CONHECIMENTO DO GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA E CLASSIFICAÇÃO DO GRAU DE PROCESSAMENTO DOS ALIMENTOS POR ADULTOS COM EXCESSO DE PESO

Vol.2 - 2024 - 198991
Relato de pesquisa
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Resumo

Apresentação/Introdução: Notícias sobre alimentação em saúde, atualmente, são veiculadas de forma massiva. O tema desperta grande interesse na população, e o acesso a informações confiáveis e consistentes é fundamental para garantir a autonomia do indivíduo para escolhas alimentares saudáveis. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário desenvolver certas habilidades pessoais que beneficiem a tomada de decisão (Brasil, 2016). Guias alimentares são documentos que reúnem informações seguras e orientações para produção de Políticas Públicas e programas de nutrição no país. A nova versão do Guia Alimentar Para a População Brasileira (GAPB) objetiva apoiar e incentivar práticas alimentares saudáveis individuais e coletivas e diminuir o aumento dos casos do excesso de peso e de outras doenças crônicas relacionadas à alimentação (Brasil, 2014). O próprio Guia informa que sua proposta é ser conhecido e utilizado além das unidades de saúde, fazendo-se presente nas casas, escolas e em todo lugar que se pratique promoção de saúde. Considerando isso, detectar se a população-alvo do Guia está tendo acesso ao material parece ser o primeiro passo para diagnosticar a eficácia dos seus objetivos.. Objetivos: O objetivo desse trabalho foi descrever o conhecimento de adultos com excesso de peso, de Fortaleza, Ceará, sobre o GAPB e o grau de processamento dos alimentos por ele proposto.. Metodologia: Esse estudo é um recorte do projeto de pesquisa metodológica “Programa Meu NutriGuia: Letramento e Inovação em Saúde na promoção de adesão ao guia alimentar para a população brasileira como estratégia de combate à obesidade”, realizado no período de 2021 a 2023, em Fortaleza, Ceará, Brasil. Uma das etapas da pesquisa consistiu na aplicação de um questionário com perguntas referentes aos conhecimentos do GAPB e do grau de processamentos dos alimentos (BRASIL, 2014), a saber: 1 - “Já ouviu falar do Guia Alimentar para a população brasileira?” 2 - “Já ouviu falar em alimentos naturais (AN)?” 3 “Já ouviu falar em alimentos processados (AP)?” 4 - “Já ouviu falar em alimentos ultraprocessados (AU)?”. A amostra foi composta por 437 indivíduos com idade de 20 a 59 anos, de ambos os sexos, com excesso de peso, conforme classificação da World Health Organization (WHO, 1998). Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O projeto foi delineado de acordo com a Resolução 466/2012 que rege pesquisas com seres humanos no Brasil e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Estadual do Ceará, CAAE 69459317.0.0000.5534.. Resultados e Discussão: A idade média dos entrevistados foi de 40 (DP=10,3) anos e a maioria tinha mais de oito anos de estudo (n=363; 83,0%), sendo 91,53% (n=400) mulheres. O Índice de Massa Corporal (IMC) médio foi igual a 28,69 kg/m2. A maioria deles afirmou já ter ouvido falar em alimentos naturais e processados (n=392; 89,70% e n=314; 71,85%, respectivamente), mas não ouviu falar sobre ultraprocessados (n=324; 74,14%) e nem sobre o GAPB (n=379; 86,73%). É necessário investir mais em divulgação do GAPB visto que o Brasil possui território populoso e extenso, com diversidade cultural, social e econômica, o que dificulta o acesso a essa informação em todo o território nacional (Ambrosi; Grisotti, 2022), correndo o risco desta informação ficar restrita aos profissionais de saúde. Rodrigues e Garcia (2023) verificaram que, mesmo entre os profissionais de saúde, há insegurança para usar e repassar as informações do GAPB à população, necessitando de treinamento prévio. Há também carência de nutricionistas na Estratégia de Saúde da Família (ESF). Considerando que o Guia corrobora com o enfoque do modelo de saúde proposto pelo do Governo, isto é, uma abordagem de saúde que visa prevenir e manejar agravos de saúde, a carência de nutricionistas nesse âmbito pode ser vista como uma falha no planejamento de implementação do GAPB. Este profissional poderia ser o agente educador dos demais profissionais da unidade, uma vez que orientar práticas alimentares saudáveis é atribuição de todos os profissionais que compõem a ESF, e o responsável por elaborar estratégias de uso do GAPB na UAPS.. Conclusões/Considerações finais: Os resultados mostraram a necessidade de investir mais na divulgação do GAPB e em educação alimentar e nutricional, uma vez que a maioria dos avaliados referiu conhecer alguns termos, mas não saber a fonte dessas definições, correndo risco de ter sua autonomia nas escolhas alimentares prejudicada e possível agravamento da condição de saúde.. Referências: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população – 2. ed., 1. reimpr. – Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 156 p. BRASIL. Ministério da Saúde. Desmistificando dúvidas sobre alimentação e nutrição: material de apoio para profissionais de saúde. Universidade Federal de Minas Gerais. – Brasília: Ministério da Saúde, 2016. 164 p. WORLD HEALTH ORGANIZATION – WHO. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Geneva: World Health Organization - WHO, 1998. AMBROSI, C.; GRISOTTI, M. O Guia Alimentar para a População Brasileira (GAPB): uma análise à luz da teoria social. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, n.11, p. 4243-4251, 2022. RODRIGUES, H.T.B.; GARCIA, M.T. Conhecimento e aplicação do Guia Alimentar na promoção da alimentação adequada e saudável: estudo com médicos e enfermeiros da ESF. Bol Inst Saúde, v. 24, n. 2, p. 69-77..

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