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Contextualização O presente trabalho trata de um relato de experiência de uma visita a uma Unidade Básica de Saúde (UBS), realizada como avaliação da disciplina de Psicologia e Saúde Coletiva I, do curso de psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), sendo realizado por um grupo de 5 estudantes. A UBS caracteriza-se como a ‘porta de entrada’ do Sistema Único de Saúde (SUS), pois não apenas se pode acessar outros serviços de saúde mais complexos a partir deste, mas. também, por serem esses os locais que a população possui acesso aos Serviços Primários em Saúde (SECRETARIA DA COMUNICAÇÃO, 2024). Estes caracterizam-se como procedimentos de saúde que não necessitam de aparelhos com alta tecnologia ou atendimento específico, objetivando acompanhar e prevenir a população local de enfermidades através de diversos serviços. Além disso, observa-se uma maior quantidade desses equipamentos em relação aos hospitais. Nesses locais, é fornecido um serviço multidisciplinar, com diversos profissionais da saúde, e territorializado, com trabalhadores conhecedores das especificidades do território para garantir um serviço que esteja de acordo com as necessidades dos moradores da região. Assim, atesta-se a importância da assistência em saúde ser implicada com as lutas de cada território e com os saberes da comunidade como uma forma de aumentar o acesso às políticas públicas, sobretudo às de saúde mental. Descrição da Experiência O presente relato tem como base a visita a uma UBS de um bairro periférico do município de Fortaleza, onde foi possível dialogar com três profissionais de diferentes categorias, a saber: profissional de Psicologia, Agente Comunitário de Saúde (ACS) e auxiliar administrativo. Para a escolha da UBS a ser visitada, considerou a relação com o território, o qual 2 alunas já o habitavam por meio de projetos da faculdade, e o contato com a equipe, visto que um dos membros da equipe conhecia uma enfermeira do posto. O bairro no qual se situa UBS é periférico e marginalizado, marcado por lutas de territórios e por grande mobilização política por parte da população, possuindo um dos IDHs mais baixos de Fortaleza. Os diálogos com os profissionais buscaram mapear os principais desafios e potencialidades da unidade visitada, assim como sua relação e suas movimentações dentro do território. Destaca-se a importância dessa visita como forma de iniciação da aproximação de alunos universitários com o campo e das confluências que ocorrem entre a teoria acadêmica e a prática. Dessa forma, pôde-se aprender as diferentes formas como a psicologia se faz presente em meio a populações vulnerabilizadas e os modos de reinvenção da práxis para se adequar aos diversos contextos sociais; reiterando, assim, como a psicologia deve recriar suas teorias conforme as transformações sociais, não o contrário. Objetivo e período de Realização A visita foi realizada durante um turno, no mês de abril de 2024, levando cerca de 4 horas para conhecer o lugar e conversar com os profissionais que se disponibilizaram a acompanhar a equipe. O objetivo foi refletir acerca dos principais desafios para o cuidado em saúde mental na Atenção Primária à Saúde, implicado com as lutas do território, assim como as potencialidades desse engajamento na saúde coletiva. Resultados Durante a conversa com o profissional de Psicologia, foram relatadas diversas dificuldades acerca das brigas pelo território relacionadas às disputas de facções e à vulnerabilidade da população, o que se apresenta como um empecilho no engajamento da comunidade. Para as atividades de Psicologia, de acordo com o que nos foi explanado, é recomendada a priorização de sessões grupais para trabalharem em conjunto problemas comuns, como ansiedade, realizando triagens para definir quem possui perfil para os grupos. Porém, devido a conflitos dentro do território, pode haver desacordos entre participantes do grupo, preferindo que as questões levadas às sessões coletivas sejam genéricas. Outro desafio às atividades grupais é a falta de engajamento da população quando estas são realizadas no equipamento, ganhando maior adesão quando passaram a ser exercidas em conjunto com coletivos do próprio território. Dessa forma, percebe-se a importância dos serviços de saúde irem ao encontro da população. Destaca-se a necessidade de maior valorização dos funcionários das UBSs, os quais, sem qualquer orientação prévia,precisam buscar novas formações e recriar sua atuação para melhor atender a população. Aprendizado e Análise Crítica Pensar em saúde de qualidade não é apenas relacionar ao acesso a exames e a profissionais de saúde, mas também pensar em uma atuação implicada com as necessidades e os saberes de cada território com suas perspectivas comunitárias, assim como considerar os conflitos e as dificuldades da região, quando for realizado o planejamento das ações (MONKEN, 2005, p. 899). Ao visitar a UBS do relato em tela, situada em uma região marcada por conflitos de território entre as facções e com uma população que sofre com a marginalização da sua própria vida, percebe-se a importância de um cuidado, sobretudo relacionado à saúde mental, o qual não ignora a vulnerabilização que é imposta a essa comunidade, nem os conflitos de territórios que impedem a livre circulação da população. Em contrapartida, esse mesmo cuidado também deve considerar, para além dos desafios, as potencialidades existentes na comunidade, as movimentações políticas e sociais e as vivências no território, como uma forma, para além de aumentar o acesso aos dispositivos de saúde, de resistir e de combate às violências no cotidiano. Insistimos aqui na importância da implicação do cuidado, sobretudo o referente à saúde mental, o qual não pode ocorrer sem ouvir as pessoas, sem entender as lutas da população, sem aprender seus costumes, sem reconhecer a potencialidade própria do território e, também, sem se unir a essa reivindicação. Referências MONKEN, Maurício; BARCELLOS, Christovam. Vigilância em saúde e território utilizado: possibilidades teóricas e metodológicas. Cadernos de Saúde Pública, v. 21, p. 898-906, 2005. SECRETARIA DA COMUNICAÇÃO, gov.br, 2024. Unidades Básicas de Saúde. Disponível em: . Acesso em: 05 de jun de 2024.Apresentação/Introdução: A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel estratégico no atendimento às doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT), convergindo seus atributos essenciais às necessidades específicas que essas condições exigem. Com sua ampla cobertura e proximidade com indivíduos e famílias em seus contextos sociais, a APS se adapta ao crescimento populacional das DCNT, planejando e implementando estratégias de enfrentamento de maneira contínua e abrangente. A gestão do cuidado na AB desempenha um papel fundamental nesse contexto, além de planejar e otimizar os recursos, a gestão deve promover a educação em saúde e fortalecer a articulação e integração das ações de assistência da equipe entre os diferentes níveis de atenção à saúde. Ao longo dos anos, a AB tem aprimorado e engendrado esforços para o desenvolvimento de ações e estratégias longitudinais de cuidado das DCNT, no entanto existem vários desafios para o cuidado integral devido às complexidades dessas condições. Nesse cenário, a obesidade – condição crônica pertencente ao grupo das DCNT – entendida aqui como fenômeno multifatorial que interage com fatores sociais, genéticos, ambientais e políticos, carece de atenção e qualificação profissional de modo a ampliar os horizontes do cuidado.. Objetivos: Analisar as percepções das gestoras da APS acerca dos desafios e potencialidades na gestão do cuidado às pessoas com obesidade no decorrer de um curso de educação permanente em saúde.. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional retrospectivo orientado pela abordagem qualitativa. Os sujeitos da pesquisa foram gestoras de saúde da AB participantes de um curso de formação EaD que foi desenvolvido em parceria por Universidades públicas e Secretaria Estadual de Saúde do Estado da Bahia. O Curso “Qualificação do Cuidado a Pessoas com Sobrepeso e Obesidade” foi realizado à distância e destinado a gestoras da AB de municípios do Estado da Bahia, com o objetivo de qualificar o cuidado a pessoas com obesidade. Para análise das percepções foram utilizadas as expressões que emergiram nas atividades formativas desenvolvidas nos fóruns de discussão e nos diários reflexivos das 19 cursistas que concluíram o curso. As gestoras que cursaram e finalizaram com êxito o curso são mulheres negras em sua maioria, com formação em diversas áreas da saúde, sobretudo nutrição e enfermagem, e com idade entre 28 e 55 anos. Para análise dos dados utilizou-se a abordagem de Análise de Conteúdo de Bardin (1977) e a partir das análises e categorização, elegeu-se a categoria “Desafios e potencialidades na gestão do cuidado às pessoas com sobrepeso e obesidade” para ser explorada nesse relato.. Resultados e Discussão: Dentre os desafios apontados pelas gestoras, destacam-se aqueles comuns à organização da gestão e do processo de trabalho da AB, como a insuficiência de profissionais, sobrecarga de trabalho e escassez de recursos materiais. Além disso, desafios específicos referem-se ao manejo do cuidado das pessoas com obesidade, incluindo infraestrutura e equipamentos inadequados. Elas enfatizam a necessidade da inclusão da obesidade nos planejamentos com contextualização territorial. As gestoras concordam quase unanimemente que a integração entre redes de atenção, áreas técnicas e profissionais são essenciais para o sucesso da gestão do cuidado nas DCNT e na obesidade, destacando que essa comunicação é um desafio a ser superado pois, a falta de integração pode resultar em ações descontextualizadas e pouco engajamento da equipe. Os Programas Saúde na Escola e Bolsa Família foram indicados como potencialidades essenciais para abordar a obesidade, focando no diálogo entre profissionais e usuários, mostrando potencialidades a serem exploradas, especialmente as que envolvem a comunidade e abordam a obesidade de forma coletiva. Outra potencialidade destacada foram as “Rodas Terapêuticas” ou Terapia Comunitária Integrativa. Tais iniciativas refletem uma abordagem holística e integrada para lidar com o desafio da obesidade, reconhecendo a complexidade do fenômeno e a necessidade de intervenções multifacetadas. Assim, as cursistas identificaram que o horizonte para um cuidado mais qualificado inclui o reconhecimento da obesidade como fenômeno multifatorial e sindêmico, inclusão da obesidade no planejamento municipal com abordagem longitudinal e integração entre diferentes níveis de cuidado, valorizando programas que abordem a obesidade de forma integrada e ampliada.. Conclusões/Considerações finais: As profissionais trouxeram diversos elementos acerca das suas vivências no gerenciamento da APS no que tange ao cuidado às pessoas que convivem com obesidade. Nas atividades do curso, principalmente nos fóruns de discussão, houve diversas oportunidades em que as cursistas explicitaram as suas experiências, e os entraves e possibilidades que se desenham nesse cenário. Destarte, a gestão na APS para o cuidado das pessoas com sobrepeso e obesidade, requer uma abordagem integrada, que considere não apenas aspectos clínicos, mas também sociais, culturais e estruturais. O fortalecimento da interprofissionalidade, a inclusão da obesidade nos planejamentos estratégicos municipais e a promoção da participação social são fundamentais para melhorar a qualidade e eficácia dos serviços de saúde oferecidos, especialmente no cuidado a pessoas que convivem com obesidade.. Referências:
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