da equipe de Vigilância em Saúde e coordenação em Saúde do Trabalhador que articula todo material, insumo, infraestrutura e local para realização da Feira Viva.. Objetivo e período de Realização: Este trabalho tem como objetivo descrever as ações em saúde do projeto Feira Viva para os trabalhadores e usuários das feiras livres do município de Vitória de Santo Antão – PE, realizadas no período de agosto de 2021 a maio de 2024.. Resultados: Durante o período de realização do projeto Feira Viva foram organizadas mais de 65 ações nas feiras livres no município de Vitória de Santo Antão - PE, onde em cada uma foram atendidas em média 300 pessoas, entre trabalhadores e usuários. Foi possível observar um aumento da procura e da vinculação comunitária aos serviços de saúde pela população, em especial das unidades de saúde que possuem ampliação em seu horário de atendimento. Durante essas ações é notório o interesse aos cuidados com a saúde que se despertaram nos trabalhadores/usuários, a necessidade de autocuidado durante o processo de trabalho, impactando positivamente em um contexto previamente marginalizado. Outro fator importante a ser destacado é a aproximação das equipes de saúde com a comunidade, que favorece a escuta ativa sobre as necessidades sociais, possibilitando a melhoria e o fortalecimento do sistema de saúde municipal. A comunicação prática entre a gestão do município de Vitória de Santo Antão - PE e a comunidade da feira livre são imprescindíveis para um diálogo favorecendo a troca mútua de experiências e atuação profissional capacitada, possibilitando a transformação de questões sociais.. Aprendizado e Análise Crítica: Fica em destaque a importância e o impacto do planejamento do Projeto Feira Viva evidenciando principalmente a aproximação de ações em saúde voltadas para os comerciantes, trabalhadores informais e usuários da feira livre com o intuito de promover saúde e prevenir doenças, ampliando a disseminação da informação científica e valorização social. A Feira Viva é um projeto diferencial para a garantia de qualidade de vida de todo um contexto familiar ocupacional que o município de Vitória de Santo Antão oferta e advém como uma possibilidade de ser aplicado em todo país. A experiência com esse projeto revela a capacidade de sensibilizar a sociedade quanto aos impactos do trabalhador no processo saúde-doença do indivíduo, a fim de alcançar assistência em saúde, sobretudo aos trabalhadores, e dessa forma atender aos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Acrescenta-se, ainda, que tal vivência de articulação dos serviços em saúde foi fundamental no município para a execução com êxito do projeto.. Referências:
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