DEMOCRACIA E PARTICIPAÇÃO SOCIAL NA SAÚDE: IDENTIFICAÇÃO E PRIORIZAÇÃO DE PROBLEMAS NAS POPULAÇÕES DO CAMPO FLORESTA E ÁGUA

Vol.2 - 2024 - 199099
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Resumo

Contextualização O modelo de gestão dos serviços na Atenção Primária à Saúde (APS) tem demonstrado fragilidades, uma vez que está centrado na oferta de serviços em vez de nas reais necessidades de saúde da população. (Rodrigues, et al., 2019). É importante, um olhar diferenciado para o território, já que a saúde se realiza como expressão vital no espaço, é preciso recuperar seu sentido buscando identificar as relações entre as condições de saúde e seus determinantes culturais, sociais e ambientais (Lacerda; Mendes, 2018). Avaliar as reais necessidades das populações através do planejamento participativo consiste na busca do diagnóstico da realidade pela visão dos autores que estão inseridos no contexto, propondo alternativas para a transformação dessa realidade, assim como identificando meios de viabilidade para se realizar as ações (Silva; Oliveira, 2023). Essa realidade se torna mais urgente diante das populações mais vulnerabilizadas e invisibilizadas que se encontram nos territórios do campo, da floresta e das águas (CFA). Dessa forma, Carneiro, et. al. 2017, aponta ser fundamental visibilizar as necessidades de saúde para que o Estado seja pressionado a planejar, a agir e a avaliar suas ações a fim de garantir os direitos dos cidadãos, posto que as questões de saúde dessas populações estão diretamente vinculadas a um conjunto de outros direitos que são sistematicamente violados. Descrição da Experiência Oficina de identificação e priorização de problemas em saúde, desenvolvida pelo curso de Doutorado em Saúde da Família, Fiocruz Ceará junto às populações CFA, em territórios localizados no município de Crato-CE. Participaram 12 pessoas, lideranças comunitárias, trabalhadores de saúde, preceptora da residência multiprofissional em saúde coletiva. Os territórios rurais em disputas territoriais, Baixio das Palmeiras em relação à obra hídrica, o Cinturão das Águas do Ceará, a Comunidade do Carrapato pelo avanço da construção civil e especulação imobiliária. Estão no entorno da Chapada do Araripe, o protagonismo comunitário fortalecido pela cultura popular dos grupos culturais locais, comunidades emancipadas, com práticas de saúde e organização comunitária fomentadas na solidariedade. Vulnerabilizadas pela escassez de equipamentos do estado. Foi utilizado o instrumento Matriz GUT, consiste no reconhecimento das problemáticas territoriais pela gravidade do problema, a urgência que demanda a sua resolução, a tendência caso o problema não se resolva. Cada categoria recebe uma pontuação que varia de 1 – 5. A partir da classificação, o grau de prioridade é definido conforme a pontuação G x U x T. Os problemas que obtiverem os maiores resultados, serão as principais dificuldades a serem enfrentadas, aplicando os critérios de análise e a classificação correspondente ao consenso do Grupo. Objetivo e período de Realização Realizar a identificação, categorização, hierarquização e priorização dos problemas em saúde dos territórios do campo, floresta e água, através de um espaço dialógico com a utilização de um planejamento participativo estratégico instrumentalizado e sistematizado. A atividade ocorreu no dia 21/04/2024 no período da manhã, no Espaço Cultural Casa de Quitéria localizada na comunidade do Baixio das Palmeiras. Resultados Participaram cerca de 12 pessoas, líderes comunitários, profissionais de saúde, preceptoria da residência multiprofissional em saúde coletiva da Urca. Inicialmente foi realizado uma explanação acerca da Política Nacional da Saúde Integral das Populações do Campo Floresta e Água, em seguida apresentado o conceito de Saúde e Emancipação e em logo após, deu-se início a realização da oficina. Mediada pela doutoranda em Saúde da Famíla, enfermeira da ESF Bx das Palmeiras, além da introdução dos conceitos justificou a relevância da temática. Os problemas reconhecidos seguindo a priorização que a Matriz GUT oportunizou foi Impacto negativo da obra Cinturão das Águas sobre a comunidade local do Baixio das Palmeiras, Deficiência no aparelhamento público e comunidade em relação ao preparo dos profissionais de saúde no entendimento das relações territoriais emancipatórias, Aumento dos casos de violência no trânsito, Escasso envolvimento da escola no cotidiano da comunidade, Aumento da poluição do rio grangeiro nas proximidades da comunidade do carrapato, . Insuficiência de acesso da comunidade aos serviços públicos de coleta de lixo, Fragilidade no Planejamento Participativo Comunitário. Aprendizado e Análise Crítica A realização da atividade evidenciou o potencial resultante da estreita colaboração e integração entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e o território. Reconhecer o vínculo e a participação da comunidade no planejamento das ações é crucial para tornar o processo verdadeiramente democrático e capaz de atender às necessidades da população. Reforçar a democracia no planejamento participativo, através do diálogo e do reconhecimento das necessidades reais, dos estilos de vida e das abordagens necessárias para superar os desafios, é essencial. Em relação às populações do campo, floresta e água esse caminho se torna uma premissa no processo de trabalho, as demandas devem emergir dos próprios usuários que vivenciam cotidianamente as vulnerabilidades existentes no território. Carneiro, et. al. 2017, aponta ser fundamental visibilizar as necessidades de saúde para que o Estado seja pressionado a planejar, a agir e a avaliar suas ações a fim de garantir os direitos dos cidadãos, posto que as questões de saúde dessas populações estão diretamente vinculadas a um conjunto de outros direitos que são sistematicamente violados. Referências RODRIGUES, L. M.; ARAUJO, N. J. S.; SILVA, V. W. T.; ROCHA, E. G.; MARTINS, A. K. L.; BRITO JUNIOR, F. E. Territorialização e matriciamento em saúde coletiva: processo de trabalho ecossistêmico com base na classificação de risco. In: MOREIRA, M. R. C.; BRITO JUNIOR, F. E.; CANDIDO, J. A. B. (orgs.). Trabalho, saúde e sustentabilidade. Fortaleza: EdUECE. 2019.p.178-201. Silva, D. P. P.; Oliveira, M. A. Experiências de planejamento participativo na atenção básica em saúde: uma revisão integrativa. Open Science Research . Volume 10 - Ano 2023 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.com.br CARNEIRO, F. F. et al. O processo histórico e a criação do Obteia. p. 31-56. In: Campo, floresta e águas: práticas e saberes em saúde. CARNEIRO, F. F.; PESSOA, V. M.; TEIXEIRA, A. C. A. (org.). Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 2017.464p.Apresentação/Introdução: A Violência contra as mulheres é uma grave violação dos direitos humanos e um importante problema de saúde pública. Esta violência está enraizada em praticamente todas as culturas ao redor do mundo e atualiza e perpetua as desigualdades de gênero, por meio da dominação masculina. Os dados relativos à violência perpetrada contra mulheres no Brasil e no mundo são alarmantes e demonstram o desfecho de um problema complexo que requer uma compreensão ampliada desse fenômeno sob a perspectiva cultural e histórica da construção social de gênero, sendo essa uma forma de enfrentar e prevenir esses resultados. Assim, a partir da pergunta: “O que despertou nas mulheres denunciantes de violência doméstica a percepção de que estavam sendo violentadas?”, discutimos sobre os gatilhos que dispararam essa percepção e sobre os mecanismos que utilizaram para sustentar a decisão de proceder com a denúncia desta violência, bem como os significados que atribuem à denúncia.. Objetivos: Compreender os fatores que contribuem para que mulheres reconheçam a sua situação de violência doméstica, de modo a denunciá-la.. Metodologia: A metodologia parte dos paradigmas da Pesquisa Qualitativa em Saúde, particularmente das tradições hermenêutica e fenomenológica. Por meio da técnica da entrevista em profundidade, as informações obtidas foram analisadas conforme o círculo hermenêutico de Gadamer. O cenário da pesquisa foi a Casa da Mulher Brasileira, equipamento social gerido pela Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos, onde foram entrevistadas oito mulheres cisgênero, maiores de 18 anos, que realizaram denúncia de violência doméstica no ano de 2023. O estudo foi aprovado pelo comitê da Universidade Federal do Ceará (UFC) com parecer 6.562.396.. Resultados e Discussão: As oito mulheres entrevistadas relataram ter sofrido múltiplas formas de violência. Todas informaram ter sido submetidas a violência psicológica e a violência física, sete relataram ter sofrido violência sexual e uma relatou violência patrimonial. Em relação aos tipos de violência enfrentados, diversos estudos em diferentes regiões do país confirmam que os tipos mais frequentes são os mesmos relatados pelas participantes desta pesquisa: a violência psicológica é a mais comum, seguida pela física e pela sexual. Dados nacionais de um estudo que analisou notificações de violência contra mulheres no sistema de notificações e agravos revelam que esses três tipos são os mais relatados. Dos 454.984 casos registrados, 86,6% foram de abuso físico, 53,1% de violência psicológica e 4,8% de violência sexual. Fatores como o uso excessivo de álcool têm sido identificados como facilitadores de agressões. (Callou, et al. 2023) Para cinco mulheres, aquela tinha sido a primeira vez que realizavam uma 74 denúncia por violência doméstica, embora, ao me contarem suas histórias, tenha ficado claro que as agressões fizeram parte de suas vidas em muitos momentos e de diferentes formas. Essa informação nos leva a ponderar sobre os impactos na saúde feminina. Mendonça e Ludermir (2017) descobriram elevados índices de distúrbios mentais comuns, como irritabilidade, exaustão, dificuldades para dormir, problemas de concentração e queixas físicas relacionadas à depressão e ansiedade, em mulheres que relataram ser vítimas de violência perpetrada por parceiros íntimos, especialmente as de natureza psicológica.. Conclusões/Considerações finais: Ao longo desta pesquisa, exploramos algumas das complexidades e desafios resultantes da violência doméstica contra mulheres, um fenômeno profundamente enraizado em estruturas sociais e culturais. A análise abrangente de diversos estudos e dados, bem como a escuta realizada com oito mulheres em situação de violência doméstica, ratificaram a urgência de abordar essa questão de maneira holística e multifacetada, incorporando não apenas medidas punitivas contra os agressores, mas também políticas preventivas e de apoio às sobreviventes. É imperativo reconhecer que a violência doméstica não é um problema individual, mas sim um reflexo de desigualdades de gênero sistêmicas e de padrões de poder desequilibrados. Qualquer esforço para combater este fenômeno deve ser fundamentado em uma abordagem interdisciplinar que aborde suas raízes estruturais, promovendo mudanças culturais, educacionais e legislativas.. Referências:

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Eixo Temático
  • Eixo 05 - Democracia e participação social nas políticas, serviços e ações de saúde